7.19.2012

a mãe que chovia

Desde pequena que tenho por maior amigo os lápis. Tive a infância povoada de cores e nunca me preocupei em querer ser outra coisa que passasse além do rabiscar. Não sabia o que realmente viria a ser, mas passava por esta coisa mágica que é dar vida a quem vive no papel.
Hoje e porque tenho os livros por companhia, penso que escrever podia ser o sonho escondido. Escrevo melhor na cabeça. Fico-me pela leitura de quem tem a consciência das letras de outros.
Já gostava de José Luís Peixoto, mas a sua estreia na literatura infantil com o livro “A Mãe Que Chovia” é prova de um novo grande homem das letras.
Um livro de uma ternura invulgar e de uma simplicidade ao mesmo tempo desarmante. Um filho da chuva que se vê obrigado a partilhar o amor da mãe. Uma partilha difícil que só um amor incondicional permite. Um livro de partilhas.
“Eu tenho a certeza de ti, tu tens a certeza de mim” e a vontade de acolchoar o mundo. 

7.18.2012

leituras






















há um bom par de anos li uma crónica de Miguel Esteves Cardoso em que vociferava contra alguns intelectuais sobre esta coisa dos livros. A questão não era a leitura no seu exercício mais simples, mas uma leitura dos GRANDES. Senti que lhe significou o maior desprezo. Gostei. MEC metaforizou com a barriga. Não morremos de fome por não termos um bom bife e se é verdade que nem só de pão vive o homem, é mais do que verdade, que na "falta de um bom livro lê-se uma merda qualquer". Marcou-me. Marcou-me durante estes anos.
Ao folhear a revista Ler parei no top de vendas e senti um murro no estômago. Não há dinheiro. Não há dinheiro para nada. E se em muitas casas deixou de haver dinheiro para um bom bife custa-me que se gaste dinheiro em "merda de livros". Desculpe MEC, mas não volto a invocar a sua frase.

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