6.18.2012

a ilha




















com o fim das aulas é tempo de brincadeiras, de amigos que dormem por cá e até de novos amigos, e como é fácil para eles fazer amigos.
cheios de sonhos, pouco ou nada é intransponível. que seja assim enquanto dure.


é tempo de o acompanhar mais nas leituras e de desafios.
enquanto escrevia para a página infantil do DA, pedi-lhe que me fizesse o resumo do livro. um truque, ou aquilo que eu gosto de pensar, criatividade na abordagem, a verdade é que fez um belíssimo texto.



A Ilha” conta-nos a história de uma grande empreitada motivada pelo desejo que os habitantes tinham em criar uma ligação, uma ponte para o continente.

Com texto de João Gomes de Abreu e com ilustrações de Yara Kono, é um livro que fala muito dos nossos dias, sobre empreitadas, expectativas e sonhos. Aqui o problema é que o sonho era demasiado alto, a expectativa destes ilhéus ultrapassou em grande aquilo que se podia ter como certo. Perceberam isso quando ao construir uma ponte tão grande entre o seu ilhéu e o continente acabaram por destruir a sua “casa”. 

João Gomes de Abreu apesar de ter nascido em Moçambique viveu os seus primeiros tempos na ilha da Madeira. Embora hoje seja um continental sabe como é viver assim rodeado de sonhos.


Os livros vão passando e cada vez gosto mais do trabalho da Yara (lei-a aqui), que ao mesmo tempo me lembra muito o trabalho de Paloma Valdivia

6.12.2012

dever cumprido




































Com o último livro acabado e entregue na gráfica e com o fim de dois meses e meio de ateliers pelas escolas públicas de Lisboa, sente-se no corpo o cansaço do dever cumprido, mas com muitas dúvidas sobre o ensino. sinto que não estamos a preparar meninos e meninas para este século.

pouco preparados para o raciocínio, para o pensamento e muito agarrados a manuais. continuo a ver a preocupação de não se sair do risco. e como é bom pisar o risco. todos o pisámos seja no papel, seja na vida. faz-nos crescer. torna-nos melhores.

destes últimos meses trago abraços, sorrisos, colos, danças, meninos que pedem para os levarmos para casa. trago o coração na boca. do bom e às vezes também do menos bom.

regresso a casa, ao meu, porque também precisa de abraços, de colo, de beijos inventados e partilhados com nomes que são só nossos com uma linguagem própria de um código secreto. dos dois.
regresso a casa e vejo, que embora não pareça ele vai-me seguindo, e no fim há um pouco de mim no trabalho dele.

6.10.2012

Maria Keil

































andamos demasiado ocupados para nos apercebermos as perdas que sofremos todos os dias. perdemos sorrisos, perdemos a hipótese de nos verem sorrir, perdemos afectos, perdemos quem nos diz muito. perdemos. nessa altura questionamos a nossa existência, a vida, as coisas pequenas, as que não fazem sentido.


hoje estamos mais pobres, não pela artista Maria Keil, por isso também, mas porque morreu a mulher Maria Keil, parte de uma geração que acima de tudo acreditava em si, longe da "cagança".


mais do que fonte de inspiração, foi para o meu crescer fonte de colo. do meu e do dele.


"Os presentes" livro pertencente à colecção Histórias de "amor de mais" são o reflexo de Maria Keil enquanto ilustradora e autora, "que é bom gostar de ti"

ilustrou, pintou, escreveu, desenhou móveis, cenários e figurinos para bailados. Fez publicidade e criou imagens para selos, mas foi no inovador trabalho de azulejaria, presente em nove estações de metro de Lisboa, que Maria Keil mais oposição encontrou. "Isso não se faz. Uma pintora não se rebaixa a isso", diziam-lhe os "grandes", como lhes chama. "Agora, o azulejo é um negócio da China."  in Público.

a propósito de azulejos, dois painéis que estão na escola Victor Palla, onde recentemente estive com um grupo de crianças. nada têm de arte menor. 

de 1953 os dois primeiros são de Sá Nogueira e os dois últimos de Bento de Almeida, que tive o privilégio de conhecer, mas a precisarem rapidamente que alguém olhe para eles enquanto ainda existem.


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