6.10.2012

Maria Keil

































andamos demasiado ocupados para nos apercebermos as perdas que sofremos todos os dias. perdemos sorrisos, perdemos a hipótese de nos verem sorrir, perdemos afectos, perdemos quem nos diz muito. perdemos. nessa altura questionamos a nossa existência, a vida, as coisas pequenas, as que não fazem sentido.


hoje estamos mais pobres, não pela artista Maria Keil, por isso também, mas porque morreu a mulher Maria Keil, parte de uma geração que acima de tudo acreditava em si, longe da "cagança".


mais do que fonte de inspiração, foi para o meu crescer fonte de colo. do meu e do dele.


"Os presentes" livro pertencente à colecção Histórias de "amor de mais" são o reflexo de Maria Keil enquanto ilustradora e autora, "que é bom gostar de ti"

ilustrou, pintou, escreveu, desenhou móveis, cenários e figurinos para bailados. Fez publicidade e criou imagens para selos, mas foi no inovador trabalho de azulejaria, presente em nove estações de metro de Lisboa, que Maria Keil mais oposição encontrou. "Isso não se faz. Uma pintora não se rebaixa a isso", diziam-lhe os "grandes", como lhes chama. "Agora, o azulejo é um negócio da China."  in Público.

a propósito de azulejos, dois painéis que estão na escola Victor Palla, onde recentemente estive com um grupo de crianças. nada têm de arte menor. 

de 1953 os dois primeiros são de Sá Nogueira e os dois últimos de Bento de Almeida, que tive o privilégio de conhecer, mas a precisarem rapidamente que alguém olhe para eles enquanto ainda existem.


2 comentários:

  1. Rute,
    PARABÉNS pelo seu trabalho, pelo blogue, por este texto fantástico sobre Maria Keil!

    Fátima

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  2. obrigada Fátima. há pessoas que nos dão afectos, mas há quem eu julgo ser pessoas de afectos. um abraço

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