morreste-nos
não quero saber há quanto tempo foi, as datas têm a importância que nós lhes queremos dar, e tu continuas a ser importante todos os dias.
hoje, de uma forma mais lúcida digo-te que me falta a companhia, as conversas, o homem.
hoje, e ao contrário de tantos outros posts não me vou alongar.
hoje, consciente da perda digo-te que a vida não tinha o direito de ter saído de ti.
hoje, e porque sempre apoiaste o meu trabalho esta ilustração
hoje, e porque há muito que não falo de livros
com texto do conhecido contador de histórias, Tim Bowley e magníficas ilustrações de Natalie Pudalov.
"Jack percebeu que era a Morte e que vinha buscar a sua mãe."
na tentativa de contrariar a vida, ou melhor a Morte, Jack desafia-a para provar quem realmente era.
desafio atrás de desafio
até ser capaz de a fazer entrar num frasco tão pequeno impedindo-a de sair.
e o rapaz voltou para casa.
e encontrou a mãe capaz de sobreviver-se.
estranhamente nada até ali morreu.
tudo à sua volta alterava-se, e a Vida que é vida deixou de o ser, mas não era morte, porque a Morte continuava presa naquele pequeno frasco.
por muito que quisesse parar a morte, Jack sabia que não o podia fazer por muito mais tempo.
e libertou-a.
"Obrigada, Jack - disse a morte.
Talvez agora entendas que não sou inimiga da vida.
Eu e ela somos duas caras da mesma moeda.
Sem mim, a vida não existiria."
"Jack ficou na praia,
observando o vaivém das ondas.
Ao entardecer , levantou-se e voltou para casa.
Lá encontrou a mãe,
sentada na sua cadeira preferida,
com um sorriso desenhado no rosto,
morta."
este é um dos muitos livros (1, 2, 3 e 4) que temos sobre a morte e que têm sido a forma que encontrei para ajudar o Manuel a perceber esta ausência de vida.
e lembrando-me de um título de Antonin Artaud, o suicidado da sociedade, há pessoas que se nos matam

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Triste mas Lindo.
ResponderEliminarapesar de tudo há pessoas que permanecem para sempre vivas. um beijo Ana
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