7.11.2014

gerações

este ano começou com dois livros e os habituais ateliês que costumo orientar, mas em moldes diferentes, o que para mim foi de certa forma gratificante porque se estreitaram laços que eram praticamente impossíveis de acontecer quando saltitava de turma em turma, de escola em escola.

este ano começou com um outro grande desafio: dar aulas a pessoas velhas. sim, são velhos. a pessoa mais nova tem 75 anos e o resto passou há muito a casa dos 80. sim, são velhos, mas são autónomos, capazes, bonitos, mesmo com as suas maleitas.

este ano trouxe-me este doce sabor que desconhecia, e, apesar de continuar a dar os ateliês aos mais pequeninos, é com estes velhos que me sabe bem estar. que me abraçam, que por vezes me dão comida à boca porque tenho as mão sujas de tinta, que me dizem que estou bonita e a quem beijo na testa.

por estes dias uma das minhas velhinhas ofereceu-me este fatinho de bebé, feito à mão pela sogra e segundo ela, com mais de 80 anos.


não sei se tem 80 anos, mas sei que é bonito e feito com uma perfeição invejável.

os cinco botões de madrepérola escondem pequeninas molas de pressão para se tornar mais fácil o vestir.

o que me custa é o apego que ganho a objetos assim cheios de histórias por contar.

e porque vamos mudar de casa, sei que há objetos que tenho de largar, simplesmente porque acho que não devem ficar guardados numa caixa à espera de novos tempos.

por esse motivo aparecerão imagens de algumas peças que o valor é relativo, mas que em determinado momento significaram muito para mim e que por essa razão só oferecerei a quem realmente gostar muito delas.

(as peças estarão identificadas e o pedido deverá ser feito para o mail rreimao@gmail.com)

e ainda de roupas pequeninas perco-me na doçura da Tocotó Vintage.

e que a velhice nunca vos passe...

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