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2.10.2015

É então isto para crianças?

durante dois dias a Gulbenkian juntou gente que se questiona sobre o que se cria tem um público à partida definido ou se numa fase final e última o que é criado encontra a quem se destina.

um colóquio que viveu de reflexões entre escritores, ilustradores, músicos, cineastas sob uma palavra-chave: Partilha.

a presença do escritor italiano Davide Cali e do ilustrador Serge Bloch foi talvez dos momentos mais marcantes do encontro, porque e apesar de já terem trabalhado juntos, nunca se tinham encontrado pessoalmente.




(versão completa disponível no itunes)

se a língua da criatividade é a língua mãe, foi o francês a língua escolhida por estes dois homens para a sua partilha e confesso ter tido a necessidade do tradutor porque faço parte de uma geração em que francês deu lugar ao inglês como língua obrigatória.

segundo Davide Cali as crianças são um público mais aberto, mas também mais exigente e a sua escrita acaba por ser transversal à idade, Bloch partilha desta ideia dizendo que o difere entre estes dois universos é o tamanho.

nesta conversa, confesso algum descontentamento pois esperava ter ouvido mais os oradores..., nomeadamente Francisco Vaz da Silva.

do que foi pedido a cada um como "objeto" de partilha fica a escolha de Cali, 1979, dos Smashing pumpkins

e algumas curiosidades do recente livro "Não fiz os trabalhos de casa porque..." de Davide Cali e Benjamin Chaud, editado pela Orfeu Negro sob a chancela Orfeu Mini e que será alvo do próximo post.

Inês Fonseca Santos foi a Comissária do Colóquio. Parabéns!

10.20.2011

um post demasiado longo





ou um desabafo demasiado curto...

há coisas, neste estatuto de ser crescido que me tiram do sério, falo das perguntas que tantas vezes ouço adultos fazerem aos mais pequenos, como já tens namorado(a), ou o que vais ser quando fores grande. como se fosse possível, em tempos destes, ter tantas certezas...

prefiro as palavras de Álvaro Magalhães, em "O Brincador"

“Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor.
Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for.
Quero brincar de manhã à noite, seja com o que for.
Quando for grande quero ser um brincador. Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor.
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer.
Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador e também imaginar, como imagina um imaginador…
A minha mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida.
E depois acrescenta, a suspirar: "é assim a vida".
Custa tanto acreditar! Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser brincador.
Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta.
Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar depois de morta.
Na minha sepultura, vão escrever: "Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs, para ir brincar com as palavras".


Já o livro, "O que é o amor?", foi para mim uma deliciosa surpresa. Gosto de afectos, ternura, mas não gosto de frases feitas, de powerpoints com imagens idílicas, de ursinhos que ostentam corações só para dias especiais. não gosto de dias forçosamente especiais.

Do mesmo autor do livro "Eu espero", trazido para Portugal pelas mãos da Bruáa, "O que é o amor?", (editora Gato na Lua), torna-se pelas letras de Davide Calí uma divertida e incontornável abordagem de um tema completamente intemporal, intensificado pelas ilustrações de Anna Laura Cantone.

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