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7.09.2015

quero um abraço



a Orfeu Negro sob a chancela Orfeu Mini tem sido uma das editoras a que é impossível resistir quando edita um livro, seja original ou traduzido como é o caso de Quero Um Abraço da italiana Simona Ciraolo.

o Filipe, um pequeno e solitário cacto descendia de uma família antiga e ilustre, que gostava de parecer bem e que era sempre muito certinha.



ao contrário da família de Filipe a nossa é uma família de abraços e de poucos beijos.
os abraços são mais físicos e mais sentidos do que os beijos.

vulgarmente as pessoas despedem-se com um abraço como um cumprimento cordial, mas eu não falo do abraço da "pancadinha nas costas", mas sim daqueles que damos para dizer o quanto GOSTO DE TI, seja ele a um filho, a um familiar ou a um amigo.

abraçar é quase um virar do avesso, é preciso um à vontade, e um carinho imenso. abraçar é um acto intenso de quem quer mostrar esse amor pelo outro, ao contrário do beijo que se torna fácil.

os beijos podem ser traiçoeiros. Cristo foi traído com um beijo. às crianças pede-se que dêem um beijinho e como eu não gosto de inhos, fico-me pelos beijos.

um dia, o Filipe conheceu um novo amigo. corajoso, confiante...
mas incapaz de resistir aos seus abraços.

não é um caminho fácil para Filipe que aos poucos aprende a gostar de estar sozinho.


fechando-se na sua casa e em si próprio.

até que um dia a sua solidão cruza-se com outra solidão e percebemos que existem pessoas especiais a quem os abraços fazem sentido.

sim, já estou cheia de saudades dos teus braços

este texto é dedicado ao José a propósito de uma conversa que tivemos há dias e ao Manuel o menino que é por si um abraço.

10.18.2013

Tolstoi e Pakhomov


 


Contos para Crianças de Leão Tolstoi (1828-1910) é um livro que reúne os melhores contos infantis deste grande escritor russo e ilustrado pelo pintor A. Pakhomov. Edições Ráduga, Moscovo, 1984.


Alexey Fedorovich Pakhomov (1900-1973), pintor da vanguarda russa, mestre em litografia e um excelente artista gráfico. Em 1915 a pedido de Zubov, ex-ator e um apaixonado pela arte, o jovem artista vai estudar para Petrogrado, hoje São Petersburgo.

A Revolução Russa (Revolução de Outubro) ocorrida em 1917 marca um ponto de viragem em diferentes áreas. Muitos são os russos que fogem para o México, privando com artistas de renome como Diego Rivera e Frida Kahlo.

Em 1919 nasce na Rússia um movimento estético-político que ficou designado por Construtivismo Russo. Uma arte que servia objetivos sociais. A construção de um mundo socialista, com igualdade de oportunidades.  Nessa altura dá-se uma fusão de duas escolas, a escola de pintura, escultura e arquitetura em Moscou Stroganov,  e a escola de artes aplicadas. Estas eram o centro de três grandes movimentos de vanguarda na arte e arquitetura: o construtivismo, o racionalismo e o suprematismo. Nasce assim a escola de Vkutemas, tendo como seu fundador Lénin. Uma escola que tinha como principal objetivo preparar artistas para o setor industrial.
De entre os seus professores destaca-se Lebedev, que marca o seu percurso na ilustração infantil, a que se dedica a partir de 1925, conferindo-lhe uma nova dinâmica, associando a imagem ao lettering.

As figuras humanas a grafite têm uma força e uma doçura que não consigo encontrar no desenho dos animais.

Por agora andamos de volta do traço. Dos sentimentos que transportam.
Um dia destes partilhamos um conto.

O que o M. já viu. O Centro Cultural de Cascais acabou o ano (2012) com a exposição “Vanguardas Russas

2.10.2012

saborear






Para quem me segue de perto, sabe que entre muitas coisas que vou mostrando tanto no blog, como no flickr, escrevo há um ano uma página semanal para o DA com dicas para os mais pequenos.
Confesso que dou por mim a pensar se a página não estará mais virada para os pais, educadores ou simples curiosos. Escrever para crianças, não é pêra fácil. E o processo das escolhas também não fica atrás.
Entre dicas e jogos, surge sempre um livro, que gera em mim alguma angustia.
A primeira e mais relevante é a qualidade do livro, se é ou não novidade, confesso que não tem sido critério, embora torne a escolha mais fácil.
A verdade é que se traduz num arrombo orçamental, sim porque os livros que são sugeridos fazem parte e ainda bem da minha biblioteca pessoal, só porque não sei pedinchar às editoras.

Mas esta conversa é essencialmente para sugerir um livro que apesar de já ter saído no DA há bastante tempo, só agora me permiti saboreá-lo com o devido valor.

“Esqueci-me como se chama" do escritor russo Daniil Harms, nascido em 1905, considerado um dos grandes escritores e dramaturgos da história da literatura russa, morreu de fome, esquecido, aos trinta e sete anos numa prisão de Leninegrado. 
Pertence à última geração dos grandes vanguardistas russos que ainda ousaram exprimir-se com liberdade e ironia. Os seus manuscritos foram recuperados de entre os destroços da casa bombardeada, durante o cerco nazi a Leninegrado. 

“Estou interessado apenas no nonsense. Só naquilo que não tem qualquer sentido prático. Estou interessado na vida apenas na sua manifestação absurda”, afirmou Harms.

A verdade é que voltou a ser o "nosso" livro de mesa de cabeceira e garanto-vos que apesar de querer que o Manel adormeça é impossível não soltar umas boas gargalhadas e deliciarmos-nos com as histórias. Aos meus amigos aconselho que comprem mesmo que não haja uma criança por perto.

Com ilustrações de Gonçalo Viana e editado pela Bruáa. O vídeo é do lançamento do livro na livraria Cabeçudos e pelas expressões percebem que vale mesmo a pena ler.



Traduzido, a Assírio tem "A Velha e Outras Histórias"
"Crónicas da Razão Louca" da Hiena Editora.

2.26.2010

de volta



De volta da Póvoa e com muita pena de não me ter sido possível ficar até sábado, fica-me uma frase do Manuel Alberto Valente, - "que a Póvoa é um lugar de (re)encontros".

E assim foi , estar com amigos que a distância se encarrega de separar, mas que lugares como este, os tornam de novo tão perto.

Foi igualmente bom conhecer algumas pessoas que me acompanham à distância, nesta paixão que é o meu trabalho.

Quanto ao livro, e apesar de nunca o ter mencionado, foi um prazer redobrado, voltar a trabalhar com o Pedro depois de tantos anos. Foi em 1994 quando nos cruzámos pela primeira vez na redacção do jornal Semanário, quase meninos. Amigos e cumplicidades típicas do meio conferiram a este livro a intensidade que tem. O João Manuel Ribeiro descreve-o bem.

Por último e sabendo que algumas pessoas têm procurado o livro, sem o encontrar, devendo-se aos trâmites da distribuição, mas e para quem não quer esperar pode fazê-lo online enviando-me um mail com uma surpresa acrescida.

as fotos tem os direitos reservados e pertencem à CM da Póvoa, e para quem quiser pode acompanhar mais momentos aqui

1.18.2010

de agasalhar



"O Inverno é o tempo já velho" é o título de um livro de Maria Isabel César e ilustrado por Maria Keil

Na tentativa de aquecermos o coração, agasalhamos primeiro o corpo e é com pena que vemos estes cobertores se perderem no tempo.

A produção dos cobertores de papa, fabricados com lã churra de ovelha, remonta ao reinado de D. Sancho II.
Mas é no reinado de D. José (1758), com o Marquês de Pombal, que se sente um impulso nesta indústria sobretudo na zona da Covilhã e da Guarda.
No início do século XX podiam-se contar 9 teares dedicados ao fabrico de cobertores de papa na zona de Maçainhas, mas entre 1930-32 uma forte crise resultou na falência de grande parte destes teares, no entanto um novo impulso surge no fim da década de 30 tendo o seu expoente máximo nos anos de 1942 e 43, chegando a haver 35 teares.
Infelizmente hoje conta-se apenas um.

Também conhecido por cobertor de pêlo, ou manta lobeira, fabricado numa lã macia de ovelhas que também estão em extinção, podendo ser produzido numa só cor (branco, verde, vermelho), com a cor “barrenta” (branco e castanho), bordado a azul, verde e vermelho (Minho e Norte do País) ou fabricado com tiras coloridas de castanho, amarelo, verde e vermelho.

Este cobertor mede cerca 1,70X2,40 e pesa em média 3 kg. Havia tanto para dizer deles nomeadamente o processo de fabrico.

in “O Fio da Memória, número 12” de Maria do Céu Baía Oliveira Reis editado em 2003 pelo Município da Guarda

7.29.2009

outras correntes





dentro de mim há um cheiro a mar distante. forte. que há tanto tempo se impregnou. por não te ver, invento-te. como ele te inventa.


"histórias do barco da velha", ruma a bom porto

5.15.2009

de amores




Não gosto de pensar que existem amores impossíveis, prefiro acreditar que há histórias de amor que podem e devem ser vividas.

O livro “Um Segredo do bosque”, editado pela OQO, foi usado pela Mafalda e pela Helena durante um workshop que ambas realizaram na Gulbenkian. O ruído de fundo fez-me perder não a essência da história, mas algumas palavras sentidas e sobretudo as lindíssimas ilustrações de Elena Odriozola, de uma tranquilidade tão própria.

Javier Sobrino reinventa um bosque cheio de segredos, que só os ventos, as árvores, as brumas sabem esconder. Segredos bons, segredos de amor. E a verdade é que o esquilo da história tem um segredo desses. Invadido por sensações estranhas, resolve contar aos outros animais. Desvendado o seu segredo, até porque era difícil guardá-lo por mais tempo já que “até o vento contou ao mar”. A paixão do esquilo era diferente das outras. Um pica-pau. O que só prova que não há amores impossíveis.

E ainda destas questões do coração, “Gary”, um filme de animação que também mostra que o desejo pode tornar-se realidade. Pode ser visto aqui

e para que não seja só para gente pequena-pequena, -até porque quando falo deles, falo para gente pequena-grande, - um para gente grande-grande.
Tem sido o meu livro de cabeceira e quase no final aconselho vivamente. Editado pela Teorema, London fields de Martin Amis.

5.08.2009

Poder ter uma estrela só nossa




Talvez não sejamos muito diferentes do rapazinho desta história e mesmo não o admitindo, quantas vezes olhámos para o céu e desabafamos com uma estrela, que achamos ser a nossa estrela.
A narrativa desenvolve-se na possibilidade deste rapazinho conseguir apanhar uma estrela só dele.
Num traço peculiar e um enredo muito próprio de Oliver Jeffers é no seu todo uma inspiração até para gente crescida. A possibilidade de cada um ter a sua própria estrela.

Ainda a propósito do mesmo autor a Orfeu juntamente com Diogo Martins da Companhia Evoé Teatro apresentam este fim-de-semana na feira do livro “O Incrível Rapaz que Comia Livros”




"How to Catch a Star", de Oliver Jeffers e editado pela Philomel Books do grupo Penguin

3.30.2009

de outras terras





O leão Kandinga” de Boniface Ofogo e Elisa Arguilé é a história de um leão feroz e malvado que não hesitava em devorar os seus amigos para matar a fome, por isso acaba sozinho, sem amigos e família. A história de Kandinga é a tradução da sabedoria dos povos africanos, mais precisamente na tradição oral dos Bantu. Uma narrativa que convida a uma viagem imaginária até ao coração da selva mostrando a supremacia do leão face aos outros animais.

Um livro editado pela Kalandraka que surge na sequência de uma viagem de Ofogo entre Saragoça e Huesca, onde conhece Elisa Arguilé e lhe conta esta história.

Este livro fez-me lembrar um outro, de uma editora que acompanho com algum carinho, a Tara books, não só pela temática dos livros, mas pelo modo como estes são produzidos.

The very hungry lion” adaptado por Gita Wolf, considerada uma das mais criativas e originais vozes contemporâneas na área da edição, e magnificamente ilustrado por Indrapramit Roy, ao estilo Warli, pintura que se usava nas paredes das casas tribais na Índia e produzido manualmente como “The night lies of trees”

The very hungry lion” é uma adaptação de um conto tradicional, que ao contrário de Kandinga ele engana outros animais para serem estes a procurarem-lhe alimento.



3.09.2009

memórias



A um livro de distância, olho para eles, releio-os para mim e para o M. A memória olfactiva acompanha-me, mas de facto já não existe. Gostava de a conservar assim dentro de mim porque essa sei que não a consigo passar.

A um livro de distância de acabar a colecção de vinte, sobra este que terei o maior prazer em oferecer a quem estes livros significam realmente alguma coisa. (já vai seguir viagem)

Também ilustrado por Yvonne Perrin este que adorava ter

2.17.2009

in red




Vi este livro pela primeira vez aqui por altura das Palavras Andarilhas , ainda na sua língua matriz, escrito por Antonio R. Almodóvar e ilustrado por Marc Taeger, o mesmo ilustrador deste.

Resolvi esperar e passados dois anos, chega a Portugal. Com o prémio Daniel Gil para melhor álbum ilustrado de 2005. Recontada, ou reescrita segundo recolha na tradição oral, esta história rompe com todas as ideias feitas do que é o Capuchinho.

Em “A Verdadeira história do Capuchinho”, encontramos uma menina que afinal nem sequer jeito tem para a costura. A fama de gulosa e a sua extrema curiosidade são realçadas não só pelo texto como pela ilustração. As personagens quase vindas do universo infantil adquirem grande expressividade e a representação do Capuchinho surpreende em cada página. Uma delas quase nos faz lembrar as primeiras representações do Mickey ou mesmo algumas alusões ao Pinóquio.

12.19.2008

casa



A Kalandraka continua a recuperar contos de tradição oral e é o caso de Grão de Milho, baseado num conto popular português de tradição oral cuja recolha etnográfica nos revela várias versões.
É um conto que apresenta uma estrutura de ritmo acumulativo, repetitivo, em que o estribilho, é uma peça fundamental para favorecer a oralidade.

A história desenrola-se num ambiente familiar. Onde a protecção dos pais é uma constante, sem que isso seja um impedimento para que esta criança pequena como um grão de milho possa ter uma vida normal.

Um conto que ajuda os mais pequenos a vencer diferenças. Longe de debilidades e com um final feliz.
Grão de Milho é forte, tem iniciativa e sabe enfrentar e resolver os problemas que lhe surgem.

Adaptado por Ollala Gonzalez é um texto povoado de humor em que as ilustrações de Marc Taeger que lhe acentuam ainda mais essa característica. Uma linguagem visual simples com aproximação ao desenho infantil e de uma grande riqueza cromática.
capa aqui

7.17.2008

companhias



O bom dos livros é que as histórias não se encerram nas páginas, vivê-las para além da imaginação, recriar e poder associar outros elementos que os ajudem a fortalecer e a criar laços é uma tarefa árdua, mas que no fim saímos nós mais fortes.

O livro da avó de Luís Silva editado pela Afrontamento

7.07.2008

«Eu espero»





Há muito tempo que estava numa das minhas infindáveis listas de livros desejados, agora chega-me às mãos pela Bruáa, que em duas publicações promete ser uma editora de referência.

Quando somos pequenos espera-se, espera-se tudo, mas essencialmente espera-se pequenas coisas.
«Eu espero» é um livro de Davide Cali, um dos mais conceituados escritores de livros para a infância, que de uma forma simples narra a história da vida, do nascimento à morte, de pequenos grandes nada ou de grandes pequenos tudo.

Um fio vermelho conduz-nos nesta narrativa acompanhado do traço simples do ilustrador francês Serge Block, que numa entrevista dada à editora brasileira CosacNaify diz isso mesmo «simpler is stronger», uma espécie de ideal da escola Bauhaus «less is more».

mais aqui

6.25.2008

a saudade tem a cor dos teus olhos





A Carícia da borboleta é um livro delicioso de Christian Voltz, editado pela Kalandraka (blog).
Delicioso como todos os seus livros pela genial simplicidade do argumento como pelas magníficas ilustrações. É um livro que aborda a temática da morte, sugerindo a ideia de que aqueles que morrem e nos são próximos permanecem sempre, mas sempre junto de nós.
A forma expressiva com que Christian Voltz dá vida às personagens, e neste caso uma apenas a traço, apela a múltiplas leituras, com pequenas nuances.

Porque a morte faz parte da vida e não vale a pena esconder-lhes, um outro livro que já tinha mencionado aqui

O Rapaz Que Aprendeu a Voar, editado pela D. Quixote, com texto de Alexandre Honrado, e ilustrações de José Miguel Ribeiro conta a história de um rapaz que tem saudades do avô, que pensa que este voou para longe, pois era o seu sonho. Um texto marcadamente metafórico, é um convite ao sonho, ao voo. Um elogio à imaginação pois este rapaz aprende que para saber voar tem de se deixar levar pelos sentimentos.

6.11.2008

who´s afraid




Inspirado no clássico de Sergei Prokofiev, João Paulo Cotrim e João Fazenda recriam e reinventam Pedro e o Lobo, num magnífico trabalho de colagens bem ao espírito do Construtivismo russo .
Editado pela Assírio e Alvim em 2007, A história secreta de PEDRO E O LOBO, pode ser vista no Auditório Municipal Augusto Cabrita até 31 de Julho.

O desenho do Capuchinho Vermelho e de um outro lobo pertence ao Manel.

6.01.2008

feira do livro




Com todo o corre, corre que foram as horas passadas na Texto, ou melhor na Leya, a ver amigos, amigos que não via há muito tempo, desconhecidos que se tornaram conhecidos, conhecidos que se tornaram amigos, crianças nossas, crianças dos outros, telefonemas com um desculpa mas não posso ir, desculpa estou atrasado ou ainda aí estás, mimos para mim e para ele, conversas alheias que nos fizeram rir.
E com este corre, corre restou pouco tempo para mim e para uma infindável lista de como agora é trend dizer de wishes. Sim faço listas numa tentativa organizada de o ser ou de me convencer que o sou, ou pelo menos que gostava de o ser.

Os escolhidos foram “coração de mãe”, Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina, porque saltei de Maria-rapaz para uma mãe-galinha.
A casinha de Chocolate” dos irmãos Grimm numa edição reinventada pela editora Kaladraka, com as fabulosas ilustrações de Pablo Auladell
O Rapaz Que Aprendeu a Voar, da D.Quixote, não só pelo texto de Alexandre Honrado, mas pelas ilustrações de José Miguel Ribeiro alguém que ainda gosta de sujar as mãos
Tratado do Esquecimento. De Marina Palácio, Edições Afrontamento, por ser uma espécie de caixa de Pandora

Faltou uma conversa menos fugaz com a Carla, uma ida à Tinta da China, Assírio & Alvim, Guimarães, Porto Editora, Guerra & Paz e à Relógio d’Água e à tenda dos fins de catálogo

5.23.2008

ao homem





A vida pode ser simples, calma, sem sequer termos a pretensão de sabermos tudo e transparente, diáfana, luminosa, apesar da dor e da saudade.
Aprendermos que o tempo é a casa do nascimento e da morte, e que a memória é o princípio para nos ligarmos a alguém. Aprender que ter paciência é passar o tempo a lutar por aquilo que se deseja.
E quando estamos certos de uma casa arrumada, a vida encarrega-se de a desorganizar.

Morte e Nascimento de uma Flor de Elvira Santiago é uma metáfora sobre o crescimento, o amadurecimento e a morte. A excelência do texto literário da autora manifesta-se num discurso de beleza depurada, da simplicidade das palavras. As ilustrações de Joana Quental que retratam o lado optimista da vida, uma ode ao sol em contraponto a Alberto Péssimo que mostra o escuro, as trevas, o lado lunar

como um dia disseste “a mim ninguém me cala”, vamos-nos falando meu amigo

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