12.11.2014

de um outro campo

são muito mais do que 180 km o que nos separa. um amigo em conversa acha que fui demasiado cedo viver para o "campo" o que contribuiu para o desgosto que sinto por Avis.
não criei anticorpos e não chego ao sectarismo do FJV ao dizer que a única coisa boa que existe em Avis é o Montinho, não para além do Montinho há um bom punhado de amigos que estão lá e que me deixam com saudades.

reservamos alguns fins de semana para voltar, mas ainda é duro, talvez porque a casa ainda seja um extensão do meu corpo, porque os livros, a música e a maioria dos objectos ainda estão lá. volto quase sempre com um nó na garganta ainda incapaz de, e à semelhança de outros amigos que também têm casa lá, sentirem a terra ou melhor a casa como um refúgio, um descanso.

mas o Alentejo não é Avis e o último fim de semana foi passado na herdade de um amigo, na Vidigueira, é prova de que o campo também me corre nas veias. percebi uma vez mais que os amigos são pilares importantes para a nossa sanidade.

ou desgraça... segundo um provérbio muçulmano "em casa dos meus amigos o pecado fica para os meus amigos", o que permitiu falsamente aliviar a consciência de estar a beber um branco ao meio dia acompanhado de queijos e enchidos.

o Manuel cresceu a ver casas com história a serem reconstruídas, à mãe a ser uma espécie de respigadora de objectos, o que contribuiu para que hoje só peça uma casa bonita, mas NOVA.
apesar de todos os problemas que as casas antigas têm, mesmo depois de recuperadas, a manutenção é um deles, é nestes detalhes que encontro alimento para a alma.




e também nas histórias que as casas encerram, dentro ou fora das suas paredes.



e podia ter passado os dias a fotografar, só, os azulejos

os de fora...





...e alguns de dentro.





como se não bastasse as conversas, os passeios, os almoços, no último dia fomos sobejamente presenteados, mas sobre isso fica o próximo post, porque fez a nossa e sobretudo a delícia do Manuel.




1 comentário:

  1. que delícia! percebo o que dizes e eu embora me sinta em boa parte, pessoa do campo, tenho a certeza que só me devo destinar-lhe bem mais tarde e não agora. E numa casa antiga, a extravasar de história(s), sempre. ;)

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