1.13.2015

mundos novos

começámos este novo ano sem pedir muito, mas agradecidos do ano que terminou porque foi um ano de decisões difíceis de tomar, mas que valeram a pena. estamos mais fortes e mais unidos.

comecei este ano a olhar para o mundo dos blogs e a ver que havia grandes perdas. gente que se cansou, gente que se calhar não sabia que era lida quase diariamente, gente que escreve com o coração na boca, que nem sempre mede as palavras certas para parecer bonito a quem lê.

gosto de gente honesta em sentimentos que não floreia a sua vida, que não traz para o espaço virtual uma virtual vida, que vive as palavras como da própria vida se se tratasse.

gosto de ti, de ti e de ti e também de ti, e de tantos outros que estão lá fora e de muitas mulheres e homens que escrevem com desenhos.

decidi terminar o meu período de nojo com um dos livros que ofereci ao Manuel, a quem todos os dias procuro passar o que realmente importa neste mundo, isto depois de ter ido à habitual reunião de notas em que vi pais revoltados por haver excesso de repetentes na turma dos filhos e por se tornarem maus exemplos. vi pais que não percebem que os filhos estão a crescer e que é normal a necessidade de se afirmarem. o Manuel faz parte de um grupo de cinco crianças que entrou para o quadro de honra e o seu melhor amigo é talvez um dos miúdos mais traquinas e que o insucesso escolar é visível, mas é a ele que o Manuel procura porque segundo ele, o D tem um bom coração.

If (Carta a um Filho) escrito em 1910 por Rudyard Kipling, é um poema duro, mas que evoca um mundo de valores nobres, mas acima de tudo cheio de luz.

Se fores capaz de não perder a cabeça quando todos à tua volta
Perdem a deles e te culpam por isso,
Se fores capaz de confiar em ti mesmo quando os outros duvidam,
Mas aceitando perguntar a ti mesmo se não terão um bocadinho de razão;

Se fores capaz de esperar sem deixar que a espera te canse,
Ou sendo alvo de calúnia te recusares a caluniar,
Ou sendo odiado não te deixares levar pelo ódio,
Sem te tornares sobranceiro, nem te perderes em palavras ocas;

Se fores capaz de sonhar, sem deixar que os sonhos te escravizem,
Se fores capaz de pensar , mas não cruzares os braços;
Se fores capaz de viver o Triunfo e a Desgraça
Tratando-os, a ambos, como os impostores que são;

Se fores capaz de suportar ver a verdade das tuas palavras
Deturpada  por velhacos para a transformarem em armadilha para os tolos;
Ou vendo as coisas a que dedicaste a vida, feitas em pedaços,
Te vergares para as reconstruíres com ferramentas já gastas;

Se fores capaz de juntar numa mão cheia todos os teus ganhos
E arriscá-los num "cara ou coroa",
Perder e começar do zero
Sem nunca soltar um lamento;

Se fores capaz de obrigar o teu coração, o teu espírito e o teu corpo
A servirem a tua vontade mesmo depois de exaustos,
E assim manteres-te de pé quando já nada resta dentro de ti
Excepto a força que lhe diz "Aguentem!";

Se fores capaz de falar às multidões sem perder a virtude, 
Caminhar com reis sem deixares de ser simples,
Se nem os teus inimigos, nem os teus amigos mais queridos te conseguem magoar,
Se todos os homens contam contigo, mas nenhum dispõe de ti;

Se és capaz de preencher o fugaz minuto
Com sessenta segundos vividos plenamente,
Tua é a Terra e tudo o que nela existe,
E - o que mais importa - serás um Homem, meu filho!

Segundo Mauro Evangelista, o autor das ilustrações desta edição da A Esfera dos Livros, 'toda a criança que seja educada na união do mundo mítico e do moderno pragmático poderá construir mundos novos.

que assim seja...

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Zé, todos os dias são um desafio para que no final do dia possamos deitar as cabeças, tranquilos de que nos esforçámos por tentarmos ser melhores. Nem sempre conseguimos...

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