
"O Inverno é o tempo já velho" é o título de um livro de Maria Isabel César e ilustrado por Maria Keil
Na tentativa de aquecermos o coração, agasalhamos primeiro o corpo e é com pena que vemos estes cobertores se perderem no tempo.
A produção dos cobertores de papa, fabricados com lã churra de ovelha, remonta ao reinado de D. Sancho II.
Mas é no reinado de D. José (1758), com o Marquês de Pombal, que se sente um impulso nesta indústria sobretudo na zona da Covilhã e da Guarda.
No início do século XX podiam-se contar 9 teares dedicados ao fabrico de cobertores de papa na zona de Maçainhas, mas entre 1930-32 uma forte crise resultou na falência de grande parte destes teares, no entanto um novo impulso surge no fim da década de 30 tendo o seu expoente máximo nos anos de 1942 e 43, chegando a haver 35 teares.
Infelizmente hoje conta-se apenas um.
Também conhecido por cobertor de pêlo, ou manta lobeira, fabricado numa lã macia de ovelhas que também estão em extinção, podendo ser produzido numa só cor (branco, verde, vermelho), com a cor “barrenta” (branco e castanho), bordado a azul, verde e vermelho (Minho e Norte do País) ou fabricado com tiras coloridas de castanho, amarelo, verde e vermelho.
Este cobertor mede cerca 1,70X2,40 e pesa em média 3 kg. Havia tanto para dizer deles nomeadamente o processo de fabrico.
in “O Fio da Memória, número 12” de Maria do Céu Baía Oliveira Reis editado em 2003 pelo Município da Guarda