Mostrar mensagens com a etiqueta Assírio e Alvim. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Assírio e Alvim. Mostrar todas as mensagens

11.04.2013

flores de outono

(...) Emblemáticas e caprichosas folhas, deixo-vos, pois já não me sois
          úteis,
Sem rodeios direi o que tenho a dizer,
Só a mim e aos companheiros hei-de cantar, jamais atenderei outra
          voz que não a sua,
Despertarei ecos imortais em todos os estados do meu país,
Aos amantes darei um exemplo que seja para sempre forma e vontade
em todos os estados do meu país,
Pronunciarei as palavras que exaltem a morte,
Dá-me então a tua música, ó morte, para estarmos em harmonia,
Dá-te a mim porque agora sei que acima de tudo me pertences e
          que tu e o amor estão inseparavelmente unidos,
Não permitirei que me enganes mais com isso a que chamava vida,
Porque enfim compreendo que és os conteúdos essenciais,
Que, por qualquer razão, te escondes nestas mutáveis formas de
          vida, e que elas existem sobretudo para ti,
Que, para além delas, surges e permaneces, tu, realidade real,
Que, sob a máscara das coisas materiais, aguardas pacientemente,
não importa quanto tempo,
Que, talvez um dia, tudo dominarás,
Que talvez dissipes todo este imenso desfile de aparências,
Que talvez seja para ti que tudo existe mas não perdura,

Mas tu perdurarás.

Walt Whitmam in Canto de Mim Mesmo, Assírio & Alvim

2.10.2012

saborear






Para quem me segue de perto, sabe que entre muitas coisas que vou mostrando tanto no blog, como no flickr, escrevo há um ano uma página semanal para o DA com dicas para os mais pequenos.
Confesso que dou por mim a pensar se a página não estará mais virada para os pais, educadores ou simples curiosos. Escrever para crianças, não é pêra fácil. E o processo das escolhas também não fica atrás.
Entre dicas e jogos, surge sempre um livro, que gera em mim alguma angustia.
A primeira e mais relevante é a qualidade do livro, se é ou não novidade, confesso que não tem sido critério, embora torne a escolha mais fácil.
A verdade é que se traduz num arrombo orçamental, sim porque os livros que são sugeridos fazem parte e ainda bem da minha biblioteca pessoal, só porque não sei pedinchar às editoras.

Mas esta conversa é essencialmente para sugerir um livro que apesar de já ter saído no DA há bastante tempo, só agora me permiti saboreá-lo com o devido valor.

“Esqueci-me como se chama" do escritor russo Daniil Harms, nascido em 1905, considerado um dos grandes escritores e dramaturgos da história da literatura russa, morreu de fome, esquecido, aos trinta e sete anos numa prisão de Leninegrado. 
Pertence à última geração dos grandes vanguardistas russos que ainda ousaram exprimir-se com liberdade e ironia. Os seus manuscritos foram recuperados de entre os destroços da casa bombardeada, durante o cerco nazi a Leninegrado. 

“Estou interessado apenas no nonsense. Só naquilo que não tem qualquer sentido prático. Estou interessado na vida apenas na sua manifestação absurda”, afirmou Harms.

A verdade é que voltou a ser o "nosso" livro de mesa de cabeceira e garanto-vos que apesar de querer que o Manel adormeça é impossível não soltar umas boas gargalhadas e deliciarmos-nos com as histórias. Aos meus amigos aconselho que comprem mesmo que não haja uma criança por perto.

Com ilustrações de Gonçalo Viana e editado pela Bruáa. O vídeo é do lançamento do livro na livraria Cabeçudos e pelas expressões percebem que vale mesmo a pena ler.



Traduzido, a Assírio tem "A Velha e Outras Histórias"
"Crónicas da Razão Louca" da Hiena Editora.

2.02.2009

Ontem precisei de ti.


Ontem precisei de ti. Procurei, procurei e não consegui encontrar. Tu terias deslizado o dedo pelas lombadas, como quem corre as teclas de um piano e terias escolhido o livro, aquele livro que incessantemente procurei. Terias aberto a página no poema que um dia me mostraste e que eu ontem não encontrei.

“não me fodas coração”é como termina um poema de Fernando Assis Pacheco, que ontem, 1 de Fevereiro, teria feito 72 anos se não fosse o coração a traí-lo.
Fernando Assis Pacheco morreu como gostariam de morrer muitos escritores: numa livraria. Na Bucholz.

O blog da Assírio lembra o autor de A Musa Irregular. Ontem voltei a pegar no romance Trabalhos e Paixões de Benito Prada. E lembrei-me deste projecto em que Assis Pacheco também era um nome.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...