2.27.2014

morreste-nos


não quero saber há quanto tempo foi, as datas têm a importância que nós lhes queremos dar, e tu continuas a ser importante todos os dias.

hoje, de uma forma mais lúcida digo-te que me falta a companhia, as conversas, o homem.

hoje, e ao contrário de tantos outros posts não me vou alongar.

hoje, consciente da perda digo-te que a vida não tinha o direito de ter saído de ti.

hoje, e porque sempre apoiaste o meu trabalho esta ilustração


hoje, e porque há muito que não falo de livros

com texto do conhecido contador de histórias, Tim Bowley e magníficas ilustrações de Natalie Pudalov.

"Jack percebeu que era a Morte e que vinha buscar a sua mãe."

na tentativa de contrariar a vida, ou melhor a Morte, Jack desafia-a para provar quem realmente era.

desafio atrás de desafio

até ser capaz de a fazer entrar num frasco tão pequeno impedindo-a de sair.
e o rapaz voltou para casa.


e encontrou a mãe capaz de sobreviver-se.


estranhamente nada até ali morreu.

tudo à sua volta alterava-se, e a Vida que é vida deixou de o ser, mas não era morte, porque a Morte continuava presa naquele pequeno frasco.

por muito que quisesse parar a morte, Jack sabia que não o podia fazer por muito mais tempo.

e libertou-a.

"Obrigada, Jack - disse a morte.
Talvez agora entendas que não sou inimiga da vida.
Eu e ela somos duas caras da mesma moeda.
Sem mim, a vida não existiria."



"Jack ficou na praia,
observando o vaivém das ondas.

Ao entardecer , levantou-se e voltou para casa.

Lá encontrou a mãe,
sentada na sua cadeira preferida,
com um sorriso desenhado no rosto,
morta."

este é um dos muitos livros (1, 2, 3 e 4) que temos sobre a morte e que têm sido a forma que encontrei para ajudar o Manuel a perceber esta ausência de vida.

e lembrando-me de um título de Antonin Artaud, o suicidado da sociedade, há pessoas que se nos matam


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