Primavera-me
o último fim de semana levou-nos ao Alentejo e percebo não com estranheza, mas sim com a certeza de ainda não ter conseguido pacificar-me. há muito que percebi que é necessário cumprir o tempo de nojo e sei que ainda não o fiz.
a casa grande apesar de continuar povoada de nós, parece sozinha e é estranho entrar...
o jardim perdeu a harmonia de outros tempos. mas no caos há quem resista
a magnólia esteve condenada à morte por três vezes.
a primeira vez fui dar com dois senhores a tentarem arrancá-la porque aparentemente estava morta, sem flores e folhas.
a segunda, um outro senhor, depois de descarregar uma tonelada de lenha e pensando que sabia do assunto resolveu podá-la na precisa altura em que despontavam os primeiros rebentos. nesse ano não houve flores.
a terceira vez foi literalmente comida pelo nosso cão.
para meu espanto lá estava ela, com meia dúzia de pernadas, mas altiva exibindo as suas flores.
a roseira brava há muito que se abraçou à buganvilia que ainda tem sinais das flores antigas, mas que em breve também se vestirá de cor
o jasmim está carregado de rebentos e a par com a hera ocuparam uma parede.
as laranjeiras estão carregadas e há roseiras teimosas que se juntam ao alecrim.
se tenho saudades?
talvez de um outro tempo...
delicio-me com a cidade que também se vestiu de primavera e aguardamos pela cor dos jacarandás
É o tempo
a casa grande apesar de continuar povoada de nós, parece sozinha e é estranho entrar...
o jardim perdeu a harmonia de outros tempos. mas no caos há quem resista
a magnólia esteve condenada à morte por três vezes.
a primeira vez fui dar com dois senhores a tentarem arrancá-la porque aparentemente estava morta, sem flores e folhas.
a segunda, um outro senhor, depois de descarregar uma tonelada de lenha e pensando que sabia do assunto resolveu podá-la na precisa altura em que despontavam os primeiros rebentos. nesse ano não houve flores.
a terceira vez foi literalmente comida pelo nosso cão.
para meu espanto lá estava ela, com meia dúzia de pernadas, mas altiva exibindo as suas flores.
a roseira brava há muito que se abraçou à buganvilia que ainda tem sinais das flores antigas, mas que em breve também se vestirá de cor
o jasmim está carregado de rebentos e a par com a hera ocuparam uma parede.
as laranjeiras estão carregadas e há roseiras teimosas que se juntam ao alecrim.
se tenho saudades?
talvez de um outro tempo...
delicio-me com a cidade que também se vestiu de primavera e aguardamos pela cor dos jacarandás
A Primavera
é o tempo das glicínias
das papoilas
e das flores amarelas nascerem nos campos
É o tempo
de fazer colares de flores










Quando tornar a vir a Primavera
ResponderEliminarTalvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
Para poder supor que ela choraria,
Vendo que perdera o seu único amigo.
Mas a Primavera nem sequer é uma cousa:
É uma maneira de dizer.
Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.
Há novas flores, novas folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete, porque tudo é real.
Alberto Caeiro