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7.26.2014

assim-assim

confesso que sou um bocado de extremos. gosto ou não gosto e o assim-assim sempre me soou a mediano, excepto no que respeita ao tempo.

não gosto de frio que prende os ossos, nem do calor que sufoca. os dois têm a capacidade de me toldar o corpo e desespero. o tempo morno ou assim-assim sabe-me bem.

gosto da praia do final do dia, quando as gaivotas regressam a terra e, desde que o Manuel nasceu que faço no máximo duas horas de praia e a desoras. sim é verdade, pouco ou nada mudo de cor, mas em boa verdade nunca gostei de ver a marca do biquíni cravada na pele.

enquanto não posso ir de férias vou sonhando com a água fria nos pés e com a minha nova toalha

talvez não tivesse importância nenhuma a não ser o facto de as minhas últimas toalhas terem sido sempre anexadas e perdidas.

gosto muito da PIP e não tenho sido justa com a Dália, da Papelaria Inédita, que sempre que eu sonho com uma coisa ela faz tudo para realizar esse desejo.

espero ainda a chegada do meu péu...

pena que os chapéus da Alexandra tenham chegado mais tarde...

enquanto sonho com a brisa que faz parte de mim, vou trabalhando e desenhando agosto.

e a sonhar com estrelas




7.22.2014

férias versus fazer o que se gosta

há 15 anos quando decidi despedir-me e formar a minha empresa  não tinha a plena consciência do que tudo isso significava.

há 15 anos que deixei de ter férias marcadas, o que em certa medida era muito bom, e foi, até o Manuel entrar para a escola.
viajámos contra a corrente, sem enchentes e gozámos os pequenos períodos de tempo que repartíamos ao longos do ano.
aproveitámos o encanto das estações em locais e países diferentes.

hoje e quase no fim de julho não tenho férias marcadas e com dois livros em mãos torna-se ainda mais difícil, mas sei que pelo Manuel terei de me organizar, ainda mais, para que ele sim tenha férias marcadas.


ainda não arrisco contabilizar as ilustrações que tenho e muito menos as que faltam, mas ao longo destes anos percebi que faço o que gosto e isso dá-me o alento para aguentar as fotos das férias dos outros.

e ainda há os meninos do Chiado, da Mouraria e de Alfama e os meus "velhos" que me enchem o coração e fazem-me olhar para o trabalho deles e sentir um enorme orgulho de tão bons que são.

e porque não sei estar quieta ainda experimento receitas

fica prometida para amanhã a receita destas bolachas. obrigada G por me teres ensinado.

7.03.2014

céu das mães

no sábado rumámos a Leiria para o lançamento oficial do livro O Céu das Mães escrito pelo Paulo Kellerman e editado pela Paulinas.

o lugar não podia ser melhor. a Arquivo é uma das livrarias de culto, encabeçada por gente fantástica.

uma sala cheia de amigos, (do Paulo), que nos acarinharam como amigos de há muito.

houve momentos de revelações e outros pontuados de grande humor, que as imagens não deixam esconder.

o Paulo lembra-me muito um outro amigo, também escritor e livre de "caganças".

o Paulo tem o jeito terno de uma criança e só a sua presença enche uma sala.

não foi um livro fácil, até pelo tema que aborda.
como mãe questionei-me muitas vezes sobre a fragilidade que esta história podia ter em mim.

ao contrário de outros livros em que fui revelando alguns detalhes, este e por orientação da editora não foi possível. e assim este menino foi crescendo dentro de mim, com uma grande dose de solidão.


hoje e até porque o professor Marcelo Rebelo de Sousa já falou dele, sinto que pode ser mostrado por aqui.

um livro que não traz a solução para a morte, mas que nos ensina a procurar e a encontrar dentro de nós o espaço vazio que ela deixa.

era bom poder dizer
que não haja meninos e meninas sem mães.
e que não hajam mães sem filhos.

e se existe algum lugar onde um dia todos nos possamos encontrar que este esteja cheio de livros.

agora e outra vez em contra-relógio mais dois livros.

4.08.2014

com o doce sabor da primavera



o início da semana trouxe o doce sabor dos dias mornos.

sabe bem respirar este novo ar livre de bolores e fantasmas.

o novo livro preenche-me agora as mãos, já que a alma foi tomada por este há algum tempo.

os dias precipitam-se a um ritmo violento onde só há tempo para o que é importante.

3.07.2014

coração tranquilo

com o último livro acabado regresso a alguns trabalhos, como a KORA.

o Jorge está de parabéns pois o documentário foi seleccionado para o festival de cinema de antropologia, em Lisboa.

acabo outras ilustrações para um outro trabalho.

e começo um novo livro com texto do Paulo Kellerman.

as segundas feiras de ateliês passaram a ser também quartas e tudo isto só é possível se mantiver o coração na dose certa de tranquilidade.

se sobra tempo?

só para o que é realmente importante

2.22.2014

de papa

o último mês e meio foi passado literalmente à mesa e como diria José Quitério que bem que sabe o "amesentar".

não, não vem no dicionário, mas foi ele que a inventou e não encontro palavra melhor para definir o prazer de juntar quem nos é querido à mesa, à roda de sabores e de histórias.

amesentei-me por mês e meio e fiz comigo jogos matemáticos para enganar a mente e não perceber que tinha tão pouco tempo para produzir 68 ilustrações (64 + capa e guardas).

comecei por contar as que tinha e aos poucos o número foi crescendo.
arranjei um novo jogo. haviam as duplas temáticas e cinco soltas e nessa altura passaram a ser uma equação (x+5). quando cheguei a uma fase em que senti algum conforto, permiti-me dizer que só já faltavam 25+5.
hoje posso dizer que faltam-me 5 ilustrações e ainda tenho três dias.

a mesa foi a mesma, apenas os pratos foram diferentes.

a trabalhar na quinta ilustração percebi que a mãe é feita de papa.

e apercebi-me da importância da palavra. a seguir ao leite materno (ou ao leite em pó para latentes), a papa é o primeiro alimento sólido a ser ingerido e começamos a amesentar-nos.

durante meses e atrevo-me a dizer anos perdi o meu cheiro. cheirava a papa. cheirava a toalhetes, a fraldas, a bolsados, mas de tudo o que retenho na memória é o cheiro doce da papa.

a papa do M. não tinha o cheiro da minha de infância. o ursinho azul que nasceu na minha geração, não guardava o cheiro do urso da geração do Manuel.

provavelmente o cheiro que retenho é o cheiro da minha mãe-papa.

a minha mãe-papa com todos os defeitos de um ser humano ensinou-me que o amor é que faz a vida valer a pena e que não devemos prender-nos a nada que não nos dê alegria.

houve um dia em que ela disse não. não quero viver mais contigo. porque já não havia amor, porque percebia que estava melhor sem ele.
os meus pais separaram-se quando eu tinha três anos. na verdade só deixaram de viver juntos porque nunca se divorciaram.
em todos esses anos o meu pai ia a casa quando queria. ia buscar-me à escola mais cedo sob a desculpa de uma ida ao médico. era o meu pai que ia comigo comprar sapatos, porque a minha mãe não aguentava as minhas indecisões.

não foi um pai presente. estava presente quando era chamado. mas a minha mãe nunca me afastou dele.

as mães-papas cuidam dos seus filhos e é o cheiro deles que está acima de tudo.

2.13.2014

swallow

que ao menos pudéssemos seguir as andorinhas.
e que não haja asas feridas.

dos poucos blogs que sigo

da Paula Valentim (otchipotchi) e que um dia destes quero uma.

ou uma de Bordallo Pinheiro (A Vida Portuguesa)

para encher uma parede assim ou um tecto


ou uma andorinha da Rita, apesar de preferir os Ó-Ós especialmente o lobo e a sua casa

e ainda da Mary e do seu café A Saudade  e a promessa de passarmos uma noite no Chalet

e por último as Flying letters da Paula e que tenho a sorte de ter recebido



e porque não chegámos a seguir as andorinhas aproveitemos este tempo assim...




todas as fotos têm créditos e pertencem a quem está identificado

2.08.2014

educar

na arte de educar não há regras inquestionáveis, não há verdades absolutas.

espera-se que cada individuo possa transmitir aos filhos valores maiores.

o que também não é assim tão linear, porque aquilo que cada um tem como valor inabalável, o outro pode não ter.

mas espera-se que pelo menos haja a consciência do bem e do mal e que estes valores sejam transmitidos às crianças.

as crianças precisam de regras mesmo que as questionem, e que bom que seja que o façam.

mas educar vai muito além de distinguir o certo do errado, já nem falo nas oscilações do gosto, que tenho por certo que se educa, refiro-ma antes a educar o paladar.

confesso alguma inveja dos pais que têm filhos chamados de "bons garfos". o M. sempre comeu de tudo (pelo menos até entrar para a escola), mas come pouco, e sobretudo com pouco prazer.

cansa e esgota-me.

as sopas passaram a ser passadas porque tinham verdes, continuam a ter, mas tornaram-se sopas preguiçosas.

há algum tempo e porque sinto que as nossas conversas evoluíram no seu grau de maturidade, decidimos que iríamos introduzir alimentos novos (não passados) às refeições.

duas grandes vitórias, nabo e couve flor, ambos cozidos.

a segunda vez que comemos couve flor foi gratinada com queijo, meio pacote de natas, leite e noz moscada (previamente cozida e cortada em pedacinhos)

estamos no bom caminho.

2.06.2014

em tamanho XXL


agora com o coração mais tranquilo, sinto que posso revelar o que tem sido este último mês.

dias contados para cumprir um prazo louco, com 64 ilustrações, capa e guardas.

hoje sento-me ao computador e posso começar a inverter a contagem das ilustrações. não as que fiz, mas as que faltam.

25+5. ainda assusta, mas muito menos.

o último mês fez-me sentir uma espécie de Gulliver e na sua chegada à ilha de Lilliput.

e pensar na dificuldade que as crianças têm não só físicas, mas emocionais em compreender a complexidade da vida adulta.

ao olhar para a minha mão percebo a fragilidade de quem ainda é pequenino.


este tempo cansa-me. espero que chegue a primavera dos pássaros quentes.

a "morrerem-se", sim, mas com a minha forma de desenhar. há muitos. grandes. coloridos. caixas por abrir. ainda a estrear, mas são estes de que eu tanto gosto.

2.01.2014

sábado de manhã

finalmente está sol e apetece tantas coisas, mas uma mesa cheia de trabalho fala mais alto.

enquanto trabalho no novo livro chega-me uma foto da revista Pais & Filhos de fevereiro.

chegam umas e partem outras.


1.30.2014

conforto

definitivamente instalei-me na cozinha e, como em tudo, tem o seu lado bom e o menos bom.

tenho contrariado a vontade de andar sempre a depenicar alguma coisa, vingando-me nos chás.

finalmente trouxe o Largo para casa, alternando com chá verde.

do último dia de ateliê veio este novo chá, de gengibre, zimbro, hibisco, escaramujo e flores de centaurea.

apreciar cada sabor como que se se pudessem mastigar.

a isto junta-se uma boa companhia pronta para estas aventuras que nos tiram para lá do conhecido.


por vezes caminhamos para o confortável. a mudança causa desconforto, provoca medo, mas qual é a graça do conforto.

se gostássemos mesmo de conforto, não tínhamos saído da barriga da nossa mãe, temos comida, água, proteção. temos tudo. mas não, chega a hora e nascemos, com vontades, desejos e é essa a força que nos move.

é essa a força que me conforta todos os dias, o desejo de mudar.

22 são as ilustrações prontas e o final do prazo precipita-se.

1.25.2014

dias contados

a contar os dias. os minutos. os segundos. na boca fica o sabor amargo de quem não conseguiu cumprir tudo a que se propôs fazer no dia anterior.

a fazer o que gosto não me sobra tempo para outras tantas coisas de que preciso e também gosto.

conto o meu tempo e o do M., que em troca de tantos trabalhos de casa, também lhe apeteceria fazer outras coisas como brincar.

há dias em que o teu colo é mais preciso.

e há corações que teimam em aparecer

1.21.2014

delícias maiores

sexta, sábado e domingo foram dias com uma carga emocional demasiado excessiva.

o trabalho das duas últimas semanas teve de ser refeito por uma falha de comunicação a que eu também atribuo culpas a mim. evito falar ao telefone. não gosto. que isto me sirva de lição.

chorei de desilusão, de confusão, de cansaço. chorei de alegria.

vou ser tia-avó.

vários foram os posts em que refiro à diferença de idades entre mim e os meus irmãos. irmãos-pais, que hoje além de manterem esse estatuto são também os meus melhores amigos.

companheiro de brincadeiras, o sobrinho mais velho vai ser pai.

inevitavelmente colocamos o percurso da vida em filme, e um novo ciclo começa.

com a maioria das ilustrações refeitas, confesso que ganharam com as alterações. há um relógio que não pára e eu começo a sentir-me pressionada.
não estou a cem por cento dedicada ao livro. o tempo além de muitas outras coisas é dividido com o inicio de alguns ateliês.

trabalhar com idosos não é fácil.

a experiência e os anos conferem-lhes um poder que as crianças não têm, no entanto são capazes de se utilizar das manhas dos mais pequenos.

trabalhar com idosos não é fácil, mas estou a gostar.

são lindas estas mulheres que chegam à Baixa todas as segundas feiras. entre um rabisco e um não sei fazer há beijos nas testas que a mim me sabem bem.

e depois há surpresas assim. que nos enchem a alma


1.12.2014

do que sou

as últimas duas semanas tiveram reuniões a mais para o meu gosto, apesar de terem uma componente que me agrada, curtas, sem floreados.

com alguns tempos de espera tenho permanecido no Largo e feito do chá da casa o meu companheiro. (canela, limão, cardomomo, anis estrelado, cravinho e gengibre)

uma das reuniões levou-me a Alfama,

enquanto fazia tempo para a hora marcada, entrei numa antiga mercearia que anunciava chás e cafés.

chá era a palavra mágica. sim eu deixei de beber leite há algum tempo e tenho tido o chá por companhia. os iogurtes já são de soja e recentemente a manteiga passou a ser de origem vegetal.



na tentativa de reproduzir o sabor do Largo perdi-me nos chás, mas a melhor descoberta foi a alfazema.

para quem comigo anda sabe as vezes que entrei em lojas bio, gourmets e afins à procura de alfazema.

sim alfazema
não, não é para afugentar as traças.

é mesmo de gula. tenho uma mão cheia de receitas que levam alfazema, permitindo-me até há pouco apenas sonhar com elas.

faz-se planos para o fim de semana, bolachas de limão e alfazema e trabalho num novo livro, e alteram-se, e ainda bem.



gosto da companhia destes amigos. fala-se de bom.

o carlos percebeu a minha natureza, ou pelo menos naquilo que gostava de fazer que é deixar de comer carne. não é fundamentalismo. não é querer ser outra pessoa.

passei a fronteira de estar enjoada de carne. vem de dentro e o estômago fala mais alto.

o Manel também já se queixa da carne. o meu coração sorriu e aproveitei a deixa para sugerir adoptarmos uma vida mais vegetariana, que foi contraposta por uma mais "peixariana"

vegetariana ou "peixariana", mas habituado a comer chia na sopa, linhaça nos iogurtes, rendeu-se também às minhas bolachas de sementes.

estamos no bom caminho

do trabalho ficam a faltar 29 ilustrações, capa e guardas

ainda não é de alfazema, mas está a dar-me imenso gozo.

as bolachas de sementes são da Miolo, padaria biológica artesanal 

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