4.21.2011

ao cartão



Em Uma Solidão Demasiado Ruidosa, o escritor checo Bohumil Hrabal, conta a história de um homem que vive os seus dias a recolher toneladas de livros e papéis velhos, (que sorte), entre os quais encontra obras de Goethe e Nietzsche, mudando-lhe o modo de pensar. Um simples catador de papel, passa a dar ao lixo um novo significado.

No fundo essa é a proposta do colectivo artístico Dulcinéia Catadora (Brasil), que integra a rede latino-americana de projectos idênticos, que teve a sua origem na Argentina, com o projecto Eloísa Cartonera em sequência da crise, publicando desde 2003 livros de autores argentinos, como Ricardo Piglia, (a revista do EL Pais começou a publicar aos sábados o seu diário), Alan Pauls, Mario Bellatin, César Aira, entre outros

Um projecto que envolve artistas plásticos, escritores e, claro, catadores de cartão. O objectivo é a venda de livros a preços mais reduzidos, e que funciona ainda como gerador de emprego.

João Despenteado, com a assinatura de Margarida Botelho, a participação no projecto Dulcineia Catadora durante a sua passagem por São Paulo, conta-nos a história de um rapaz, que, não havia pente que lhe baixasse os cabelos. Talvez, pelas suas ideias despenteadas.
Como a maioria das crianças andava de mão dada com amigos imaginários, uma mistura de bichos, meninos e sonhos. Com tantos amigos imaginários, João decidiu “catalogá-los” por ordem alfabética. Araclídio, encabeçava a lista. Com corpo de menino e mãos de aranha havia “sempre uma nova teia de brincadeiras”. Boitonho, Crocodilária, Dinomário, Elegildo, são apenas alguns dos nomes que encontramos nesta história, que actuavam “para todos os outros amigos que dançavam a noite inteira, e certamente voltariam a se encontrar num próximo sonho…”

João Despenteado não foge à regra destes livros, capas todas elas únicas, pintadas à mão, coloridas, com um grafismo muito pouco convencional e feitas em cartão. As ilustrações são resultado de um atelier de figuras tridimensionais orientado pela Margarida junto de jovens que integram o colectivo (ver blog).

No Brasil existe cerca de 1 milhão de catadores e só em São Paulo são 30 mil. Por falar em São Paulo, quatro da minha lista já estão na mala e chegam no domingo.

Mais destes colectivos - Animita Cartonera Santiago do Chile, Sarita Cartonera, Peru, La Cartonera no México, Yiyi Jambo, Paraguai, Matapalo Cartonera, Equador, Yerba Mala , La Paz, Bolívia, Mandrágora Cartonera, Bolívia.







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