1.28.2015

Bastardo

o Bastardo tem tudo para ser o filho ilegítimo da cozinha portugesa, não fosse a capacidade de quebrar as regras cozinhando português e misturando culturas.

o Bastardo "é fruto do verdadeiro amor, o proibido", onde em nome de uma cozinha tradicional somos surpreendidos pela criatividade da cozinha contemporânea.



é impossível ficarmos indiferentes a esta magnífica luz que invade o espaço e a nossa alma.

com uma vista soberba para o Rossio, este espaço transmite uma calma traduzida entre a fusão do tradicional e o sofisticado.

o International Design Hotel recuperou a alma boémia do histórico Hotel Internacional com o propósito de "restituir o esplendor e as tertúlias culturais, de uma Lisboa despreocupada que procurava nos restaurantes dos hotéis os melhores locais para os prazeres da mesa, para a troca de ideias e até conspirações".



à mesa juntámos três pessoas importantes e ficámos a sonhar com o Verão que trouxe para outras mesas mais um punhado de gente do coração.

venha o Verão...

4/52

por cada dia que passa torna-se mais difícil uma fotografia, ou não mostra a cara ou são sempre com muitas palermices à mistura...

"Almada Negreiros: O que nunca ninguém soube que houve." - exposição que irei falar mais tarde

Nós, ainda do Museu da Eletricidade

e há sempre espelhos na nossa vida (Fábulas)

e exposições, livros, fotografias e cinema.

Burton Keaton (Fábulas) e finalmente conseguimos ver The Grand Budapest Hotel

e deixem-no voar (Parque das Nações)

A portrait of my son, once a week, every week, in 2015.

Shot on iphone 6

1.23.2015

deixarem voar

Ícaro de Federico Delicado foi o vencedor do Prémio Compostela para o melhor álbum ilustrado de 2014.

Um texto muito contemporâneo, capaz de "despertar as consciências, sendo simultaneamente provocador e esperançoso".

Segundo o júri, Ícaro presta homenagem a dois grandes criadores, Kafka e Edward Hopper.
um livro em que cada página abre a possibilidade de novas leituras.

um livro que é uma ode à diferença, obrigando à reflexão sobre como estamos a criar e a educar as nossas crianças. as conclusões precipitadas e superficiais que se fazem, as rotulagens que os adultos prontamente tiram da gaveta, sem muitas vezes avaliar todos os factos.

O lado mais cinzento e Hopperiano tem início quando um rapaz chega a um centro de acolhimento, tentando os assistentes descobrir o paradeiro dos seus pais, intrigados com as feridas que tem nas costas. Apesar dos rumores indicarem que o rapaz foi abandonado, este diz-lhes que os pais são pássaros, e que estão em trânsito entre os dois pólos de modo a viverem dois Verões num só. Pedro Miguel Silva

Por outro lado, as cores vivas surgem na dimensão fantástica, de contornos Kafkianos, quando o pai do rapaz vê surgir nas suas costas um par de asas, que o obrigarão a deixar o mundo convencional para procurar outras paragens que aceitem a diversidade e a diferença. Algum tempo depois, também a mãe levantará vôo, deixando o rapaz entregue ao seu sonho de se tornar, também ele, um pássaro. Pedro Miguel Silva

mas não são só os adultos que estão a perder esta capacidade de sonhar, ou será por culpa deles que vemos cada vez mais crianças presas, no modo de agir, de pensar, de julgar quem está mais próximo.
crianças presas às queixinhas, à mesquinhice tão própria de gente grande, mas muito pequena.


porque quero continuar a vê-lo preocupado com o bem estar dos amigos e a ser feliz e livre de participações porque alguém mais pequeno decidiu que atirar aviões de papel era passível de uma nota na caderneta.

não lhe cortem as asas, mesmo as dos aviões de papel...


como disse uma amiga "É muito perigoso ser-se feliz, estar bem, dizer o que se pensa e fazer o que se faz com honestidade e muito trabalho.Há sempre um parvalhão ressabiado"

3/52

atrasada claro, mas para não falhar a terceira semana, os treinos diários...

A portrait of my son, once a week, every week, in 2015.

Shot on iphone 6

1.13.2015

52 Project

a Julieta é movida por uma força da natureza quase inexplicável. é uma das minhas bloggers favoritas, com um olho e um sentido estético fantástico, aliados a um humor e a uma escrita deliciosa.

o ano passado estive tentada a abraçar este projecto. ela diz que falhou e eu nem sequer o comecei.
aparentemente determinada começo atrasada, mas sinto necessidade de o fazer porque o Manuel entrou na fase de não gostar de tirar fotografias e acredito que num futuro distante sinta a falta delas.

aqui ficam as duas primeiras semanas

2/52


Évora e sorrisos contagiantes.


1/52


Estremoz, feira de velharias e sempre à volta dos espelhos.

A portrait of my son, once a week, every week, in 2015.

Shot on iphone 6

mundos novos

começámos este novo ano sem pedir muito, mas agradecidos do ano que terminou porque foi um ano de decisões difíceis de tomar, mas que valeram a pena. estamos mais fortes e mais unidos.

comecei este ano a olhar para o mundo dos blogs e a ver que havia grandes perdas. gente que se cansou, gente que se calhar não sabia que era lida quase diariamente, gente que escreve com o coração na boca, que nem sempre mede as palavras certas para parecer bonito a quem lê.

gosto de gente honesta em sentimentos que não floreia a sua vida, que não traz para o espaço virtual uma virtual vida, que vive as palavras como da própria vida se se tratasse.

gosto de ti, de ti e de ti e também de ti, e de tantos outros que estão lá fora e de muitas mulheres e homens que escrevem com desenhos.

decidi terminar o meu período de nojo com um dos livros que ofereci ao Manuel, a quem todos os dias procuro passar o que realmente importa neste mundo, isto depois de ter ido à habitual reunião de notas em que vi pais revoltados por haver excesso de repetentes na turma dos filhos e por se tornarem maus exemplos. vi pais que não percebem que os filhos estão a crescer e que é normal a necessidade de se afirmarem. o Manuel faz parte de um grupo de cinco crianças que entrou para o quadro de honra e o seu melhor amigo é talvez um dos miúdos mais traquinas e que o insucesso escolar é visível, mas é a ele que o Manuel procura porque segundo ele, o D tem um bom coração.

If (Carta a um Filho) escrito em 1910 por Rudyard Kipling, é um poema duro, mas que evoca um mundo de valores nobres, mas acima de tudo cheio de luz.

Se fores capaz de não perder a cabeça quando todos à tua volta
Perdem a deles e te culpam por isso,
Se fores capaz de confiar em ti mesmo quando os outros duvidam,
Mas aceitando perguntar a ti mesmo se não terão um bocadinho de razão;

Se fores capaz de esperar sem deixar que a espera te canse,
Ou sendo alvo de calúnia te recusares a caluniar,
Ou sendo odiado não te deixares levar pelo ódio,
Sem te tornares sobranceiro, nem te perderes em palavras ocas;

Se fores capaz de sonhar, sem deixar que os sonhos te escravizem,
Se fores capaz de pensar , mas não cruzares os braços;
Se fores capaz de viver o Triunfo e a Desgraça
Tratando-os, a ambos, como os impostores que são;

Se fores capaz de suportar ver a verdade das tuas palavras
Deturpada  por velhacos para a transformarem em armadilha para os tolos;
Ou vendo as coisas a que dedicaste a vida, feitas em pedaços,
Te vergares para as reconstruíres com ferramentas já gastas;

Se fores capaz de juntar numa mão cheia todos os teus ganhos
E arriscá-los num "cara ou coroa",
Perder e começar do zero
Sem nunca soltar um lamento;

Se fores capaz de obrigar o teu coração, o teu espírito e o teu corpo
A servirem a tua vontade mesmo depois de exaustos,
E assim manteres-te de pé quando já nada resta dentro de ti
Excepto a força que lhe diz "Aguentem!";

Se fores capaz de falar às multidões sem perder a virtude, 
Caminhar com reis sem deixares de ser simples,
Se nem os teus inimigos, nem os teus amigos mais queridos te conseguem magoar,
Se todos os homens contam contigo, mas nenhum dispõe de ti;

Se és capaz de preencher o fugaz minuto
Com sessenta segundos vividos plenamente,
Tua é a Terra e tudo o que nela existe,
E - o que mais importa - serás um Homem, meu filho!

Segundo Mauro Evangelista, o autor das ilustrações desta edição da A Esfera dos Livros, 'toda a criança que seja educada na união do mundo mítico e do moderno pragmático poderá construir mundos novos.

que assim seja...

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