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12.04.2014

o paraíso são os outros

Não gosto da expressão "estás mal habituado(a)", porque parte de um pressuposto de que algo bom não se pode ter sempre e para mim as coisas boas deviam ser perpetuadas, sejam elas pequenas ou grandes.

claro que eu seu sei que esta frase é usada na maioria das vezes como reprimenda, mas continuo a crer que há pessoas que de tanto nos "habituarem mal, nos habituam bem"

o ano passado e por esta altura a Hipopómatos na Lua habituou-nos bem com um seleção de livros em forma de calendário de advento. de tanto nos ter habituado bem que este ano sentimos a falta, o que é caso para dizer que fomos mal habituados.

este ano e ao contrário dos últimos vinte anos comecei a comprar os presentes de Natal em novembro. não me apetecia encontrões e atropelos, prendas escolhidas à última da hora e sem sentido, pessoas mal humoradas.
foi preciso algum método até porque nessa altura a maioria das lojas não tinham disponíveis talões de troca ou mesmo embrulhos, quanto a isso não me aborreceu nada porque adoro ser eu a preparar as embalagens, também elas pensadas para cada uma das pessoas que me são queridas.

este ano o Manuel vai ter a surpresa de um piano e de outros livros não pedidos. (ainda bem que não lê o meu blog) e até ao final de dezembro vou trazer para este espaço alguns dos livros que escolhi para ele, ou para mim...

uma das minhas preocupações tem sido ler os livros primeiro do que o Manuel, embora ele se tenha revelado há muito um leitor autónomo, acredito que mesmo estes leitores não devam ser deixados ao abandono das letras sob pena de se perderem delas e não nelas.

O Paraíso são os outros é o título do último livro, para a infância, de Valter Hugo Mãe sendo o oposto da famosa frase de Jean-Paul Sartre, "o inferno são os outros" e trata-se de um olhar curioso de uma criança perante o amor.

este livro surge de uma visita que Vater Hugo Mãe faz ao ateliê do artista Nino Cais numa altura em que trabalhava sobre fotos antigas de casamentos, acabando por integrarem a versão brasileira do mesmo livro e editada pela Cosac Naify.

o amor surge numa reflexão que foge à sua forma tradicional, evocando temas como a adoção, a homossexualidade, a felicidade e também a solidão.


(...) A felicidade também é estarmos preocupados só com aquilo que é importante. O importante é desenvolvermos coisas boas, das de pensar, sentir ou fazer.(...) 

a edição portuguesa ficou nas mãos de Esgar Acelerado, a cargo da Porto Editora.

(...) Na solidão só vale a pena tentar encontrar alguém. O resto é tristeza. A tristeza a gente respeita e deita fora. É como algo descartável. Precisamos de usar mas não é bom ficar guardada.(...)

este livro podia manter a frase que Sartre escreve em "O Ser e o nada", porque não existe nenhuma relação que não carregue em si alguma tensão. "o inferno são os outros", porque o outro também é livre.
não podemos controlar o que pensa, o que nos diz e no entanto precisamos dele e do seu olhar, mesmo que esse olhar seja diferente do olhar que temos sobre nós mesmos.

(...) Depois de entendermos melhor, a beleza comparece. (...)

(...) O paraíso são os outros. A nossa felicidade depende de alguém.(...)




e uma frase com que tanto me identifico;

(...) Sofro de um problema de sossego. Não sei o que é estar sossegada. Mais tarde corrijo. (...) 

3.25.2014

gerações e uma menina que vem contrariar a tendência

não acredito em coincidências. acredito que há pessoas que nos são próximas, não por serem amigas, mas porque partilhamos de gostos e interesses, porque estamos atentos ao que se passa à nossa volta e não temos medo de elogiar os outros.

no fim de fevereiro escrevia este post e a fotografia da quinoa e do amaranto tinha um segundo propósito, poder falar do livro Mar de André Letria, até porque já tinha escrito para a página infantil do DA.
os pequenos grãos traziam-me a recordação do mar. do meu. poucos dias depois os Hipopómatos falavam dele. recuei.

hoje repetimos o tema. e avancei.

primeiro porque a Catarina Sobral merece o elogio de ter sido a única ilustradora portuguesa a estar na grande feira de Bolonha. a Catarina faz parte de um número reduzido de ilustradores-autores e "O Meu Avô" foi o motivo para a sua presença em Bolonha.

segundo porque não tenho a doce recordação dos avós.

morreu-me uma avó tinha eu 17 anos. chorei-a, mas não era minha. uma avó emprestada, mas de tanto que era dada, também era minha.

morreu-me uma avó aos 11 anos. não fui capaz de a chorar e era minha.
uma distância do corpo de dentro e de fora não permitiram os olhos nem o coração de se lavarem.

foi a única avó que conheci. e pouco.
tenho pena de não ter histórias doces para contar.

tenho pena do M. só ter conhecido dois dos seus avós e em idades que não lhes permite grandes cumplicidades.


a narrativa começa com duas personagens distintas, o avô e o Dr. Sebastião, em tudo até no jogo cromático.

aos poucos as diferenças diluem-se, mesmo quando se fala do avô e quem aparece é o Dr. Sebastião.

Catarina habituou-nos nos primeiros livros a este jogo de invocação a grandes mestres das artes.

como a Édouard Manet. "Faz vários piqueniques na relva, durante a semana... comme il faut"

Le Déjeuner sur l'herbe

Almada e Fernando Pessoa também não são esquecidos.

"O meu avô escreve ridículas cartas de amor... durante horas a fio"

"Todas as cartas de amor são ridículas, não seriam cartas de amor se não fossem ridículas", o conhecido poema de Álvaro de Campos a Ofélia, a quem pediu que nunca revelasse a sua relação.
sobre a relação, Ofélia apenas disse que morreu quando Pessoa partiu.

ou o quadro de Almada recentemente exposto no âmbito da exposição "Fernando Pessoa, Plural como o Universo"


e ainda a Andy Warhol com o seu pug e a referência a grandes celebridades fotografadas com os seu cães.

se o meu tempo, nem do M voou na companhia dos nossos avós, a bebé que aí vem quebra o ciclo desta família em que gerações se confundem.

a C. vai ter avós e bisavós, tios e tias-avós, tios pouco mais velhos do que ela e primos. todos eles capazes de fazê-la perder o tempo.

estamos à tua espera.

3.06.2014

sombra

ontem chegou a boa notícia pelas mãos do hipopomatos na lua, de um novo livro editado pela Bags of Books e que depois de vários excelentes lançamentos estava aparentemente em banho-maria.

e pelos vistos estavam a cozinhar um outro livro que promete.
O Barco de Papel conta com a assinatura de Eugénio Roda e ilustrações de André da Loba.a imagem pertence a um dos livros editados pela Bags of Books, "A menina sem Sombra, da chilena Loreto Salinas e vem parar aqui porque estranhamente sinto que ganhei uma sombra que não a minha.


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