11.07.2012

é assim




Há dias falava com um amigo sobre esta estranha relação que se pode ter com os livros. Os livros são o amor de uma vida que não queremos perder. São a paixão arrebatadora que nos esmaga, que nos leva a noites perdidas. Mas são também desamores, desilusões que nos impelem ao virar de página e a partir para uma nova história.
Dei por mim com um sentimento contrário ao que era de esperar. Apaixonei-me pelo último livro de Paulo Lins, “Desde que o samba é samba”. Pela própria narrativa passada no final dos anos 20 e início dos anos 30 de 1900, onde o cruzamento de culturas, a prostituição que chegava da europa, a vadiagem, os proxenetas, a música nos bares em modo quase clandestino, e este modo carnal com que Lins escreve, cresce e transforma-se em arte. Prende-nos em cada palavra. Ao contrário do que diria O’Neill não se estranha, mas entranha-se. De tal modo que dou por mim a não querer acabá-lo, com o mesmo receio de perder um grande amor. Do medo da escrita de uma próxima leitura. Neste momento é tudo muito visceral e quero que permaneça assim. Por mais um pouco.
Ainda da minha estranha relação com as letras uma mania que me persegue há muitos anos. Detesto o acumular de jornais e revistas. Rasgo aquilo que me interessa para saborear mais tarde. O problema é que se acumulam demais

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