10.04.2013

o mais certo é sermos feitos dos cheiros que a nossa memória guarda

o mais certo é sermos feitos dos cheiros que a nossa memória guarda.
sem me aperceber muito bem como, sei que guardo recordações associadas a cheiros. da ninha infância há estes livros que consegui recuperar, e que, hoje, ainda lhes sinto o cheiro. em boa verdade já não têm cheiro nenhum, mas dentro de mim é de tal forma intenso e presente, que é impossível olhar para eles e não o sentir.
no último ano letivo ao entrar numa escola - e foram muitas -, senti o cheiro da minha. por alguns instantes senti a necessidade de ficar ali sozinha e recuar no tempo.
nem todos os cheiros estão associados a momentos felizes. a morte da minha mãe veio se ser anunciada. foi cedo, demasiado cedo. e eu esqueci. esqueci o dia. o tempo era este. morno. com as primeiras chuvas a fazerem-se sentir. sinto o cheiro da relva. da água que corria em cascata. nesse dia senti uma calma que mais tarde e inevitavelmente se transformaria em dor.
os lanches eram sempre com a casa cheia de miúdos. o cheiro era tão presente. as panquecas eram grandes. o estômago ficava reconfortado com a primeira. a segunda era gula. hoje faço-as pequenas para perdurar o prazer. o mais certo é sermos feitos dos cheiros que a nossa memória guarda.

o blog da BOCA, palavras que alimentam, vai apresentar no Porto, dia 6, o primeiro audiolivro com 35 contos dos irmãos Grimm. A apresentação insere-se nas festas de outono da Fundação Serralves. cá em casa vamos esperar pelo dia 26 em Lisboa na lindíssima Biblioteca de São Lázaro, a biblioteca que guarda a maior coleção de literatura infantil.

1 comentário:

  1. O cheiro é um dos sentidos que tenho mais apurados e através dele viajo muitas vezes no tempo.

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