2.10.2012

saborear






Para quem me segue de perto, sabe que entre muitas coisas que vou mostrando tanto no blog, como no flickr, escrevo há um ano uma página semanal para o DA com dicas para os mais pequenos.
Confesso que dou por mim a pensar se a página não estará mais virada para os pais, educadores ou simples curiosos. Escrever para crianças, não é pêra fácil. E o processo das escolhas também não fica atrás.
Entre dicas e jogos, surge sempre um livro, que gera em mim alguma angustia.
A primeira e mais relevante é a qualidade do livro, se é ou não novidade, confesso que não tem sido critério, embora torne a escolha mais fácil.
A verdade é que se traduz num arrombo orçamental, sim porque os livros que são sugeridos fazem parte e ainda bem da minha biblioteca pessoal, só porque não sei pedinchar às editoras.

Mas esta conversa é essencialmente para sugerir um livro que apesar de já ter saído no DA há bastante tempo, só agora me permiti saboreá-lo com o devido valor.

“Esqueci-me como se chama" do escritor russo Daniil Harms, nascido em 1905, considerado um dos grandes escritores e dramaturgos da história da literatura russa, morreu de fome, esquecido, aos trinta e sete anos numa prisão de Leninegrado. 
Pertence à última geração dos grandes vanguardistas russos que ainda ousaram exprimir-se com liberdade e ironia. Os seus manuscritos foram recuperados de entre os destroços da casa bombardeada, durante o cerco nazi a Leninegrado. 

“Estou interessado apenas no nonsense. Só naquilo que não tem qualquer sentido prático. Estou interessado na vida apenas na sua manifestação absurda”, afirmou Harms.

A verdade é que voltou a ser o "nosso" livro de mesa de cabeceira e garanto-vos que apesar de querer que o Manel adormeça é impossível não soltar umas boas gargalhadas e deliciarmos-nos com as histórias. Aos meus amigos aconselho que comprem mesmo que não haja uma criança por perto.

Com ilustrações de Gonçalo Viana e editado pela Bruáa. O vídeo é do lançamento do livro na livraria Cabeçudos e pelas expressões percebem que vale mesmo a pena ler.



Traduzido, a Assírio tem "A Velha e Outras Histórias"
"Crónicas da Razão Louca" da Hiena Editora.

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