7.15.2008

jardins móveis





«Todas as crianças nascem artistas, mas a dificuldade está em continuar a sê-lo quando crescem». Muitos são os oradores que usam esta frase de Picasso tentando tornar o lugar escola mais criativo.

Já tinha falado dela e antes que terminasse lá fomos. Conhecia este período a que se designa por Suite Voillard, por ter sido uma encomenda do marchand Ambroise Vollard, mas vê-los de perto tem de facto outro sabor. Dividida em quatro temas, o atelier do artista, o Minotauro, Rembrand e Balzac, tendo em 1937 e a fechar este ciclo a inclusão de alguns retratos de Vollard.
Encontram-se ainda gravuras, água-fortes, que vão até ao fim da década de 60.

Apesar da imponência do nome, fiquei foi deslumbrada com o espaço, que vale a pena voltar a visitar simplesmente pelo prazer de o desfrutar.
Cortinas de água e os fabulosos jardins móveis de Leonel Moura, que permitem a pequenos e a crescidos reorganizar e recriar os seus ambientes, num fabuloso jogo de formas e cores

7.14.2008

de Castro



De arquitectura medieval trecentista, mandado erigir por D. Pedro I, no ano de 1359.
Distingui-se dos outros castelos de cariz militar pelo facto de se encontrar situado em terreno plano mesmo no centro da vila. Propriedade da Casa de Bragança era utilizado por estes por altura das suas deslocações a esta região, tornando-o essencialmente num castelo com função residencial.

Depois de catorze anos fechado reabre ao público de cara lavada, com toques de modernidade e uma exposição de Maria Leal da Costa sob o tema Inês, a visitar até 30 de Setembro

7.07.2008

«Eu espero»





Há muito tempo que estava numa das minhas infindáveis listas de livros desejados, agora chega-me às mãos pela Bruáa, que em duas publicações promete ser uma editora de referência.

Quando somos pequenos espera-se, espera-se tudo, mas essencialmente espera-se pequenas coisas.
«Eu espero» é um livro de Davide Cali, um dos mais conceituados escritores de livros para a infância, que de uma forma simples narra a história da vida, do nascimento à morte, de pequenos grandes nada ou de grandes pequenos tudo.

Um fio vermelho conduz-nos nesta narrativa acompanhado do traço simples do ilustrador francês Serge Block, que numa entrevista dada à editora brasileira CosacNaify diz isso mesmo «simpler is stronger», uma espécie de ideal da escola Bauhaus «less is more».

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7.04.2008

para uso doméstico




Household scale, feita na Suiça no início dos anos 50 (1953) marcada pelo Design Scale

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7.03.2008

porque é assim



de risos, de choros, de alegrias, tristezas, amores e desamores, de vida e de morte, de tudo um pouco e é também aos poucos que no meio da tua ausência eu vou retomando o trabalho

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7.02.2008

pique-nique



Estávamos no início dos anos 90 quando tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Victor Palla e Bento de Almeida, duas figuras de peso na cultura portuguesa que marcaram a segunda metade do século XX.
Ambos arquitectos, mas de uma intensa e plurifacetada actividade. Integram o movimento Modernista (1922-1938), que ía dando os seus primeiros passos em Portugal.
Partilham um atelier durante 25 anos e o seu trabalho conjunto é projectado à escala de uma nova Cidade.
Pioneiros na concepção e realização de snack-bares, como o «Galeto», na Avenida da República, o «Galão» em Alcântara e o «Pique-Nique», no Rossio, o «Términus», «Noite e Dia».
Estes espaços tornaram-se, nessa época, autênticos ícones para a população lisboeta, forjada nos novos valores modernos e funcionalistas da arquitectura do Estilo Internacional (1948-1961). Espaços estes que associavam a agradabilidade do meio envolvente a refeições rápidas, a baixos preços.

Na foto: azulejo original do «Pique-Nique» oferecido e assinado por Bento de Almeida e na falta de site do Museu Nacional do Azulejo, podemos ir espreitando a sua actividade aqui

6.27.2008

com flores na cabeça



a tentar retomar as encomendas que tinha deixado há um tempo, porque as forças faltaram

obrigada por haver amigos

6.25.2008

a saudade tem a cor dos teus olhos





A Carícia da borboleta é um livro delicioso de Christian Voltz, editado pela Kalandraka (blog).
Delicioso como todos os seus livros pela genial simplicidade do argumento como pelas magníficas ilustrações. É um livro que aborda a temática da morte, sugerindo a ideia de que aqueles que morrem e nos são próximos permanecem sempre, mas sempre junto de nós.
A forma expressiva com que Christian Voltz dá vida às personagens, e neste caso uma apenas a traço, apela a múltiplas leituras, com pequenas nuances.

Porque a morte faz parte da vida e não vale a pena esconder-lhes, um outro livro que já tinha mencionado aqui

O Rapaz Que Aprendeu a Voar, editado pela D. Quixote, com texto de Alexandre Honrado, e ilustrações de José Miguel Ribeiro conta a história de um rapaz que tem saudades do avô, que pensa que este voou para longe, pois era o seu sonho. Um texto marcadamente metafórico, é um convite ao sonho, ao voo. Um elogio à imaginação pois este rapaz aprende que para saber voar tem de se deixar levar pelos sentimentos.

6.19.2008

a árvore das folhas A4





Baseado no livro «A árvore das folhas A-4», de Carles Cano e Carlos Otin, da Kalandraka, que narra a história de uma árvore que na Primavera resolveu vestir-se de folhas A-4, causando algum burburinho na floresta, afastando todos os animais, não todos, os pássaros esses permaneceram e deliciavam-se com as histórias que as folhas contavam entre si.

O workshop será acompanhado de uma árvore tri-dimensional, que representa a personagem desta narrativa. As crianças serão divididas em dois grupos, o pré-primário que vai ilustrar os pássaros que nela habitam e o primeiro ciclo que irá ilustrar as folhas A4. No final os trabalhos serão integrados na própria árvore

Este workshop não só pretende sensibilizar as crianças para o livro enquanto objecto artístico mas também para o importante património natural que a floresta integra, sobretudo no plano ambiental.

mais fotos aqui

6.11.2008

um serão minhoto





Acabada a ceia, juntam-se os vizinhos para o serão. Aconchegados pelo calor da braseira tecem diálogos cruzados. Por aqui renda-se, remenda-se, cose-se ou fia-se. Risos. Risos também de vinho. Chega a hora das rezas, aos santos, aos protectores das sementeiras, aos patronos dos animais. Pede-se. Pede-se muito. Pelos deste mundo e talvez por outros. Uma salve-rainha encerra este ciclo abrindo de novo espaço para risos, ironias, canções de afectos carregadas muitas vezes de grande erotismo.
As horas caem uma a uma, de repente, o silêncio cobre as vozes e cada um lentamente se despede e some na noite fria.

O livro «Cancioneiro Popular Português» de Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça é o resultado de dois anos de intenso trabalho de Giacometti – o qual, ao longo de mais de duas décadas, percorreu o nosso país, de Norte a Sul. Com ilustrações de Manuel Rosa e Hipólito Clemente é uma das mais completas obras do género.
Editado pelo Circulo de Leitores em 1981.

Minho é lançado hoje na livraria Trama pela Serrote (a comprar)

who´s afraid




Inspirado no clássico de Sergei Prokofiev, João Paulo Cotrim e João Fazenda recriam e reinventam Pedro e o Lobo, num magnífico trabalho de colagens bem ao espírito do Construtivismo russo .
Editado pela Assírio e Alvim em 2007, A história secreta de PEDRO E O LOBO, pode ser vista no Auditório Municipal Augusto Cabrita até 31 de Julho.

O desenho do Capuchinho Vermelho e de um outro lobo pertence ao Manel.

6.03.2008

no campo


Com um europeu à porta o grande derbie é sobre quem terá inventado os matrecos a Espanha ou a Alemanha

6.02.2008

E aqui tão perto




A Fundação António Prates em Ponte de Sor acolhe até ao dia 31 de Julho a exposição "Picasso: La La multiplicidad del vértice. Uma exposição organizada pelo MEIAC (Museu Extremenho e Iberoamericano de Arte Contemporânea) que inclui mais de quarenta obras pertencentes à produção gráfica de Picasso, entre 1930 e 1970.
Dentro das obras expostas destacam-se as gravuras da «Suite Vollard», nome associado ao marchand Ambroise Vollard

«Picasso for Vollard» , Harry N. Abrams, Inc., 1956, foi comprado na que podia chamar de «minha livraria».
Comecei a ir à Galileu com três anos levada pela mão da minha mãe ou do irmão mais velho, dois apaixonados por esta coisa que são os livros.
Anos mais tarde e com muitas tardes gastas entre amontoados de livros e de pó, descobri os livros mais deliciosos da minha vida

E porque sabe bem ouvir histórias

«Letra Pequena» uma secção do Público vê agora as escolhas de Rita Pimenta saltar para a net, a escolha desta semana vai para o livro “O Mundo num Segundo” , da Planeta Tangerina

6.01.2008

feira do livro




Com todo o corre, corre que foram as horas passadas na Texto, ou melhor na Leya, a ver amigos, amigos que não via há muito tempo, desconhecidos que se tornaram conhecidos, conhecidos que se tornaram amigos, crianças nossas, crianças dos outros, telefonemas com um desculpa mas não posso ir, desculpa estou atrasado ou ainda aí estás, mimos para mim e para ele, conversas alheias que nos fizeram rir.
E com este corre, corre restou pouco tempo para mim e para uma infindável lista de como agora é trend dizer de wishes. Sim faço listas numa tentativa organizada de o ser ou de me convencer que o sou, ou pelo menos que gostava de o ser.

Os escolhidos foram “coração de mãe”, Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina, porque saltei de Maria-rapaz para uma mãe-galinha.
A casinha de Chocolate” dos irmãos Grimm numa edição reinventada pela editora Kaladraka, com as fabulosas ilustrações de Pablo Auladell
O Rapaz Que Aprendeu a Voar, da D.Quixote, não só pelo texto de Alexandre Honrado, mas pelas ilustrações de José Miguel Ribeiro alguém que ainda gosta de sujar as mãos
Tratado do Esquecimento. De Marina Palácio, Edições Afrontamento, por ser uma espécie de caixa de Pandora

Faltou uma conversa menos fugaz com a Carla, uma ida à Tinta da China, Assírio & Alvim, Guimarães, Porto Editora, Guerra & Paz e à Relógio d’Água e à tenda dos fins de catálogo

5.29.2008

é português



Deixar-nos levar pela voz de Lisa Ekdahl é poder sonhar, é poder voar como uma das carta da Paula. De uma voz tão suave, quase ingénua, mas com todas as exigências do jazz respeitadas, mas recriadas.

Mimos com história, duas empresas portuguesas com certeza e uma obra de Pascal Nordmann num tributo à Viarco

5.28.2008

Para o bebé



Sendo a terceira de três raparigas tive a felicidade, ou não, de herdar bonecas e bonecos, panelas e panelinhas das mais velhas, mas lembro-me de apenas uma, a boneca, sim uma, confesso que me divertia muito mais com uma infindável colecção de miniaturas, jogos de rapazes, desenhos e bichos, muitos bichos, voadores, rastejantes, bichos.

“Para o bebé”, chegou-me às mãos através do Renato que me transportou novamente para esse imaginário.
Poder recordar este e ficar atónita com este.


"Para o Bebé" é um produto da saboaria Confiança, de Braga a trabalhar desde 1894, a par com a famosa Claus do Porto, de 1887, ambas com uma forte aposta revivalista.


E tudo isto para quem hoje é “pequenino

5.27.2008

abraços precisam-se



e estarei para recebê-los aqui (mais a Lara) no dia 31 de Maio, Sábado, pelas 15h00

be it as if i were with you




"Perfumados prados do meu peito, /Colho as vossas folhas, escrevo, para melhor as estudar depois(...) Emblemáticas e caprichosas folhas, deixo-vos pois já não me são úteis,/ Sem rodeios direi o que tenho a dizer,/ Só a mim e aos companheiros hei-de cantar, jamais atenderei outra voz que não a sua,/ Despertarei ecos imortais em todos os estados do meu país,/ Aos amantes darei um exemplo que seja sempre forma e vontade(...)"

Cálamo, Whitman, Walt, capa Ilda David, Assírio & Alvim, 2ª edição Fevereiro de 1993

e porque tinha saudades de te ouvir (programa "Livros com Rumo")

5.25.2008

devagarinho




Aos poucos o corpo vai respondendo, e que o crescimento é isto mesmo aceitar e repensar a vida.
Pensar que já não consigo dar um beijo ao M., sempre que se magoa, porque o beijo não faz passar a dor, esconde-a.

Se estivesses aqui já terias começado a dizer-me “váaaaaa, váaaa” ao jeito de um guardador de gado que incita o animal a andar, não fosses tu “um pobre homem do Minho”

Tapiol (Tavares Pinho & Oliveira) outra marca portuguesa que produzia(uz) objectos em latão, como este fogão do final dos anos 40, com magníficas ilustrações.
Altura 12cm e diâmetro 8cm e "dura-lhe eternamente" mais aqui

5.23.2008

ao homem





A vida pode ser simples, calma, sem sequer termos a pretensão de sabermos tudo e transparente, diáfana, luminosa, apesar da dor e da saudade.
Aprendermos que o tempo é a casa do nascimento e da morte, e que a memória é o princípio para nos ligarmos a alguém. Aprender que ter paciência é passar o tempo a lutar por aquilo que se deseja.
E quando estamos certos de uma casa arrumada, a vida encarrega-se de a desorganizar.

Morte e Nascimento de uma Flor de Elvira Santiago é uma metáfora sobre o crescimento, o amadurecimento e a morte. A excelência do texto literário da autora manifesta-se num discurso de beleza depurada, da simplicidade das palavras. As ilustrações de Joana Quental que retratam o lado optimista da vida, uma ode ao sol em contraponto a Alberto Péssimo que mostra o escuro, as trevas, o lado lunar

como um dia disseste “a mim ninguém me cala”, vamos-nos falando meu amigo

5.22.2008

Torcato Sepúlveda


sei que se estivesses, aqui, agora, me terias abraçado e dirias que nada disto tem importância.
que ficam as boas coisas. vieste-me ver no dia da Liberdade e hoje sou eu que te vou ver. vou-te encontrar com a calma que tu dizias que encontravas quando estavas aqui em casa. a casa que como diz o A. terá sempre um quarto. o teu quarto. o quarto do Torcato.

obrigada por teres sido o amigo, o companheiro, o conselheiro, o padrinho, o critico, o professor, obrigada por me tentares fazer crer que alguns que dizem ser teus amigos não te acarinharam nestes últimos tempos, que não fizeram justiça ao homem.

hoje no público há um comentário que me diz tudo "Sossega camarada, vamos vingar-te!"

obrigada por isto


Rute Reimão: o sol e a noite

Conheci Rute Reimão num jornal, para o qual amigos meus me convidaram. A transferência assemelhava-se a uma tomada de assalto. Rute já lá trabalhava como gráfica e ria alto. Um desses amigos piratas ficou como director gráfico. Quando me exigiram uma coluna semanal de opinião, ele propôs que Rute a ilustrasse. Eu, que a ignorava como criadora (problema meu), gostei da gargalhada e da timidez dela. Aceitei. Rute nada ilustrou. Sempre me obrigou – nesse malfadado semanário; o assalto falhou – a declarar com antecedência a matéria que iria tratar. Mas nunca ilustrou. Inventou sempre, em desenhos agrestes e desordenados, com palavras espalhadas como punhaladas num corpo barbaramente assassinado. A Rute transformava a realidade – ou melhor, a notícia – numa construção fantástica, gótica. Em traços violentos, quase sempre a preto e branco, raramente a cor surgia, Rute transformava a realidade em panfleto para chegar à poesia.Um dia, forneci como tema central da minha crónica o poeta surrealista francês Antonin Artaud. E ela reinventou Artaud. Belo como ele havia sido na realidade;maldito como ele sempre quis ser. Uma iluminação. Rute, agreste, suavizara o traço logo no tema mais violento que lhe propusera. Disse e volto a dizer: Rute não ilustra; Rute refaz um mundo alienado no qual só os desesperados se salvam. Quando o tema é demasiado banal, ela desvia-o pelo humor. Reencontrei-a no diário A Capital. Irónica, guardou paciência para acompanhar as minhas pobres crónicas.Se ainda houvesse grupo surrealista, Rute Reimão seria uma das egérias desses insurrectos da palavra, desses comunistas do génio. É filha do sol ou filha da noite? É filha da sua obra clandestina. Como convém.

5.21.2008

trago-te ao peito


mais aqui

poema a um amigo




(...) E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo. (...)

sei que preferias que escolhesse Camilo, mas nem me atrevo, pelo menos contigo não.
fico-me por Herberto Helder. fica prometido um almoço entre os três. fica prometido dez telas, que ingenuamente considerei serem treze e que tu disseste que deviam ser vinte.
a bungavília, essa, já se encheu de flor e espera por tardes e noites de conversa.

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