10.03.2008

enamoramentos



sempre que o tempo me permite gosto de trabalhar na rua. as cores são o que são e o espaço permite-me o afastamento fisico necessário para as ir namorando aos poucos. há pinturas que nos esgotam, de tal a sua intensidade. gosto. gosto delas assim. intensas. fortes. dramáticas até na sua doçura. são namoros. são encantamentos. gosto de estremos


e finalmente vejo estes livros publicitados no site da editora. obrigada

de livros ou de árvores




ainda a propósito destes livros editados pela majora na década de 70 e que já tinha mencionado aqui , esqueci-me foi de referir que originalmente eles eram distribuidos em troca de uns cupões que saíam nas latas de leite da Nutricia, uma excelente ideia tendo em conta a qualidade editorial deles, escritos e ilustrados por Yvonne Perrin.
eu consegui mais um para a minha paleta de cheiros e apercebi-me ao folhear, que provavelmente o meu encantamento está nas árvores e que isso ainda hoje se reflecte.

hoje lembrei-me de ti e pensar que se pode morrer de pé como as árvores. com dignidade, com altivez.

"A casinha de Rubim" - série 115/9 , edições majora

10.01.2008

às voltas com o color settings



neste momento a única coisa que me ocorre dizer é que a luta continua

numerados



com um scanner a querer ser uma espécie de cisne, não se igualando de modo algum ao seu canto, resta-me dizer que os cartões fotográficos são acompanhados de numeração também ela sobre uma etiqueta vintage

9.30.2008

calibrar



ainda às voltas com a calibragem do meu scanner, percebo que o termo na minha vida tem uma aplicação bastante vasta - "separar mecanicamente, por tamanhos, objectos mais ou menos semelhantes.", ou seja organizar.
como uma amiga uma vez desabafou quem lhe dera ter organizado a biblioteca por cores e tamanhos :)

9.29.2008

mãe de muitos




cada ilustração que nasce é um filho, com todas as ambivalências, que isso acarreta, com as dores de um parto, com as alegrias, com tudo, mas há uma coisa que me custa e não é vê-las partir, porque isso é como o ciclo natural da vida, em que em determinado momento temos mesmo de os deixar partir. o que custa no caso das ilustrações é não ter notícias. obrigada a quem me vai falando destes filhos

9.27.2008

quando o coração pede



a tarde estava vazia sem o M. em casa. sentei-me. namorei-os. namorei-os por muitos momentos, como que se chamassem por mim. não resiti. pediram rendas. pediração coração.

tem 16X19 e a única coisa que me deixa triste é não conseguir reproduzir os tons que ele encerra

rotinas



confesso que não sou muito dada a rotinas, basta aquelas a que os deveres nos obrigam, sou de extremos, sinto-me intensa, do mesmo modo que por vezes sinto-me a folha que desliza com uma simples brisa. não sou mais do que qualquer outra pessoa. apenas sou. no entanto há uma rotina que me complementa, sábados em que não posso ir a Estremoz, são sábados incompletos, como se lhes faltasse uma fatia. hoje fui. não sinto a obrigatoriedade de trazer alguma coisa, mas acabo por vir acompanhada. no passeio, relaxo, penso, penso en nós, fortaleço-me. gosto de lá ir.

a primeira foto é uma série cunhada/prensada que se usava como base para as fotografias antigas e que em breve serão ocupadas por ilustrações minhas
>br>
a segunda foto são formas antigas, que eu guardo no imaginário, de crianças à volta de deliciosos bolos

9.26.2008

manias



comecei por coleccioná-los pela beleza que cada um encerra, pelos anos, pelas histórias que o sr. Rui me contava. fui os juntando às minhas ilustrações, que ganharam, ganharam muito.
não só no plano estético, mas ganharam a alma que cada botão trazia com ele. cada um vive nas minhas personagens em perfeita harmonia, como se sempre tivesse sabido que era ali o seu lugar.

fui os juntado. muitos. decidi fazer uma série de 6, com 20 escolhidos um a um com todo o carinho. quem estiver interessado envie-me um mail. obrigada

porque há pessoas assim


pediu-me para não falar dela e respeito isso
deixo.te um poema de Eugénio de Andrade, para ti
"Espera /que a palavra amadureça/ e se desprenda como um fruto/ ao passar o vento que a mereça."
obrigada

9.24.2008

- 2




A minha experiência diz-me que a experiência em alguns casos não serve de nada.
O meu primeiro dente ao contrário do que seria normal caiu de uma forma anti-natura, depois de eu ter surripiado uma flauta a um amigo e de me ter exibido pela casa toda, na mestria da arte de tocar o dito instrumento.
Hoje pergunto-me quando vejo ilustrações do Flautista de Hamelin, e que eu própria ilustrei de olhos fechados como é que isso é possível. Sim, o primeiro dente saltou, depois de eu me ter esbarrado contra a ombreira da porta.
Corajosamente e em frente ao espelho diverti-me sozinha a arrancar, durante a fase da muda, dente a dente.

O primeiro dente do M. teve o impacto que teve, hoje e logo pela manhã a preparar-nos para ir para a escolinha recebo, vindo do outro lado da porta um aviso de alerta.
O segundo estava como se costuma dizer preso por um fio.
Arranquei-lhe, custou-me, tremi, transpirei, chorei. O M. só quis ver o dente porque nunca tinha visto nenhum sem gengiva.

9.22.2008

dos 3 aos ...




A simplicidade e a força do trabalho Alain Grée, o famoso ilustrador francês nascido em 1936, fez com que as suas ilustrações se tornassem uma marca.
As ilustrações têm um cheiro vintage, clássico, simples, mas que não passam de moda.
O M. apaixonou-se por Capucine, que na versão portuguesa é a Farrusquinha, mas eu confesso-me mais ligada a Mirabelle e apaixonadíssima por quase todo o material da Ricobel
Pai de mais de 300 livros, publicados entre os anos 50 e 60 e em mais de 20 línguas, continua a deliciar pequenos e crescidos que gostam de ser pequenos.
O site dá-nos ainda uma lista da obra de Grée com o grau de raridade de cada livro.

"Vamos aprender a conhecer os animais" (versão original) é editada pela europa-américa infantil, em Novembro de 1972, com tradução de Raul Glória

9.21.2008

de beber



Menina, vai à fonte /Com dois púcaros na mão:/Por um dá-me de beber, /Por outro regue-me o coração.

Parecia que estava à espera da chuva para mostrar este púcaro, mas não, ele chegou-me às mãos em dias de gotas.
O livro "Algumas palavras a respeito de púcaros de Portugal", é de 1957 e escrito por Vasconcelos, Carolina Michaeles de.
Um estudo de como os solos portugueses moldam as peças

9.16.2008

retratos de mulheres




O primeiro pertence a uma colecção de três telas que em breve estarão de partida para o Porto,
o segundo à colecção de etiquetas vintage que tenho vindo a fazer e o terceiro é um retarto de 1881 pintado em Paris por Émilie Gerard (ver mais aqui)

9.10.2008

primeiro dia



A escolinha começou e as nossas rotinas alteraram-se. Foi uma manhã estranha, sem o burburinho a que o M. nos habituou diariamente. Eu trabalhei e trabalhei bem mais concentrada, sem uma terceira ou quarta mão a tentar reproduzir o que faço, ou desenho. Eu trabalhei sem interrupções, sem chamamentos, sem fomes, sem mimos. Eu trabalhei com o coração muito vazio.
Os lenços e o saquinho de pão são da década de 70

9.04.2008

cheiro-te



Guardo muitas e muitas memórias de infância, mas cheiros tenho apenas presentes dois. O mais certo é nem sequer corresponderem à realidade como aconteceu quando revisitei a minha escola primária passados quase 20 anos. Era enorme e eu mal me atrevia a cruzar o pátio de uma ponta à outra. Voltei. E a escola voltou também, bem mais pequena, minúscula, em meia dúzia de passadas corri as duas grandes portas exteriores que dividiam as quatro salas. Voltei novamente. Agora para a mostrar ao Manel. De novo fui surpreendida pela escala. O tempo restituiu-lhe a dimensão, ou melhor o tempo em mim fez-me olhar para ela com outros olhos, menos afectivos que naquele primeiro dia.
Mas quanto a cheiros, guardo o de uma agenda, onde a minha mãe rabiscava, aquelas, que ela considerava ser as melhores receitas, e apesar dessa agenda ainda hoje existir prefiro guardar o cheiro da infância.
Já há muito tempo que gostava de ter escrito sobre estes livros, porque são o meu segundo cheiro, mas para mim além do lado afectivo, porque os li e reli tantas vezes, que me imaginei dentro das estórias, não passavam de livros da minha infância, por acaso editados pela Majora.
Mas não me bastava, precisava de mais, hoje sei que foram editados originalmente pela Nutricia Children Books na década de 60 e maravilhosamente ilustrados por Yvonne Perrin, publicados em várias línguas, inclusive em português no final da década de 70, numa série de 20.
E sabe-me bem sentir-lhes o cheiro

9.02.2008

fazer o ninho



Mais do que construir uma casa de pássaros, foi construi-la juntos, foi partilhar conversas, foi assistir ao crescimento dele.
Foi essencialmente criar um abrigo para nós onde os pássaros são bem-vindos
mais imagens aqui

9.01.2008

do que é português



Já escrevi alguns posts sobre empresas portuguesas com mais de um século de existência que continuam a operar, que souberam inovar, que lavaram a cara aos seus produtos, que nos fizeram acreditar que tantas coisas que se produzem em Portugal são de alta qualidade, que nos fizeram voltar o olhar para o que se produzia nos tempos das nossas avós e das nossas mães e perceber a beleza das coisas.
Já escrevi sobre livros, uns com um século, outros com trinta anos, objectos mais ou menos antigos, de artes tradicionais recuperadas, mas tudo com cunho português.
Agora uma empresa recente que se dedica em exclusivo ao fabrico de chocolates e bombons tradicionais utilizando aquilo que a terra nos dá, sobretudo aqui no Alentejo. E é portuguesa

8.31.2008

um post que me apetecia adiar



Gostava de o adiar pelo peso emocional que traz com ele, levamos a vida a preparar-nos para as grandes coisas da vida, que tantas vezes nos esquecemos que a vida é feita de demasiadas coisas pequeninas.
Quando o Manel largou as fraldas senti um gelo dentro de mim, era um sentimento contrário, um misto de alegria e tristeza, de conquista e de perda. Ele estava maior e eu muito mais pequena. O cordão umbilical era de novo cortado, como foi quando o M. foi para a escolinha.
Eu que nunca gostei do primeiro dia de coisa alguma, aos 4 anos, este dia chegou depressa demais, caiu-lhe o primeiro dente e eu não estava preparada. Desabafei com elas, apetecia-me comprar a melhor cola do mundo e voltar a pô-lo no lugar, mas nem isso posso fazer, o M. engoliu o dente.
Resta-nos um desenho para colocar debaixo da almofada e esperar…

8.21.2008

mudanças


porque gosto de desafios e muito de ilustrar aceitei ilustrar uma revista económica, a sair do estirador está a capa de um livro para a Colibri e a ilustração de um novo livro

8.17.2008

numa casa portuguesa


Ainda no século XX era possível encontrar numa sala de aula portuguesa os alunos a escreverem em quadros de ardósia ou xisto negro, o ponteiro ou barra era também de ardósia, mas mais macia, para facilitar a escrita.

Mentocaína “R” dos laboratórios Azevedos (1775), o mais antigo grupo farmacêutico português e Laxobac, um laxante infantil (1946)

8.01.2008

jardins de tela




A pintura que nos acompanha os passos é de catorze artistas nacionais e estranjeiros no âmbito do Programa Gulbenkian Distância e Proximidade. Nas fotos Rosana Paulino (S.Paulo), Wilson Shieh (Hong Kong) e António Sérgio Moreira, (Belo Horizonte)

7.17.2008

companhias



O bom dos livros é que as histórias não se encerram nas páginas, vivê-las para além da imaginação, recriar e poder associar outros elementos que os ajudem a fortalecer e a criar laços é uma tarefa árdua, mas que no fim saímos nós mais fortes.

O livro da avó de Luís Silva editado pela Afrontamento

7.15.2008

jardins móveis





«Todas as crianças nascem artistas, mas a dificuldade está em continuar a sê-lo quando crescem». Muitos são os oradores que usam esta frase de Picasso tentando tornar o lugar escola mais criativo.

Já tinha falado dela e antes que terminasse lá fomos. Conhecia este período a que se designa por Suite Voillard, por ter sido uma encomenda do marchand Ambroise Vollard, mas vê-los de perto tem de facto outro sabor. Dividida em quatro temas, o atelier do artista, o Minotauro, Rembrand e Balzac, tendo em 1937 e a fechar este ciclo a inclusão de alguns retratos de Vollard.
Encontram-se ainda gravuras, água-fortes, que vão até ao fim da década de 60.

Apesar da imponência do nome, fiquei foi deslumbrada com o espaço, que vale a pena voltar a visitar simplesmente pelo prazer de o desfrutar.
Cortinas de água e os fabulosos jardins móveis de Leonel Moura, que permitem a pequenos e a crescidos reorganizar e recriar os seus ambientes, num fabuloso jogo de formas e cores

7.14.2008

de Castro



De arquitectura medieval trecentista, mandado erigir por D. Pedro I, no ano de 1359.
Distingui-se dos outros castelos de cariz militar pelo facto de se encontrar situado em terreno plano mesmo no centro da vila. Propriedade da Casa de Bragança era utilizado por estes por altura das suas deslocações a esta região, tornando-o essencialmente num castelo com função residencial.

Depois de catorze anos fechado reabre ao público de cara lavada, com toques de modernidade e uma exposição de Maria Leal da Costa sob o tema Inês, a visitar até 30 de Setembro

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