5.27.2008

be it as if i were with you




"Perfumados prados do meu peito, /Colho as vossas folhas, escrevo, para melhor as estudar depois(...) Emblemáticas e caprichosas folhas, deixo-vos pois já não me são úteis,/ Sem rodeios direi o que tenho a dizer,/ Só a mim e aos companheiros hei-de cantar, jamais atenderei outra voz que não a sua,/ Despertarei ecos imortais em todos os estados do meu país,/ Aos amantes darei um exemplo que seja sempre forma e vontade(...)"

Cálamo, Whitman, Walt, capa Ilda David, Assírio & Alvim, 2ª edição Fevereiro de 1993

e porque tinha saudades de te ouvir (programa "Livros com Rumo")

5.25.2008

devagarinho




Aos poucos o corpo vai respondendo, e que o crescimento é isto mesmo aceitar e repensar a vida.
Pensar que já não consigo dar um beijo ao M., sempre que se magoa, porque o beijo não faz passar a dor, esconde-a.

Se estivesses aqui já terias começado a dizer-me “váaaaaa, váaaa” ao jeito de um guardador de gado que incita o animal a andar, não fosses tu “um pobre homem do Minho”

Tapiol (Tavares Pinho & Oliveira) outra marca portuguesa que produzia(uz) objectos em latão, como este fogão do final dos anos 40, com magníficas ilustrações.
Altura 12cm e diâmetro 8cm e "dura-lhe eternamente" mais aqui

5.23.2008

ao homem





A vida pode ser simples, calma, sem sequer termos a pretensão de sabermos tudo e transparente, diáfana, luminosa, apesar da dor e da saudade.
Aprendermos que o tempo é a casa do nascimento e da morte, e que a memória é o princípio para nos ligarmos a alguém. Aprender que ter paciência é passar o tempo a lutar por aquilo que se deseja.
E quando estamos certos de uma casa arrumada, a vida encarrega-se de a desorganizar.

Morte e Nascimento de uma Flor de Elvira Santiago é uma metáfora sobre o crescimento, o amadurecimento e a morte. A excelência do texto literário da autora manifesta-se num discurso de beleza depurada, da simplicidade das palavras. As ilustrações de Joana Quental que retratam o lado optimista da vida, uma ode ao sol em contraponto a Alberto Péssimo que mostra o escuro, as trevas, o lado lunar

como um dia disseste “a mim ninguém me cala”, vamos-nos falando meu amigo

5.22.2008

Torcato Sepúlveda


sei que se estivesses, aqui, agora, me terias abraçado e dirias que nada disto tem importância.
que ficam as boas coisas. vieste-me ver no dia da Liberdade e hoje sou eu que te vou ver. vou-te encontrar com a calma que tu dizias que encontravas quando estavas aqui em casa. a casa que como diz o A. terá sempre um quarto. o teu quarto. o quarto do Torcato.

obrigada por teres sido o amigo, o companheiro, o conselheiro, o padrinho, o critico, o professor, obrigada por me tentares fazer crer que alguns que dizem ser teus amigos não te acarinharam nestes últimos tempos, que não fizeram justiça ao homem.

hoje no público há um comentário que me diz tudo "Sossega camarada, vamos vingar-te!"

obrigada por isto


Rute Reimão: o sol e a noite

Conheci Rute Reimão num jornal, para o qual amigos meus me convidaram. A transferência assemelhava-se a uma tomada de assalto. Rute já lá trabalhava como gráfica e ria alto. Um desses amigos piratas ficou como director gráfico. Quando me exigiram uma coluna semanal de opinião, ele propôs que Rute a ilustrasse. Eu, que a ignorava como criadora (problema meu), gostei da gargalhada e da timidez dela. Aceitei. Rute nada ilustrou. Sempre me obrigou – nesse malfadado semanário; o assalto falhou – a declarar com antecedência a matéria que iria tratar. Mas nunca ilustrou. Inventou sempre, em desenhos agrestes e desordenados, com palavras espalhadas como punhaladas num corpo barbaramente assassinado. A Rute transformava a realidade – ou melhor, a notícia – numa construção fantástica, gótica. Em traços violentos, quase sempre a preto e branco, raramente a cor surgia, Rute transformava a realidade em panfleto para chegar à poesia.Um dia, forneci como tema central da minha crónica o poeta surrealista francês Antonin Artaud. E ela reinventou Artaud. Belo como ele havia sido na realidade;maldito como ele sempre quis ser. Uma iluminação. Rute, agreste, suavizara o traço logo no tema mais violento que lhe propusera. Disse e volto a dizer: Rute não ilustra; Rute refaz um mundo alienado no qual só os desesperados se salvam. Quando o tema é demasiado banal, ela desvia-o pelo humor. Reencontrei-a no diário A Capital. Irónica, guardou paciência para acompanhar as minhas pobres crónicas.Se ainda houvesse grupo surrealista, Rute Reimão seria uma das egérias desses insurrectos da palavra, desses comunistas do génio. É filha do sol ou filha da noite? É filha da sua obra clandestina. Como convém.

5.21.2008

trago-te ao peito


mais aqui

poema a um amigo




(...) E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo. (...)

sei que preferias que escolhesse Camilo, mas nem me atrevo, pelo menos contigo não.
fico-me por Herberto Helder. fica prometido um almoço entre os três. fica prometido dez telas, que ingenuamente considerei serem treze e que tu disseste que deviam ser vinte.
a bungavília, essa, já se encheu de flor e espera por tardes e noites de conversa.

5.15.2008

de Aquilino





Como acontece com o Livro de Marianinha escrito em 1962 e dedicado à neta, História do Coelho Pardinho que ficou sem rabo, publicado em 1936, dentro da obra “Arca de Noé, III Classe”, é inspirado pelo segundo filho de Aquilino Ribeiro e originalmente ilustrado por Jorge de Matos Chaves.

“Arca de Noé, III Classe”, é um conjunto de seis histórias que se reporta a toda a bicharada plebeia que embarca e aceita Noé como amo.
História do Coelho Pardinho que ficou sem rabo conta de uma forma divertida e imaginosa o porquê dos coelhos não terem cauda.

Reeditada pela Livraria Bertrand em 1962 e agora com ilustrações de Luís Filipe de Abreu, com a particularidade de levar o sinete do autor, uma águia desenhado por Leal da Câmara
e trabalhado pelo Mestre Arnaldo Malho, de quem Aquilino escreveu, fazia renda com o ferro.

História do Coelho Pardinho que ficou sem rabo, RIBEIRO, Aquilino, 1962, parte integrante da obra Arca de Noé, III Classe, págs 55 a 79 (versão original) ilustrações de Luis Filipe de Abreu e impresso por Impressa Portugal-Brasil para Livraria Bertrand

livros para folhear e comprar lookybook

5.08.2008

O mar é o nosso campo




A mulher da beira-mar, das horas de angústia, de dias de farta e outros de indigência, de indumentária de trabalho e canastra à cabeça. Filhos que as acompanham, que aprendem o passo, o modo de caminhar.


E eu com saudades do meu mar

A foto da peixeira com a rodilha na cabeça de Aurélio Carneiro é dedicada à Saloia a menina das rodilhas

Onde encontrar As mulheres do meu país
A visitar museu do traje

5.07.2008

mulheres-mães




Maria Lamas inicia em 1947, a viagem por um Portugal ditatorial, e que pelo pormenor e realismo com que a autora escreve resultaria em três volumes fantásticos de escrita e fotografia, publicados entre Maio de 1948 e 15 de Abril de 1950, pela recém-criada Actuális, Lda.

Mulheres de norte a sul. Mulheres-camponesas, mulheres-operárias, mulheres-mães, mulheres-intelectuais, mulheres-artistas, mulheres-domésticas “com os seus trajes, os seus rostos marcados pelas agruras de um
trabalho pesado e pela falta de condições de vida. (...) fala-nos da vida das mulheres não só da sua resistência, mas da sua combatividade.”

reedição LAMAS, Maria, As mulheres do meu país, Lisboa, Caminho, Setembro de 2002

5.06.2008

leituras




Duas vezes por semana deslocamo-nos a Beja, o que significa para uns trabalho, para outros significa dois dias de descanso (ou talvez não).
Sou arrastada literalmente para a Biblioteca que de todas as ofertas é a preferida do Manel. Significa ficar horas mergulhada em livros, histórias, jogos e desenhos. Significa comprar pelo menos mais um livro.
E ao cair da noite poder comer e repousar na Galeria do Desassossego.

Orelhas de Borboleta, da editora kalandraka, retrata a intolerância que por vezes caracteriza o comportamento infantil. Mara, a menina da história de uma forma original e até mesmo poética descobre como lidar com as diferenças. As ilustrações do brasileiro André Neves acentuam e exploram a dimensão metafórica do texto de Luisa Aguilar.
Poder ler que a Mara não tem uma meia rota, mas sim dedos curiosos é aprendermos o significado de tolerância perante a diferença, valorizando-a.

5.02.2008

postal música



Em Portugal, o Dia da Mãe foi decretado oficial em 1936, celebrando-se a 8 de Dezembro, Dia de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal. Na década de 80 passou a ser festejado no 4.º Domingo de Maio e, em 1986, a data fixou-se no 1.º Domingo de Maio. in O Livro das Festas de Isabel Lamas (ISBN - 972-766-282-X)

Postal-música, produzido por Ernst Kurt Schmidt, Hamburgo para Edição RAN Lisboa, com letra de Zita Campos, música de Almeida Nunes e com interpretação de Gina Maria, na década de 70.
Molde em ferro para mosaico hidraulico de Lúcio Zagalo, autor do mosaico que serve de fundo ao postal-música e ainda deste.

4.30.2008

A vida nocturna das árvores





Folhear “The night life of trees” é mergulhar na imaginação, uma espécie de livro-tela, primorosamente desenhado, onde até o cheiro das páginas se torna inebriante.
Recriado por Ram Singh Urveti, Bhajju Shyam e Durga Bai, três dos melhores artistas vivos na tradição Gond, “The night life of trees” é sem dúvida uma homenagem à imponência das mesmas acompanhada de uma narrativa poética ou de um mito.
Os Gonds são tradicionalmente os moradores da floresta, e acreditam que as árvores trabalham arduamente durante o dia, fornecendo abrigo e alimento a todos os seres vivos, mas ao cair da noite, quando o céu escuro se torna um abrigo, os espíritos que nelas vivem revelam-se.

Foi o livro premiado com o 2008 Bologna Ragazzi Award, publicado pela Tara Publishing
229X330, 40p, cor, impresso manualmente na Índia
Edição numerada
ISBN 978-81-86211-92-2

4.27.2008

1001 noites



Longe do bulício e com o devido distanciamento voltamos a mergulhar nas fabulosas ilustrações que vivem na imaginação de 40 ilustradores iranianos.
Fortemente marcada por uma rica herança cultural, o país das 1001 noites deixa-nos nesta exposição o exotismo e a riqueza cromática destas paragens aliada a uma forte contemporaneidade. Voltei, enamorada, pela obra de quatro mulheres, tal como o sultão Shahryar se encantou pelas histórias de Scherazade.

Atyeh Bozorg Sohrabi, Neda Azimi, Marjan Farmani (na foto) e Afra Nobahar

4.24.2008

abraços




e silêncios partilhados. amanhã conseguirei finalmente ver 1001 noites. e fica alguma pena de não poder ir ver esta.

4.18.2008

e ainda de mães


à semelhança de ontem este é para oferecer a quem me tem visitado por mail ou aqui no blog e não tem conta no flickr. Basta para isso enviar-me um mail
ansiosamente à espera

4.17.2008

aos olhos deles



Quando se é pequeno e sem uma conscencialização disso sabemos que as mães estão sempre presentes. Presentes sobretudo na dor. Mais tarde e já com uma mãe não presente achava que ela nunca tinha estado doente, pelo menos a memória não me permitia lembrá-lo.
Hoje Mãe, sei que não é assim. Que ficamos doentes. Mas ficamos doentes para dentro, tristes para dentro e que por eles somos capazes de tudo

4.14.2008

botões com casa


Esta paixão por botões antigos começou quando vim viver para o Alentejo e entrei pela primeira vez numa antiga venda , - a venda do sr. Rui.
Era um espaço magnífico, onde o sonhar era uma constante. Cada caixa escondia segredos, pensava eu. De certo modo talvez escondam, porque seis anos depois, sempre que lá vou, sinto um frio na barriga cada vez que abro uma.

4.13.2008

a carvão




Inaugurada em 1925 a Oliva foi uma das mais importantes fábricas portuguesas, essencialmente a partir da fundação da fábrica de costura em 1948, tendo se tornado uma das principais concorrentes da Singer.
A Alba constituída em 1921 por Augusto Martins Pereira tornou-se a mais moderna metalurgia da época e um logotipo com quase 100 anos de história que se mantém fiel a si próprio

pequena história do ferro de passar

4.10.2008

contar pelos dedos



O Sabichão era um dos jogos produzidos nos anos 70, que mais me deliciava com todas aquelas perguntas sobre a portugalidade. Para ser franca, acho que era mais o ritual de o boneco a girar em cima do espelho, que fazia a delicia de quem era pequenino.
Este tabuleiro é o de aritmética e tem encantado o M. nos últimos dias

A majora continua a produção deste jogo, com um Merlin à mistura, numa versão menos bonita, com menos qualidade do que é português

3.30.2008

Contos tradicionais portugueses



Sempre que posso aos sábados de manhã, rumo à feira de Estremoz.
Gosto das cores, dos cheiros, das gentes. Uma feira que mistura o típico mercado de coisas da terra com o de velharias.
Digo sempre que só lá vou passear, mas confesso que espero sempre encontrar um mimo que me preencha mais um pouco.
Gosto do sabor do regresso com as mãos mais ou menos cheias. Gosto do prazer do olhar, do toque e depois do saber. Do saber mais.

Contos Tradicionais Portugueses é um livro datado de 1906, escrito por Anna de Castro Osório (1872-1935), considerada a fundadora da literatura infantil em Portugal, com ilustrações de Rachel Gameiro (1889-1970), Hebe Gonçalves e editado pela Livraria Editora “Para as crianças”, Setúbal.
Ilustrações muito influenciadas pela Arte Nova e pelo pai o aguarelista Alfredo Roque Gameiro

Mais fotos

3.28.2008

já nos cansa esta lonjura



janeiras fora d'horas e o sempre delicioso trabalho da Joana

ainda sobre a quadra ilustrações de Laura Costa e um blog (anos 30/60)


3.27.2008

menina bonita do meu coração


Lengalengas, travalínguas, toadilhas, são pela sua riqueza semântica e fonética um dos maiores desafios da nossa língua.
Os nossos últimos sonos têm sido acompanhados pelo livro da Marianinha e por outro de lengalengas. A necessidade de serem lidos-ditos depressa dada a sucessão de sons leva o M. a rir à gargalhada. Este riquíssimo património nascido da oralidade que faz sorrisos de criança. E que a nós gente grande nos deixa de coração quente e como diria Maria Keil numa entrevista "tão bonita aquela linguagem"
a ler ainda um ensaio sobre o universo das rimas de Vera Vouga e um livro a comprar

3.25.2008

small bird



se nos pudessemos vestir dos tecidos da primavera

tela 15X15 not available

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...