
Ontem precisei de ti. Procurei, procurei e não consegui encontrar. Tu terias deslizado o dedo pelas lombadas, como quem corre as teclas de um piano e terias escolhido o livro, aquele livro que incessantemente procurei. Terias aberto a página no poema que um dia me mostraste e que eu ontem não encontrei.
“não me fodas coração”é como termina um poema de Fernando Assis Pacheco, que ontem, 1 de Fevereiro, teria feito 72 anos se não fosse o coração a traí-lo.
Fernando Assis Pacheco morreu como gostariam de morrer muitos escritores: numa livraria. Na Bucholz.