8.08.2011

serrania















































Com a planície para trás começamos a subir à serra. Sem darmos por isso o terreno serpenteia-se à nossa frente. É uma travessia aflitiva e maravilhosa.
Ficamos com uma sensação de angústia provocada pelo isolamento. Rumamos a Querença, uma freguesia do concelho de Loulé, que conserva uma boa parte da sua traça tradicional. Ruas íngremes, de pedra, dão lugar a novas casas, perdendo-se as casas de talisca, pardacentas e de tectos colmados.
O chão cobre-se de alfarrobas dando-nos a sensação de estarmos a pisar a própria árvore.

Quem chega e quer saber, tem de perguntar, e muito. Encontrámos Filipa de Sousa graças a uma mulher idosa que nos fez companhia e nos levou até às suas bonecas de trapo.
A caminhar para os 80 anos, mantém a mão firme e a lucidez para nos contar a história por trás de cada boneca. Mantém a vivacidade e um desembaraço no falar. Uma entrega que se vê e se sente, quando procura uma determinada boneca e me diz: “esta é a que eu gosto mais. Gosto da cara. É bonita”.
Pelas bonecas ficamos a conhecer um pouco da etnografia local.
Os tecidos, diz Filipa, já me acompanham há muitos anos. Cada prega, cada ponto resulta das muitas recolhas que Filipa fez e continua a fazer.

Fiquei com a mulher da empreita, a arte de confeccionar esteiras, cestos, chapéus e golpelhas com palma, na cor natural ou colorida em vários tons.
Das mãos de Filipa, já não saem, por demorar muito o tempo a preparação, os bonecos em pasta de papel. Fiquei com pena.

1 comentário:

  1. Lindas! Aqueles olhares, as roupas, os cabelos. Adoro. Belas descobertas na serra:)

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