10.30.2013

pereira-brava



o frio começa a chegar. aos poucos apodera-se das mãos e penetra-nos no corpo. o sol morno não chega para afagar.

ainda há tiques estivais que levam a parar o carro debaixo de uma árvore. ainda bem. 

a terra está pincelada de pontos pouco maiores do que uma noz.

a Pyrus bourgeana, ou pereira(o)-brava está ali há tanto tempo que o tempo encarregou-se de lhe dar um porte que não o dela. 

por momentos assemelhava-se a uma azinheira de tronco robusto e uma ramagem que queria tocar o céu. as árvores são como as pessoas parecem-se com quem gostam de estar. 

um fruto carnudo quase esférico emana o cheiro das pêras. alguns apodrecem por dentro na sua velhice. 

ninguém toma conta dela. palavras de quem a trata por tu. 

hoje, serve a sombra. e os frutos caídos de alimento a pequenos roedores.
se hoje já não há quem cuide dela que sejam os animais os dispersores da sua semente. 
como os filhos.

lembrei-me deste post de 2009

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