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7.24.2014

o prometido é devido

com um dia de atraso aqui fica a receita destas bolachas magníficas. obrigada G.

e ainda de comida, ontem estreámos La Créperie da Ribeira

experimentámos dois dos muitos muitos crepes apetecíveis, mas o mais surpreendente é o uso de farinha de trigo sarraceno na confeção da massa.

depois de ter descoberto os benefícios das sementes deste fruto (fagopyrum), uma espécie de grão que na verdade é um parente do ruibarbo e das azedas e livre de glúten, fiquei com imensa vontade de o introduzir nas panquecas e nos scones, habitués na nossa casa.

Trigo sarraceno na saúdeÉ considerado energizante e nutritivo, apresenta altas quantidades de farelo, disponível quer nas variedades leve ou integral, com a variedade integral mais nutritiva. Uma vez que o trigo-sarraceno não contém glúten, é apto para uma dieta celíaca. Apresenta mais proteína do que o arroz, trigo ou milho, fonte de proteínas e de ferro.[1]É também fonte de manganês, magnésio (o magnésio é um mineral que ajuda a baixar a pressão dos vasos sanguíneos) e fibras dietéticas. Uma só chávena de trigo sarraceno contém cerca de 86 miligramas de magnésio. Os seus efeitos benéficos também estão ligados à presença de flavonóides, com destaque para a rutina (Vitamina P) e a quercetina. Estes previnem doenças, com a sua ação antioxidante. A sua proteína é de alto valor biológico, pois contém todos os aminoácidos essenciais, incluindo a lisina. Pesquisas afirmam que uma alimentação rica em grãos integrais, como o trigo sarraceno, previne doenças cardiovasculares, incluindo a aterosclerose, diabetes e obesidade, entre outras, devido ao seu teor de fibras e outros compostos, como gorduras polinsaturadas.[2]
Os Yi, um dos povos da China, consome cerca de 100g diários de trigo sarraceno; uma investigação demonstrou que os que na sua dieta alimentar utilizavam trigo sarraceno, tinham conseguido diminuir os níveis do colesterol LDL e aumento do HDL.[3]

enquanto eu me deliciava com perguntas à volta do mesmo tema, ela deliciava-se com o meu chapéu.

e está cada vez mais bonita...




6.03.2014

porque também se vive de pão

Quando vim viver para o Alentejo trazia na boca o sabor de um outro pão alentejano, mais a sul, mais azedo, mais Pão.

Confesso que o pão que encontrei aqui não me encheu as medidas.

Além do pão que vou fazendo sempre que o tempo assim o permite, juntam-se algumas bolachas para acompanhar alguns queijos ou petiscos. (pão com passas, bolachas de parmesão, focaccia, pães de leite, pão com sementes e frutos secos, outros pães)

 há pouco tempo descobri estas tostas de pão alentejano e rendi-me.

são do Forno do Monte e têm sido a minha companhia em algumas insónias. 

há algum tempo que andava para experimentar as ovas de ouriço do mar e a combinação foi perfeita. 

com um forte sabor a mar, de cor alaranjada, rica em proteínas e carregadas de saudades de ti. 

estas ovas são da empresa Porto-Muiños e foram compradas no DeliDelux 

ainda de mar, experimentei no Peixe em Lisboa, uma alga que pode ser usada como substituto do sal. tem a consistência dos talos das "azedas", mas esqueci-me do nome... 

se desse lado houver quem me ajude agradeço. 

fiquei muito curiosa com estes outros produtos

3.14.2014

o tempo morno traz com ele a cor

cozinhar para mim é quase um acto de reflexão. não na comida em si, mas em tudo o que a envolve e dou por mim a olhar para a taça e achar que podia ser uma pintura.

por momentos lembrei-me de Tàpies e das nossas inúmeras partilhas.
das conversas que tínhamos há quinze anos e que levavam uma noite.

às vezes lembro-me de ti e sinto saudades.

como prometido a receita está no 220º.

 
dia 1 | porque não consegui desfazer-me desta caixa de ovos e passou literalmente a incubadora.

sim tenho de me agarrar ao novo livro

2.12.2014

pausas com amor

hoje decidi tirar a manhã para não fazer nada, e não fazer nada tinha esse propósito literal, mas o verbo dificilmente conjuga-se com o meu feitio.

o inicio de janeiro trouxe-me alfazema que há tanto tempo procurava.

faltava-me tempo para experimentar a melhor receita.

o mês de janeiro trouxe também o livro da Patricia.

eu conheci a Patricia em 2006 através do Flickr em que assinava como miosotiis. por essa altura criou-se um grupo bastante alargado de gente com vários interesses, ficámos amigos, houve encontros, partilharam-se mimos. (ainda hoje alguns permanecem)

somos muitos os que partilham deste sentimento de perda. o facebook trouxe um lado mais voyuer que não me agrada.

confesso que o que me fez comprar o livro da Patricia, foi uma entrevista que ambos deram, em que o Luís Alves refere-se a uma planta que poderia vir a ser a forma saudável de substituir o açúcar. falava da Stévia.

para quem como eu passa a vida em busca de uma alimentação rica e equilibrada, esta planta trouxe-me algum alento.

poder retirar o consumo de açúcar refinado como retirei o do sal, devolveu-me o sol que o tempo há muito tirou do céu.

quase não uso sal na comida.
este foi substituído na sua essência por aromáticas e o pouco que uso é sal marinho iodizado e com magnésio, fundamental para o funcionamento do sistema nervoso central.

confesso que sei pouco sobre esta planta e que gostaria muito de aceitar o convite do Luís para este workshop, não fosse ele tão longe.

mas ontem ao falar com a Patricia sobre o livro e pedindo-lhe mais receitas alternativas ao consumo de carne, dei por mim na página da alfazema.

deixei de lado todas as receitas que tinha em mente, e hoje, apesar de ter decretado uma manhã sabática acabei por experimentar a receita que vinha no livro.


pedi-lhe conselhos, truques escondidos. não há. a Patricia escreve como cozinha de mão cheia.
alterei apenas a quantidade de alfazema (coloquei um pouco mais)

a receita só não salta para o 220º, porque o livro merece ser comprado.


desejosa de estrear um dos presentes de natal do Duarte, fico-me pelo sonho de um dia poder ter uma horta assim...
à medida do consumo da casa. sem desperdícios.

11.25.2013

adoçar a vida

acredito que o carinho, a ternura, a confiança, a compreensão adoçam mais a vida do que o açúcar.

cá em casa temos um bom exemplo disso. o M. com todos os seus defeitos é uma criança doce, que sofre com as injustiças de outras crianças.

nunca foi de bater e em determinado momento senti-lhe uma tristeza sem fim. não sabe lidar com a maldade e chora. e dói tanto vê-lo chorar.

custa ainda mais forçá-lo a defender-se. que mundo é este que incita crianças a tornarem-se cães de luta.

com quase dez anos, o M nunca provou um rebuçado e este ano pela primeira vez uma pastilha surgiu-lhe na boca. de doces conta-se por uma mão aqueles que ele aceita.

o M. não precisa de açúcar para lhe adoçar a vida.

receita no 220º

11.11.2013

maybe or maybe not e as suas cambiantes


talvez tenha sido das receitas que mais estados de espírito despertou em mim.

tinha alguma expectativa nesta receita talvez pela complexidade que apresentava não na feitura, mas no tempo de espera.

ao fim de um dia e meio o resultado era só mais um pão de passas que eu achava que com outras receitas bem mais simples obtinha o mesmo resultado.

se o vou voltar a fazer? talvez não.

a meio do dia e sem esperar, a pessoa mais critica da casa disse-me que o pão estava óptimo. não fiquei convencida.

se o vou voltar a fazer? talvez não.

o almoço de domingo estava no forno e decidi fatiar algumas porções e colocar no forno. o pão ganhou o sabor e uma textura que não tinha até aí.

se o vou voltar a fazer? provavelmente sim.

no mesmo dia um jantar em casa de uma amiga e sem tempo para preparar alguma coisa, decidi fatiar o resto do pão. para conseguir fatias mais finas refrigerei-o durante meia hora no congelador.
comprovou-se a minha experiência da hora do almoço. tornou-se um pão guloso sem precisar de manteigas ou compotas para enganar o palato. A R. quis a receita.

se o vou voltar a fazer? sim

a receita no 220º

e parabéns a Jamie Oliver

11.04.2013

flores de outono

(...) Emblemáticas e caprichosas folhas, deixo-vos, pois já não me sois
          úteis,
Sem rodeios direi o que tenho a dizer,
Só a mim e aos companheiros hei-de cantar, jamais atenderei outra
          voz que não a sua,
Despertarei ecos imortais em todos os estados do meu país,
Aos amantes darei um exemplo que seja para sempre forma e vontade
em todos os estados do meu país,
Pronunciarei as palavras que exaltem a morte,
Dá-me então a tua música, ó morte, para estarmos em harmonia,
Dá-te a mim porque agora sei que acima de tudo me pertences e
          que tu e o amor estão inseparavelmente unidos,
Não permitirei que me enganes mais com isso a que chamava vida,
Porque enfim compreendo que és os conteúdos essenciais,
Que, por qualquer razão, te escondes nestas mutáveis formas de
          vida, e que elas existem sobretudo para ti,
Que, para além delas, surges e permaneces, tu, realidade real,
Que, sob a máscara das coisas materiais, aguardas pacientemente,
não importa quanto tempo,
Que, talvez um dia, tudo dominarás,
Que talvez dissipes todo este imenso desfile de aparências,
Que talvez seja para ti que tudo existe mas não perdura,

Mas tu perdurarás.

Walt Whitmam in Canto de Mim Mesmo, Assírio & Alvim

10.29.2013

chocolate


o céu cinzento ameaçava chorar. 
continha-se. 
e permaneceu assim quieto, imóvel.
a casa pedia mimos. calor. e chocolate.



a receita nos 220º

10.22.2013

nozes e arandos


ontem a casa foi invadida por cheiros de outono e por mimos para quem ainda vive no campo.

o cheiro e sabor do manjericão deu lugar a sabores mais quentes e devolveu-me à cozinha, pelo menos ao forno.

e devolveu-me também ao 220º que há quase um ano estava a marinar. esta receita encontra-se por lá


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