4.24.2009

dia internacional do livro (ontem)



Depois de ter lido ontem alguns posts sobre o dia internacional do livro apetece-me apenas acrescentar duas coisas, que a partir de ontem Beirute é a nova capital mundial do livro e que o dia internacional do livro infantil também já comemorado conta com uma nova imagem para 2010, pelas mãos Eliacer Cansino e Noemí Villamuza que ganharam o concurso da OEPLI para o cartaz comemorativo

e a feira do livro de Lisboa que promete ser diferente, conta ainda com o site de 2008, via APEl

4.22.2009

«no mais fundo de ti»


...que há leitos onde o frio não se demora.
in "poema à mãe", Eugénio de Andrade

as vezes que fui à "Ler Devagar" ainda no Bairro Alto foi acompanhada do Torcato, acabava-se sentado numa mesa com um cutty sark a acompanhar a conversa e o(s) livro(s) comprado(s).
mais tarde na Fábrica do Braço de Prata (infelizmente já há muito tempo sem site) e agora no antigo espaço da gráfica Mirandela.
promete...
a inauguração é amanhã e durante quatro dias. programa aqui

tricotar


a juntar a muitas coisas que gostava de saber fazer junta-se a de tricotar.
um blog que vale a pena espreitar pela magnifica coleccção

4.21.2009

dias longos



o sol voltou e com ele uma nova força anímica. as novas ilustrações ganham forma e o tempo vai-se perdendo

4.20.2009

little red riding hood



Quartetos animados foram produzidos pela Ravensburg, uma empresa alemã que se iniciou no fim do século XIX, pelas mãos de Otto Maier, mas que só vem a adquirir definitivamente o nome em 1905. para curiosos como eu fica aqui a evolução do logotipo.

Comprada pela majora nos anos 70 e distribuído pela catalã Sallent Hermanos, “quartetos animados” é fabulosamente ilustrado, pena que a assinatura mesmo a conta fios seja difícil de perceber. Restam-me hipóteses como Ateusaew, Aleusaeu, Ateusaen, Aleusaeu

O jogo completo aqui e uma página dedicada a vários jogos da Ravensburg

4.15.2009

lost and found




Oliver Jeffers o mesmo autor de “O incrível rapaz que comia livros” viu através da produtora Aka o seu livro “lost and found” passado a cinema numa curta-metragem que estará disponível em dvd a partir de 20 de Abril.

"lost and found" conta a história de um pinguim que anda perdido e que vai bater à porta de um menino, este resolve levá-lo de volta para o Pólo Sul. uma viagem feita de peripécias e medos que no fim se traduz na tristeza de dois amigos se separarem.

"The penguin hadn’t been lost, it had merely been lonely"

um pouco do filme aqui via CR blogue

4.09.2009

para dormir






À medida que a criança cresce e que toma consciência do mundo envolvente surge muitas vezes períodos de medos, receios e preocupações.
Estas emoções são sentidas por todas as crianças com diferentes graus de intensidade, marcam diversas etapas no desenvolvimento mas por vezes impedem a criança de avançar.


No entanto o medo desempenhou sempre uma função muito específica, que era o de proteger o indivíduo de eventuais perigos e quando o ser humano é confrontado com uma situação percepcionada como ameaçadora, ele prepara-se não só no plano psicológico como no biológico. O medo tem assim uma função adaptativa e deve ser considerado, dentro de determinados limites, como útil.


No caso de Billy, o menino da nossa história, os seus medos chamam-se preocupações, e têm como causas sapatos, chapéus, chuva ou pássaros gigantes. O que o texto não diz, é que as preocupações do Billy acontecem apenas quando tenta dormir, à noite, na sua cama. A avó dá-lhe a conhecer as “bonecas das preocupações”.

Há uma lenda que diz que o povo da Guatemala contava à noite as suas preocupações aos bonecos e colocavam-nos debaixo da almofada e na manhã seguinte os seus problemas tinham desaparecido.
Uma tradição das crianças guatemaltecas que se espalhou a várias partes do mundo.

Outras bonecas

As preocupações do Billy de Anthony Browne editado pela Kalandraka, 2006

4.03.2009

viver os dias




A vinda para o interior e no nosso caso para o Alentejo, teve acima de tudo uma coisa boa que foi o ganhar tempo. Com uma empresa às costas e com todas as responsabilidades e dificuldades que isso nos acarreta, também é a hipótese de acompanhar o Manel quase a tempo inteiro.
Gerir o nosso tempo, fazer um pouco os nossos horários e saber que em tempo de férias da escolinha, o M. fica assim, connosco, em jeito de guardado.

eu + tu




dois lotos de cálculo editados pela majora, com ilustrações de Cesar Cliliott, dos quais não consigo ter mais referências. gostava de um dia poder consultar um catálogo ou mesmo um inventário detalhado sobre todo o material que a majora editou desde o seu início nos anos 40 até à década de 80, do século XX.

4.02.2009

lobos de uns e outros




Hoje comemora-se o Dia Internacional do livro Infantil e segundo alguns autores portugueses o grande salto que se deu na literatura infantil portuguesa foi ao nível da ilustração, in JN.

Não de autores portugueses, mas com ilustrações lindíssimas de um artista belga já falecido (1921-1982), Jean Leon Huens, um livro adaptado pela Verbo Infantil, da editora Casterman, - “Contos da Condessa de Ségur”.
Distinguido em 2002 com o prémio “Hall of Fame” da Sociedade de Ilustradores de Nova Iorque, Jean Leon Huens foi considerado um sucessor de artistas como Van Eyck, Memling or Fouquet. E uma das coisas que me fascina nestas ilustrações é a presença de um fino grão comum a todas.

Não posso dizer que não me fascino a olhar para os desenhos do Manel, mas a verdade é aquilo que ele vê diariamente, provavelmente se eu cantasse...

4.01.2009

Mimos de cor e sabor



A marca Arcádia surge no Porto pela mão de Manuel Pereira Bastos, em 1933, e a fábrica actualmente existente na rua do Almada abriu em 1945.
Mantém na fachada a designação Arca e, no interior, a aparência de outros tempos, “preservando o mobiliário da década de 30 e os tradicionais azulejos, o mais aproximado possível ao que ali existia”, conta Margarida Bastos, cheia de doces memórias de infância.

Um mundo de cheiros doces e aveludados, de formas e cores, de sabores diferentes como a menta, a rosa, ou a lavanda.
Um mundo de bordadeiras, porque é assim que as mulheres que ali trabalham e algumas há mais de 30 anos descrevem a arte de decorar as amêndoas de licor,- autênticos bordados.
No fim há manjericos, bebés, cenouras, ervilhas, morangos, cerejas ou favas.

Confesso que os bebés são as que fazem as minhas delícias, mas a verdade é que o sabor que guardo delas não é o mesmo. As cerejas deixaram-me triste.

3.31.2009

de cheirar



há aromas que invadem a casa

"também se cozem e temperam amores e desamores, risos e prantos, e se celebra o triunfo da alegria e da vida sobre a tristeza e a morte." in Como água para chocolate, Laura Esquível

3.30.2009

de outras terras





O leão Kandinga” de Boniface Ofogo e Elisa Arguilé é a história de um leão feroz e malvado que não hesitava em devorar os seus amigos para matar a fome, por isso acaba sozinho, sem amigos e família. A história de Kandinga é a tradução da sabedoria dos povos africanos, mais precisamente na tradição oral dos Bantu. Uma narrativa que convida a uma viagem imaginária até ao coração da selva mostrando a supremacia do leão face aos outros animais.

Um livro editado pela Kalandraka que surge na sequência de uma viagem de Ofogo entre Saragoça e Huesca, onde conhece Elisa Arguilé e lhe conta esta história.

Este livro fez-me lembrar um outro, de uma editora que acompanho com algum carinho, a Tara books, não só pela temática dos livros, mas pelo modo como estes são produzidos.

The very hungry lion” adaptado por Gita Wolf, considerada uma das mais criativas e originais vozes contemporâneas na área da edição, e magnificamente ilustrado por Indrapramit Roy, ao estilo Warli, pintura que se usava nas paredes das casas tribais na Índia e produzido manualmente como “The night lies of trees”

The very hungry lion” é uma adaptação de um conto tradicional, que ao contrário de Kandinga ele engana outros animais para serem estes a procurarem-lhe alimento.



Ooo00o




Laranja, peso, potência.
Que se finca, se apoia, delicadeza, fria abundância.
A matéria pensa. As madeiras
incham, dão luz. Apuram tão leve açúcar,
tal golpe na língua. Espaço lunado onde a laranja
recebe soberania.
E por anéis de carne artesiana o ouro sobe à cabeça.
A ferida que a gente é: de mundo
e invenção. Laranja
assombrosamente. Doce demência, arrancada à monstruosa
inocência da terra.

Herberto Helder in Última Ciência, Assírio & Alvim, 1988

e o som dos aromas invadem a casa

3.27.2009

carimbar



Graças à minha sempre vontade de desenhar e à falta de tinta nas almofadas dos carimbos, que eu me livrei tantas vezes das revisões da matéria, na escola primária.

Não me recordo qual era a marca dos carimbos, provavelmente a maioria seria da majora pelos desenhos que tenho encontrado e que me recordam os que eu tantas vezes desenhei.

Lembro-me que abandonava o meu lugar e ia ocupar outro numa fila vazia de carteiras. Estendiam-se cartolinas, decidiam-se desenhos consoante a época do ano e começava a desenhá-los.

Ainda hoje gosto de carimbos, gosto deles bem desenhados, rigorosos como as ilustrações inglesas do século XIX muito ao estilo de Randolph Caldecott,
Estes carimbos são de uma fábrica de material didático – AGATHA-, no Porto.
Tenho pena mas pouco sei deles e da sua história.

Carimbos Agatha O Sobreiro ref.ª 108

3.26.2009

letras grandes e pequeninas





Os dias estão deliciosamente saborosos. pedem leituras e conversas exteriores.

A Assírio presenteou-nos recentemente com a edição de "Ofício Cantante – Poesia Completa" de Herberto Helder com capa de Ilda David que inaugura no próximo sábado, dia 28 uma exposição no Espaço Pessoa & Companhia, em Lisboa.

Um poema lindíssimo de Herberto Helder (que pode ser lido na totalidade aqui)

No Sorriso louco das mães

No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batemos dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.


(...)

Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.

E as mães são cada vez mais belas.

(...)

E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado
por dentro do amor.


"O incrível rapaz que comia livros" de Oliver Jeffers magnificamente ilustrado lembrou-me um outro "Leónia Devora os livros escrito por Laurence Herbert, ilustrado por Frédéric du Bus e editado pela Caminho. A mesma temática, mas confesso que o de Oliver Jeffers me enche mais as medidas.

O amor chegou com as chuvas - Mirabai- um livro que eu gostava de ler, também editado pela Assírio

3.24.2009

de coração cheio



De volta a casa, de coração, olhos e mãos cheias, de gente que conhecemos e revemos, de coisas que fizemos e que vimos e que nos tornaram mais ricos.

Mas venho sobretudo de coração cheio, dos meninos dos ateliers que estive a fazer no bairro Quinta do Lavrado e na Associação 2 de Maio.

Um beijo especial à Maria que começou o atelier a chorar e acabou assim a não querer deixar-me ir embora. Guardo-te comigo.
A primeira fotografia é da oficina "Poemas e postais", orientada pela Helena Zália e pela Mafalda Milhões da Bichinho de Conto

A imagem dos "meninos" na praia foi tirada no Museu do brinquedo, onde tive o prazer de estar à conversa com Arbués Moreira e ficar a saber algumas histórias que estes brinquedos encerram
Por último a Maria, uma imagem capturada de um pequeno vídeo, já nas cozinhas da Associação 2 de Maio

3.19.2009

até já


De malas quase feitas e com um novo livro lá dentro, partimos para quatro dias na terra, que segundo os meus planos serão divididos entre dois workshops que vou dar a dois grupos de 20 crianças cada, sob o tema “E se eu fosse uma árvore”, uma ida à Gulbenkian para participar com o Manel numa destas oficinas, e para rever o grupo teatro Tapa Furos que mais uma vez escolhe a Quinta da Regaleira como palco para a sua nova peça “As Aventuras de Puck, o Duende”, numa adaptação livre da versão infantil de Hélia Correia de “Sonho de Uma Noite de Verão” de William Shakespeare.

Fica ainda tempo para matar saudades da família e voltar a ver o mar

today



do dia deles

3.16.2009

verde


Gosto muito de trabalhar com crianças e confesso que gosto muito mais de trabalhar com meninos que pouco têm e à semelhança do ano passado e integrado na iniciativa “Semana Verde, em Lisboa, dois workshops para dia 20 e 23 de Março “e se eu fosse uma árvore”

arrumações



No meio de mudanças da biblioteca, de uma estante que está para chegar capaz de alojar bem mais e melhor, encontrei estes dois livros que foram surrupiados da casa da minha mãe.

Gosto deles, talvez também porque a ela lhe disseram muito. A dedicatória reservo-a. mas a propósito de Edgar Allan Poe e da comemoração do bicentenário do seu nascimento relembro-me do trabalho de Tim Burton Vincent, inspirado desde sempre na obra de Poe e produzido em stop motion um desafio sem dúvida à paciência.

Vincent conta a história de um menino que gostaria de ser como seu ídolo, o actor americano de filmes de terror Vincent Price (1911-1993), sendo este o narrador do próprio filme de Tim Burton. Ambos com forte influência na obra gótica de Poe.

The Raven é outro tributo a Edgar Allan Poe, feito por Lou Reed o ex-músico dos Velvet Underground.

3.14.2009

alambazar




apesar dos dias pedirem rua, as noites ainda se têm frias e pedem o aconchego de casa. cada vez mais distante do que se compra feito entrego-me a alguns prazeres. nem que seja o prazer de sentir o cheiro a bolos quentes a invadir as salas.

à espera do livro "O incrível rapaz que comia livros" de Oliver Jeffers (vale a pena ver o site com atenção) e editado pela Orfeu, sinto que cada vez mais me apetece juntar a arte de comer com a de ler

também no campo da leitura e para os mais pequeninos (onde me apetecia permanecer), a Câmara de Lisboa promove a I Festa do Livro Infantil a decorrer de 27 Março a 5 de Abril na Praça da Figueira, sendo o seu ponto alto um atelier organizado pela Fundação José Saramago baseado no livro A Maior flor do Mundo.

A curta-metragem de animação adaptada do livro de José Saramago, A Maior Flor do Mundo, realizada por Juan Pablo Etcheverry e com música de Emilio Aragón, acaba de receber o Prémio de Melhor Curta de Animação no 1.º Festival de Madama, realizado na localidade de Sanxenxo

3.12.2009

até sempre



era Outubro o Verão parecia ter começado. Em casa habitava a tranquilidade que o Torcato trazia sempre que cá estava. As leituras exteriores. as conversas. as cervejas que compensavam o calor. Os jantares com os amigos alentejanos que nós fazíamos questão, prolongavam-se debaixo da buganvília. as noites eram curtas e não nos apetecia que acabassem.

Era Outubro e o Torcato veio, inquieto, o João tinha sido internado. Fez-se dois ou três telefonemas para médicos amigos. A notícia era triste. Muito triste. Chorei no ombro dele. Sem sabermos que poucos meses depois e sem nos avisar o Torcato ía embora.

Naquele dia estivemos com o João e com a sua coragem. Um ano depois parte e deixa-nos a todos mais vazios

3.09.2009

memórias



A um livro de distância, olho para eles, releio-os para mim e para o M. A memória olfactiva acompanha-me, mas de facto já não existe. Gostava de a conservar assim dentro de mim porque essa sei que não a consigo passar.

A um livro de distância de acabar a colecção de vinte, sobra este que terei o maior prazer em oferecer a quem estes livros significam realmente alguma coisa. (já vai seguir viagem)

Também ilustrado por Yvonne Perrin este que adorava ter

2.17.2009

in red




Vi este livro pela primeira vez aqui por altura das Palavras Andarilhas , ainda na sua língua matriz, escrito por Antonio R. Almodóvar e ilustrado por Marc Taeger, o mesmo ilustrador deste.

Resolvi esperar e passados dois anos, chega a Portugal. Com o prémio Daniel Gil para melhor álbum ilustrado de 2005. Recontada, ou reescrita segundo recolha na tradição oral, esta história rompe com todas as ideias feitas do que é o Capuchinho.

Em “A Verdadeira história do Capuchinho”, encontramos uma menina que afinal nem sequer jeito tem para a costura. A fama de gulosa e a sua extrema curiosidade são realçadas não só pelo texto como pela ilustração. As personagens quase vindas do universo infantil adquirem grande expressividade e a representação do Capuchinho surpreende em cada página. Uma delas quase nos faz lembrar as primeiras representações do Mickey ou mesmo algumas alusões ao Pinóquio.

2.16.2009

ainda de castro daire



quero agradecer a todas as pessoas que me têm enviado mails por causa do meu trabalho e particularmente por causa desta exposição, bem hajam

obrigada também a quem mesmo à distância já ficou com telas

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...