Ontem regressámos
à leitura com a manta no chão, uma das boas coisas que aprendi com o yoga é o
corpo no chão.
Esta
viagem foi nossa companhia durante muitas semanas, mas sem saber qual a razão,
talvez falta de tempo, nunca saltou para a página do blog, mas ao falar de “Kirikou”
que tinha tanta pressa em nascer, o coração trouxe-o de novo à lembrança.
A minhaprimeira viagem é a história do começo da vida narrada na primeira pessoa. Sim,
ainda dentro do ventre da mãe o protagonista viaja por um universo
desconhecido, mas protegido pela sua cápsula.
Paloma Sánchez recorre à metáfora quase com um recurso terapêutico, não só cria uma
linguagem poética como leva o leitor a acompanhar este bebé na sua viagem de
procura da sua própria identidade. Uma linguagem indirecta de comunicação, que
preserva as propriedades mais importantes da situação real.
Falar
de Massimiliano di Lauro é falar de um homem que conseguiu com uma doçura, subtilidade,
leveza e sentido poético abordar um tema que até hoje eu consideraria de
mulheres. Pela experiência que é sentir o seu corpo mudar. Por cada movimento. Por
cada toque. Por cada espreguiçadela dentro do ventre. Nesta viagem sensorial.
Ao
contrário de “Kirikou”, este bebé não tem pressa em nascer. Viaja feliz dentro
da sua cápsula em que o batimento do coração da mãe é entendido como o motor da
sua nave. Sem medos, sem receios porque o motor está lá.
“Do exterior chegam ecos numa linguagem de água”. Há dias em que chegam notícias tristes e percebe “que o pranto é o idioma que se fala quando não se entende o mundo”
“TUM-TUM
/Sigo a minha viagem. /Sou feliz com o balançar: /de roda gigante, /de baloiço,
/de carrossel, de barca… /TUM-TUM… cantam os motores.”
Chega
o dia. A nave para. Pela primeira vez sente medo. A porta abre-se e “afasto-me
do TUM-TUM.” Sente o frio na pele, o ar entra-lhe pela boca e assobia por
dentro e a luz beija-lhe os olhos. Aterra por fim numa superfície quente e
reconhece o som o “TUM-TUM dos motores” e que a sua viagem “prossegue a bordo
de uns mornos braços”
Da OQOeditora, claro
E gostava
de ter o cabelo da mãe




