regressar independentemente do sítio, é, na maioria das vezes um processo complexo. o cérebro prega-nos rasteiras, sobretudo nesta coisa que é a infância. há uns bons anos regressei à minha escola primária. um momento de partilha revelou-se em algo totalmente novo.
estava no Estoril, numa das muitas escolas do Estado Novo, mas aquela caixa de fósforos não era a minha escola. não podia ser.
lembro-me do primeiro dia de escola em que três tentámos ficar na mesma carteira, o que se revelou impossível, de um rapazinho que chorava e da cara dos pais que esperavam expectantes pela nossa saída.
eram quatro salas, quatro anos. a minha irmã do meio estava no último ano quando eu entrei para a escola. ela pertencia aos crescidos. o recreio não sendo dividido acabava por ser porque não nos misturávamos. a medo percorria a escola de uma ponta à outra para a ver. era um feito.
era. mas é também uma mentira.
meia dúzia de passos e estaria na ponta oposta. senti-me pequena na mentira de ter uma escola grande. processei as rasteiras que o cérebro teima em nos pregar.
voltei novamente e já com o Manuel pela mão. depois de tantos anos houve um momento de partilha, realista e com menos coração na boca.
Regresso de Natalia Chernysheva, é um livro sem palavras que relembra-nos tão bem estes momentos, como num piscar de olhos passamos de anões a gigantes e vice-versa.
são cheiros, sabores, sons, afectos que mudam a nossa forma de ver e estar. um livro carregado de poesia.
hoje era o teu dia de anos, fazes-me falta. fazes-nos falta.
um dia ainda vou cumprir aquela lista que tu teimaste em acrescentar nomes.
lembro-me dos últimos dias que passaste lá em casa e da última exposição que vimos juntos. dizias-me; - sei quais são os teus preferidos...
deste-me 6 meses de sobrevivência no Alentejo e contra todas as expectativas permaneci tempo demais.
já estamos em Lisboa e preciso tantas vezes de ti
também aqui já há flores a despontar
estava no Estoril, numa das muitas escolas do Estado Novo, mas aquela caixa de fósforos não era a minha escola. não podia ser.
lembro-me do primeiro dia de escola em que três tentámos ficar na mesma carteira, o que se revelou impossível, de um rapazinho que chorava e da cara dos pais que esperavam expectantes pela nossa saída.
eram quatro salas, quatro anos. a minha irmã do meio estava no último ano quando eu entrei para a escola. ela pertencia aos crescidos. o recreio não sendo dividido acabava por ser porque não nos misturávamos. a medo percorria a escola de uma ponta à outra para a ver. era um feito.
era. mas é também uma mentira.
meia dúzia de passos e estaria na ponta oposta. senti-me pequena na mentira de ter uma escola grande. processei as rasteiras que o cérebro teima em nos pregar.
voltei novamente e já com o Manuel pela mão. depois de tantos anos houve um momento de partilha, realista e com menos coração na boca.
Regresso de Natalia Chernysheva, é um livro sem palavras que relembra-nos tão bem estes momentos, como num piscar de olhos passamos de anões a gigantes e vice-versa.
são cheiros, sabores, sons, afectos que mudam a nossa forma de ver e estar. um livro carregado de poesia.
hoje era o teu dia de anos, fazes-me falta. fazes-nos falta.
um dia ainda vou cumprir aquela lista que tu teimaste em acrescentar nomes.
lembro-me dos últimos dias que passaste lá em casa e da última exposição que vimos juntos. dizias-me; - sei quais são os teus preferidos...
deste-me 6 meses de sobrevivência no Alentejo e contra todas as expectativas permaneci tempo demais.
já estamos em Lisboa e preciso tantas vezes de ti
também aqui já há flores a despontar














































