12.31.2013

Ulysses por Ullysses

a compra deste livro foi uma agradável surpresa. no natal ofereceram um livro da série Ulysses Moore ao Manuel, mas porque os olhos dele já tinham "passado" por todos os livros publicados lá fui eu à Fnac com o talão de troca.

num primeiro instante arrependi-me de ter entrado, na recente, Fnac das Amoreiras, é pequena, o que podia não ser de todo mau, mas é pobre. a secção infantil é quase inexistente, mas no momento em que me preparava para desistir o nome de Joyce apareceu.

desconhecia por completo que James Joyce algum dia teria escrito para crianças, mas depois de dar uma breve vista de olhos resolvi trazer.

houve quem brincasse comigo que troquei um Ulysses por outro.

este livro existe porque esta história em particular foi escrita para o seu neto, Stephen Joyce, a 10 de agosto de 1936.

no início era apenas uma carta, mas acabou por ser publicada em “Cartas de James Joyce”, em 1957.
uma simples carta de um avô para um neto transformou-se num livro para crianças e a primeira edição é de 1964 e ilustrada por Richard Erdoes.(1912-2008)

em 1981 a Schoken Books com a mão de Roger Blanchon lança a segunda edição deste livro.



a nossa edição foi originalmente publicada em 2005 por uma editora croata que conta com as fabulosas ilustrações de Tomislav Torjanac, mas que chega a Portugal apenas em 2013 pelas mãos da Nova Vega.

claro eu sinto-me dividida entre estas ilustrações e as de Richard Erdoes.

"o gato e o diabo" é uma mistura incongruente, mas deliciosa entre o humor irlandês e as tradições populares francesas e conta-nos como uma ponte foi construída apenas em uma noite sob um pacto entre o diabo e o "presidente da câmara".

esta ponte sobre o rio Loire existe e apesar de se poder duvidar da veracidade da história ainda hoje se pode caminhar e brincar sobre ela.

a lenda conta que em troca do diabo construir a ponte em uma noite a primeira alma a passar por ela seria-lhe entregue.

após a conclusão da ponte ninguém se atreveu a passar e o presidente enviou um gato para o outro lado da ponte cumprindo a sua parte do acordo.

apesar de ter cumprido a sua parte do trato, o diabo sentiu-se defraudado pois esperava uma alma humana.
mas como um verdadeiro cavalheiro retira-se elegantemente.


Joyce escreve num discurso directo avô-neto, mas no fim não resiste a um jogo de palavras e auto referência.

na versão original Richard Erdoes também não resiste e retrata-se na cena final da ponte onde diz que a "ponte ainda lá está e há sempre meninos a brincar..."

que o próximo ano venha carregado de saúde para continuarmos a ler deliciosas histórias.
nós vamos fazer as malas e vamos a casa mais uns dias

Sem comentários:

Enviar um comentário

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...