5.19.2011

coisas boas e outras nem por isso


























Confesso que há coisas que me tiram do sério, outras tiram-me ainda mais. A proliferação do acento agudo no A é uma delas. Custa-me ler posts com erros, mas quero pensar, sempre, que é uma gralha, que o dedo fugiu para a tecla errada.
Ontem não aguentei. Para espanto do Manel, que, não só não esperava o meu ataque de fúria, como ter pegado na primeira coisa que escrevesse e ter desatado a rasurar o livro dele.
Se o tempo ainda estivesse para “fazer lume”, não teria hesitado e lançava-o para a lareira.
Gosto de ler, mas sem a pretensão de saber escrever. Gosto de quem trata por tu as palavras e uma língua que também eu começo a não saber escrever.
Dou o que me pedirem sem sequer ficar com o sentimento de perda. Mas não gosto de emprestar livros, temo, vir a precisar deles. Gosto de os saber por perto. Mas mesmo assim muitos estão em casas mais ou menos improváveis. Improváveis porque, emprestei a um e foi parar a outro.
Também não gosto que me emprestem livros, porque gosto de tomar notas. Que sentido faz ler um livro com anotações de outros. Já perdi dois livros assim, melhor dizendo já perdi o mesmo livro assim, por duas vezes. O primeiro empréstimo foi a um grande amor. Foi ele que me pediu se podia tomar notas no meu livro e claro, não se nega isso a um grande amor. Mas nesse mesmo dia, decidi comprar um outro para mim. Já agora, falo de Uma História da Leitura de Alberto Manguel, que quando rapazinho lia para Borges já cego.
Voltei a emprestá-lo. A uma amiga. Com diria o provérbio à segunda cai quem quer…
LIsa Ekdhal, também há coisas boas

2 comentários:

  1. Como eu gostava de escrever como tu.

    Tenho que confessar que apesar de ser uma leitora compulsiva e de ter aprendido a ler e a escrever aos 5 anos dou imensos erros,felizmente o computador tem corrector. Não sei se será uma forma de dislexia se é um buraco negro na massa encefálica.

    Há quem considere que pelo facto de ter levado 30 anos só a escrever a lista de compras para isso tenha contribuído só que desde a escola primária que isso acontece e não consigo perceber porque acontece quando leio em média 2 livros por semana.

    Mas no A não coloco nunca acento agudo :)

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  2. Tira-me do sério as trocas e baldrocas que os alunos de licenciatura e de mestrado fazem com a língua; mais ainda quando os alunos de mestrado são docentes, mais ainda se docentes universitários... É recorrente. A última pérola foi ontem, "perola", literalmente. Seguida da frase numa apresentação PowerPoint:
    "- Influência dos jogos por computador na pratica médica". Mandei-lhe ler a frase. Leu "prática". Disse-lhe: não é isso que lá está. Ficou admirado. E duma lentidão de análise desesperante recuperou soltando um "Ah". Que provavelmente ele escreveria como "Á". Coisas. Desesperantes.

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