(...) Emblemáticas
e caprichosas folhas, deixo-vos, pois já não me sois
úteis,
Sem
rodeios direi o que tenho a dizer,
Só a mim
e aos companheiros hei-de cantar, jamais atenderei outra
voz que não a sua,
Despertarei
ecos imortais em todos os estados do meu país,
Aos
amantes darei um exemplo que seja para sempre forma e vontade
em todos
os estados do meu país,
Pronunciarei
as palavras que exaltem a morte,
Dá-me
então a tua música, ó morte, para estarmos em harmonia,
Dá-te a
mim porque agora sei que acima de tudo me pertences e
que tu e o amor estão
inseparavelmente unidos,
Não
permitirei que me enganes mais com isso a que chamava vida,
Porque
enfim compreendo que és os conteúdos essenciais,
Que, por
qualquer razão, te escondes nestas mutáveis formas de
vida, e que elas existem sobretudo para
ti,
Que, para
além delas, surges e permaneces, tu, realidade real,
Que, sob
a máscara das coisas materiais, aguardas pacientemente,
não
importa quanto tempo,
Que,
talvez um dia, tudo dominarás,
Que
talvez dissipes todo este imenso desfile de aparências,
Que
talvez seja para ti que tudo existe mas não perdura,
Mas tu
perdurarás.
Walt Whitmam in Canto de Mim Mesmo, Assírio & Alvim


