2.24.2012

Pessoas




A menos de um mês de irmos para São Paulo, fizemos a antecipação de um Museu que temos nos programa e fomos ver à Gulbenkian, "Fernando Pessoa, plural como o universo"

A exposição foi criada originalmente para o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, numa colaboração com a Fundação Roberto Marinho. Uma exposição que ganhou muito com este novo espaço, onde ao contrário do Rio de Janeiro, onde também esteve patente, aqui, foi possível a realização da concepção cenográfica na íntegra.
Uma exposição montada, toda ela, num ambiente interactivo, mas que não deixa de lado a pessoa que é Pessoa, com os seus manuscritos, pequenos apontamentos, blocos de notas. De uma caligrafia invejável e de um método de trabalho revelador desta multiplicidade de Pessoas.
O famoso quadro de Almada Negreiros, K4, o quadrado azul e a arca de madeira onde foram encontrados mais de 25 mil páginas de manuscritos, estão ali a menos de um metro de distância, capazes de nos engolirem e sufocarem na sua grandeza.

Ao Manel, e por não ser uma exposição fácil, muito pela complexidade de Pessoa, pedi-lhe que fixasse o quadro de Eduardo Viana, K4, o quadrado azul, porque em casa lhe mostraria uma edição fac-similada do famoso folheto satírico editado em 1917 por Almada Negreiros.

A quem for ver, como diria Fernando Pessoa, que possa sair dali, indisciplinado, o homem que se definiu como um "indisciplinador de almas"

Com o Manel cumpriu-se um ritual que mantive com os meus sobrinhos enquanto eram pequenos, que é o prazer de dar pão aos patos.

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