3.13.2014

como no trapézio

eu saltito de tema, mas dou por mim sempre com a necessidade de acrescentar mais a determinados posts.

já tinha dito que aquilo que mais gostei na Ilustrarte deste ano foi a exposição de Chiara Carrer. gosto do trabalho dela. extremamente plástica.
é bom continuar a encontrar gente que gosta de sujar as mãos.

de toda a exposição, saltaram muitos livros para a minha lista, houve um que teve um particular impacto. não pelo traço que é magnífico, mas pelo tema que sempre gerou em mim uma dualidade de sentimentos.

nunca me imaginei como saltimbanco. preciso de criar raízes para a minha sobrevivência.

mas gosto das personagens e das histórias que cada uma carrega.

não gosto de ir ao circo. em boa verdade fui duas vezes.

a primeira não conta porque era uma miúda tia de 12 ou 13 anos que lhe confiaram o sobrinho de 7 ou 8 em pleno Campo Pequeno. (nos dias de hoje acho que era impensável)

dessa ida só me lembro de duas coisas o medo de perder o miúdo de vista e dos leões que teimavam em usar a arena como um bacio gigante.

chegou para mim. disse nunca mais.

aprendi anos depois que nunca digas nunca.



e lá estava eu com o M. num circo não o Chen, mas num circo de província.

sim foi o espectáculo mais deprimente que vi em toda a minha vida.

os leões não fizeram cocó na arena, porque não havia leões.

os leões foram substituídos por 6 caniches de cor incerta de tão sujos que estavam.

não havia meninas no trapézio, nem malabaristas ágeis. havia dois ou três personagens que alternavam os números entre si.


sinto-me a quarta personagem, da terceira fila a contar da esquerda para a direita.

chegou para mim. voltei a dizer nunca mais.

para mim circo é o grande livro de David Toscana, Santa Maria do Circo.

para mim circo são estes objectos

e não podia esquecer-me do vídeo dos The Soaked lamb de que faz parte o meu amigo Afonso, Palhaços.


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