10.23.2013

Gianni Rodari




A 23 de Outubro de 1920 nascia Gianni Rodari (1920-1980). Com um percurso inicialmente ligado ao ensino, decide matricular-se na Faculdade de Línguas da Universidade Católica de Milão, mas cedo decide interromper e regressar a Omegna, cidade que o viu nascer.
Quando a Itália começa a participar ativamente na II Grande Guerra, Rodari é recusado por ter uma saúde frágil. Neste período conhece alguns membros do Partido Comunista Italiano, que não só, o leva à clandestinidade, durante a época da Resistência, mas também ao jornalismo.
Um jornalismo comprometido, perto das pessoas mais desprotegidas, marginalizadas, é um passo até à literatura. É no L’Unitá que descobre a vocação para a literatura infantil, onde nascem as suas primeiras “Filastrocche”, quadras e ladainhas ligadas à poesia popular italiana, mas carregadas de uma forte dose humorística.

Em 1970 recebe o prémio
Hans Christian Andersen.

Sem deixar o jornalismo, nem a escrita infantil, regressa ao seu percurso inicial. O contacto direto com as crianças permite-lhe consolidar a sua maior contribuição para a pedagogia com o livro “A Gramática da Fantasia”, de 1973.

“A presenteGramática da Fantasia - este parece-me o momento para aclará-lo definitivamente – não é nem uma teoria da imaginação infantil, nem uma coleção de receitas, uns “sabores” das histórias, mas sim, creio, uma proposta para por junto a outras tantas que tendem a enriquecer de estímulos o ambiente (casa ou escola) no qual a criança cresce. A mente é uma. A sua criatividade dever ser ser cultivada em todas as direções. As fábulas (escutadas ou inventadas) não são “tudo” o que serve à criança. O uso livre de todas as possibilidades da língua não representa mais que uma das direções em que pode expandir-se. Mas tudo está. A imaginação da criança estimulada para inventar palavras, aplicará seus instrumentos sobre todos os aspetos de sua experiência que desafiem sua criatividade. As fábulas servem às matemáticas como as matemáticas servem às fábulas” Gramática da Fantasia.
Nos seus livros Rodari propõe-nos um sem número de jogos linguísticos com a realidade.

Cá em casa mora “O que é preciso”, um livro onde a simplicidade do texto, um raciocínio dedutivo e as ilustrações de Silvia Bonanni são os ingredientes para tornar este livro fabuloso.
A narrativa desenvolve-se em torno de um objeto do quotidiano culminando no que há de mais profundo e mais perfeito na natureza.

Editado em português temos “O que é preciso” , “Baralhando histórias (Kalandraka), “Animais sem Jardim Zoológico”, “Alice entre as Gravuras” (Dinalivro), “Histórias ao telefone” e “Novas Histórias ao telefone”  (Teorema), “Era duas vezes o Barão Lamberto” (Martins Fontes)
E por último a “Gramática da fantasia”, claro, editado pela Caminho e que a capa fica tão longe da edição brasileira.


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