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7.09.2015

quero um abraço



a Orfeu Negro sob a chancela Orfeu Mini tem sido uma das editoras a que é impossível resistir quando edita um livro, seja original ou traduzido como é o caso de Quero Um Abraço da italiana Simona Ciraolo.

o Filipe, um pequeno e solitário cacto descendia de uma família antiga e ilustre, que gostava de parecer bem e que era sempre muito certinha.



ao contrário da família de Filipe a nossa é uma família de abraços e de poucos beijos.
os abraços são mais físicos e mais sentidos do que os beijos.

vulgarmente as pessoas despedem-se com um abraço como um cumprimento cordial, mas eu não falo do abraço da "pancadinha nas costas", mas sim daqueles que damos para dizer o quanto GOSTO DE TI, seja ele a um filho, a um familiar ou a um amigo.

abraçar é quase um virar do avesso, é preciso um à vontade, e um carinho imenso. abraçar é um acto intenso de quem quer mostrar esse amor pelo outro, ao contrário do beijo que se torna fácil.

os beijos podem ser traiçoeiros. Cristo foi traído com um beijo. às crianças pede-se que dêem um beijinho e como eu não gosto de inhos, fico-me pelos beijos.

um dia, o Filipe conheceu um novo amigo. corajoso, confiante...
mas incapaz de resistir aos seus abraços.

não é um caminho fácil para Filipe que aos poucos aprende a gostar de estar sozinho.


fechando-se na sua casa e em si próprio.

até que um dia a sua solidão cruza-se com outra solidão e percebemos que existem pessoas especiais a quem os abraços fazem sentido.

sim, já estou cheia de saudades dos teus braços

este texto é dedicado ao José a propósito de uma conversa que tivemos há dias e ao Manuel o menino que é por si um abraço.

6.30.2015

26 anos de ti

dizer-se capaz de fazer tudo por um filho é quase uma lei natural, mas a verdade é que sinto o mesmo em relação às minhas sobrinhas, com o meu sobrinho é diferente porque está quase na categoria de irmão, e abraça-lo soa mais a um pedido de colo meu...

esta menina-mulher faz hoje 26 anos e foi sempre uma verdadeira companheira, sempre de sorriso rasgado mesmo quando o cansaço aos 8 anos a fez adormecer à mesa com um pedaço de comida na boca, pregando-me um dos maiores sustos da vida porque era a primeira vez que a levava para fora do país, e bem longe dos pais...

Amores de Família, de Carla Maia de Almeida e Marta Monteiro, é o livro escolhido para te dizer o quanto gosto de ti

a Mãe Vesta... não usa relógio, tem tempo para fazer tudo, até xaropes à base de catos...

sim, por não usar relógio não há dramas com as horas. gozamos os almoços e os jantares, partimos à descoberta de novas coisas e de novos sabores a todo o instante...

...e arriscamos

talvez um dia destes os catos também entrem nos nossos menus

Mãe Vénus... é uma família de acolhimento; isto é, uma família onde o amor não é ciumento nem avarento.

como nos revejo aqui... se eu posso, posso, se tu podes, podes, se não, haverá muitos outros dias, mas estaremos sempre juntas.

Quanto está irritada, começa a arrumar a casa para se acalmar, como uma espécie de meditação em movimento.

sim e há quem vá por arrasto...

Mãe Minerva...com ela, (...) sabem que nunca hão de encontrar comida de plástico na mochila. E gosta de trabalhar à noite...

se me pedisse hoje para refazermos o menu para uma nova festa já teria sininhos a ecoar dentro de mim.

Mãe Juno... sonha levar toda a família numa viagem pela Via Láctea, onde as motos e os triciclos não pagam portagem.

e um dia destes cumpriremos o sonho de uma grande viagem

Mãe Ceres é mãe e pai ao mesmo tempo. O que nada tem de estranho, quando se nasce numa família com muitos irmãos a precisarem de atenção. É isso que a Mãe Ceres mais gosta de fazer: cuidar...

sim e dou tudo por vocês...

26 anos de ti, princesa linda


e um livro para não sair da mesa de cabeceira

4.29.2015

alimento para a boca e para a alma

e provavelmente dois post em um...

Não há dois iguais é o mais recente trabalho da Catarina Sobral. tenho por esta miúda uma admiração muito particular, porque para além do seu sentido estético é a capacidade inteligente com que aborda os seus livros e interpreta os dos outros.

editado pela Kalandraka e com a assinatura de Javier Sobrino, este livro reserva o seu desfecho na última página, na última palavra.

e se somos surpreendidos com o seu desfecho, também podemos dizer que ao longo das suas páginas somos invadidos pelos afetos, nas mais diversas situações.

e nos mais diversos lugares...




Não há dois iguais é um livro povoado de frases enigmáticas, capaz de nos prender da primeira à última letra e pondo à prova o nosso grau afetivo.


depois de descoberto este segredo fechado num tríptico, resta-nos repetir muitas e muitas vezes...



sabendo que não há dois iguais.

e mais duas coisas de que gosto


os rebentos de alho francês e de beterraba de cultura biológica da Cogumelos Cultivados, e que são um bom complemento para as saladas.

e estas (quatro) taças magníficas da antiga SECLA e encontradas numa das minhas lojas favoritas, dentro da Mouraria, A Loja.

eu conhecia umas taças da SECLA, mas numa escala maior, quase em versão saladeira, mas estas encantaram-me pelo seu design e pela sua ergonomia.

são muito orgânicas deixando-se envolver pelas minhas mãos.

a presença de uma assinatura no fundo da taça leva-me a pensar numa alguma encomenda que a fábrica pode ter tido e se alguém souber a história delas peço-lhe que me conte.

e podia ainda dizer não há duas iguais

SECLA e Bordallo Pinheiro




10.30.2013

Elisabeth Ivanovsky




A propósito de um trabalho que o M. andou a fazer para a disciplina de Português, revisitámos alguns livros antigos. No decorrer da “pena”, dele, eu fiquei a namorar as ilustrações de Elisabeth Ivanovsky.

Elisavieta Andreevna Ivanovskaia nasce em 1910, na Moldávia, Rússia e aos 18 anos forma-se em desenho, pintura, gravura, figurino e cenografia. Em 1932 muda-se para a Bélgica e inicia o seu percurso na ilustração para a infância com Joris Minne, mantendo-se ligada ao teatro e ao desenho de figurinos com o escritor e dramaturgo Herman Teirlinck.

Ivanovsky colaborou com inúmeros escritores franceses e flamengos. Bestiaire des Songes, 1943, foi uma parceria com o escritor e marido René Meurant.

Entre 1940 e 1950 Ivanovsky e Meurant criaram uma série de livros de bolso para a editora belga Èditions des Artistes. (novamente reeditados)
Mas é a partir de 1937 que Ivanovsky começa uma longa e frutuosa colaboração com Marcelle Verité. Duas notáveis mulheres da literatura infantil trabalham juntas quase 50 anos, sendo o seu último livro lançado em 1985, Lili ladybug.

Magníficos são também os 23 álbuns da coleção Tip Tip série (1967-1970), sendo a sua última colaboração com a editora belga Desclée de Brouwer.

Cá em casa andamos deliciados com “Contos do Sol”  e “Contos da Floresta” editados pela Verbo infantil em 1967 e 1968 respetivamente.

Vale a pena seguir a página da autora no FB

10.18.2013

Tolstoi e Pakhomov


 


Contos para Crianças de Leão Tolstoi (1828-1910) é um livro que reúne os melhores contos infantis deste grande escritor russo e ilustrado pelo pintor A. Pakhomov. Edições Ráduga, Moscovo, 1984.


Alexey Fedorovich Pakhomov (1900-1973), pintor da vanguarda russa, mestre em litografia e um excelente artista gráfico. Em 1915 a pedido de Zubov, ex-ator e um apaixonado pela arte, o jovem artista vai estudar para Petrogrado, hoje São Petersburgo.

A Revolução Russa (Revolução de Outubro) ocorrida em 1917 marca um ponto de viragem em diferentes áreas. Muitos são os russos que fogem para o México, privando com artistas de renome como Diego Rivera e Frida Kahlo.

Em 1919 nasce na Rússia um movimento estético-político que ficou designado por Construtivismo Russo. Uma arte que servia objetivos sociais. A construção de um mundo socialista, com igualdade de oportunidades.  Nessa altura dá-se uma fusão de duas escolas, a escola de pintura, escultura e arquitetura em Moscou Stroganov,  e a escola de artes aplicadas. Estas eram o centro de três grandes movimentos de vanguarda na arte e arquitetura: o construtivismo, o racionalismo e o suprematismo. Nasce assim a escola de Vkutemas, tendo como seu fundador Lénin. Uma escola que tinha como principal objetivo preparar artistas para o setor industrial.
De entre os seus professores destaca-se Lebedev, que marca o seu percurso na ilustração infantil, a que se dedica a partir de 1925, conferindo-lhe uma nova dinâmica, associando a imagem ao lettering.

As figuras humanas a grafite têm uma força e uma doçura que não consigo encontrar no desenho dos animais.

Por agora andamos de volta do traço. Dos sentimentos que transportam.
Um dia destes partilhamos um conto.

O que o M. já viu. O Centro Cultural de Cascais acabou o ano (2012) com a exposição “Vanguardas Russas

10.17.2013

admirável mundo de aldous huxley








Os dois corvos (The crows of Pearblossom) é a única história infantil escrita pelo romancista Aldous Huxley (1894-1963). Escrito para Olivia de Haulleville, sobrinha, que passava grandes temporadas com o casal Huxley na sua casa em Llanon, no deserto da Califórnia.
Olivia muda-se com os pais para Pearblossom e é onde a família se junta por alturas do Natal. É em 1944, num desses natais, que Huxley escreve esta história, e que durante anos ficou esquecida. Nessa altura Olivia pede-lhe que ele a ilustre e uma das duas cópias, a de Olivia, acaba por perder-se num incêndio que destruiu a casa do escritor.
Só em 1967 e já depois da sua morte em 63, é que é publicada. A segunda cópia entregue a uns vizinhos de Olivia ainda resistia ao tempo.

Publicada originalmente pela Random House, Inc com ilustrações de Barbara Cooney conta-nos a história do Sr. e da Sra. Corvo cujos ovos nunca chegam a eclodir porque uma cascavel, com quem partilham a árvore, come-os. Após 297 fracassos, os dois corvos são ajudados por um mocho que disfarça uma pedra com lama, conferindo-lhe a textura de um ovo. Dois ovos são colocados no ninho e mais uma vez a cascavel engole-os. A dor lancinante provocada pelas pedras leva-a a contorcer-se de tal forma que fica presa a um ramo.
Depois disso a Senhora Corvo chocou mais quatro famílias de dezassete crianças e usa a cobra como estendal onde pendura a roupa dos pequeninos.


A primeira edição tem as deslumbrantes ilustrações a preto-e-branco e verde de Barbara Cooney (1917-2000). Cá em casa mora uma outra edição. Esta, da D. Quixote, com as fabulosas ilustrações de Beatrice Alemagna. Sim e a primeira edição está na minha wishlist

10.04.2013

o mais certo é sermos feitos dos cheiros que a nossa memória guarda

o mais certo é sermos feitos dos cheiros que a nossa memória guarda.
sem me aperceber muito bem como, sei que guardo recordações associadas a cheiros. da ninha infância há estes livros que consegui recuperar, e que, hoje, ainda lhes sinto o cheiro. em boa verdade já não têm cheiro nenhum, mas dentro de mim é de tal forma intenso e presente, que é impossível olhar para eles e não o sentir.
no último ano letivo ao entrar numa escola - e foram muitas -, senti o cheiro da minha. por alguns instantes senti a necessidade de ficar ali sozinha e recuar no tempo.
nem todos os cheiros estão associados a momentos felizes. a morte da minha mãe veio se ser anunciada. foi cedo, demasiado cedo. e eu esqueci. esqueci o dia. o tempo era este. morno. com as primeiras chuvas a fazerem-se sentir. sinto o cheiro da relva. da água que corria em cascata. nesse dia senti uma calma que mais tarde e inevitavelmente se transformaria em dor.
os lanches eram sempre com a casa cheia de miúdos. o cheiro era tão presente. as panquecas eram grandes. o estômago ficava reconfortado com a primeira. a segunda era gula. hoje faço-as pequenas para perdurar o prazer. o mais certo é sermos feitos dos cheiros que a nossa memória guarda.

o blog da BOCA, palavras que alimentam, vai apresentar no Porto, dia 6, o primeiro audiolivro com 35 contos dos irmãos Grimm. A apresentação insere-se nas festas de outono da Fundação Serralves. cá em casa vamos esperar pelo dia 26 em Lisboa na lindíssima Biblioteca de São Lázaro, a biblioteca que guarda a maior coleção de literatura infantil.

1.26.2012

para onde vamos





















"Para onde vamos quando desaparecemos" é um livro que nos fala muito além da ausência, da morte, da perda ou da falta. Fala-nos daquilo que a vida é, cheia de grandes e pequenas coisas.Cheia de tudo e de nada.

(...) "De quem fica, quase sempre se diz
que fica de mãos vazias.
Mas a verdade é que quem parte
lhe deixa sempre um monte de perguntas."(...)

"felizmente
(ou infelizmente, sei lá)
não somos os únicos
a desaparecer." (...)

O que dizer do sol, das nuvens, das folhas, da meia que não encontramos o par, do areal que desapareceu e de outra praia que se formou.

"Nada dura para sempre (...)
Melhor do que nada...
O nada é um sítio demasiado vazio
para alguém lá estar.
E se formos lá parar,
deixará de ser o nada em menos de nada."

A verdade é que não sabemos lidar com a morte, com a falta, com a ausência, por muito que digamos que é a lei natural da vida. Eu não quero pensar que vivo, que trabalho, que crio, que me esforço, que sofro, que choro, que rio, para um dia tudo acabar.
Acho que o problema não é sabermos lidar com a morte e aprender a aceitar que faz parte da vida. O problema é que não aprendemos a viver.

Nada melhor que um elogio à vida, a boneca da Rosa Pomar (nº 157). 

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