11.22.2011

brufen


























com tanta coisa para fazer e organizar, sou invadida por uma dor generalizada. a chuva também molha um bocado o coração. venham os analgésicos.

11.18.2011

outonos de sol





mais vento, mais frio, mas também mais verde. as primeiras chuvas devolveram a cor aos campos. veste-se um casaco mais quente, enchem-se cestas de castanhas trazidas por amigos. planeia-se uma nova época. fazem-se projectos. sonha-se alto. muito.

a casa aquece ao cheiro do forno. dos assados, das tartes, dos bolos. a beleza da criação neste vídeo, (desliguem a música de fundo e sintam-lhe o sabor), porque a cozinha tem de ser este prazer. para a Ana.
quem quiser experimentar a receita deste bolo clique aqui

na OAOA já se começou a preparar o natal

11.14.2011

vintage

























Há pouco tempo herdei uma série de loiça, que aos poucos ainda a estou a descobrir.
No meio de pratos tresmalhados, chávenas e pires, entre a antiga Fábrica de Sacavém (pena que o museu ainda não tenha página online), Vista Alegre até à Johnson Brothers.

Acabei por me lembrar do trabalho desenvolvido pela artista australiana Kelly, no projecto “The story book rabbit”. Uma ilustração que se deixa envolver pelos motivos originais e que nos deixa com a boa sensação de uma obra feliz.

11.11.2011

também de ler




com tão pouco tempo para mim, sonho pelo menos encaixar algumas das coisas que gosto, numa agenda que há muito deixou de o ser. pelo menos tem um ar dinâmico de folhas que se dobram e desdobram em grandes mapas, para a delícia dos mais pequenos que por vezes vêem saltar desenhos.

esta exposição é dedicada à Paula.

A Grande Exposição de Livros Miniatura
de 6 a 26 de novembro  Centro Cultural de Belém/Fábrica das Artes

via papel de lustro

11.10.2011

ler
























O Senhor Nicanor” de Ana Fernández-Abascal e ilustrado por Flávio Morais é uma das mais recentes edições da Kalandraka.
A autora junta três personagens como protagonistas de um conto, em que cada uma troca a televisão por um livro, o que a mim me sabe ainda melhor. A procura de uma dose de emoção, entretenimento ou pelo puro prazer da leitura. 
Um livro muito iconográfico em que formas e cores também fazem muito o meu universo.
Um livro simples e que me enche.

a manta, é fruto da aprendizagem numa passagem pela OAOA

o pequeno da casa também quis escrever sobre o livro

11.07.2011

porque também se vive de pão


























fala-se desta "nova" experiência de viver num meio pequeno, onde falta tanto de tudo e tudo de tanto. de continuarmos a ser estrangeiros. de amigos de lá. de livros. de música. de comida. de novas receitas.

obrigada Afonso e Maria João. porque sabe bem. a tua receita de pão. também

ao meu mosaico hidráulico reinvento outro. também porque me sabe bem.

segunda imagem é de um livro do Afonso Cruz

10.27.2011

e há chuva lá fora


o lado bom de se poder trabalhar em casa é, em dias como este, a chuva ficar-se pela janela.
termina-se um livro. repensam-se outros dois. é tempo de retomar uma manta. de te esperar vindo da escola. nesta nova partilha que são os chás.

podiam ser três. ao sabor de um feijoeiro mágico

guardas



















As guardas que os livros guardam, ou que guardam os livros, guardam comigo pelo menos dois corações enormes. falo delas, sem falar, sabem quem são sem lhes dizer o nome. sabem que estão guardadas no coração. no meu.

cheias de cor. de cheiros. de texturas. de palavras doces. de avelãs do caminho a um feliz outono.
falo delas. têm rosto. não pedem nada. têm nome.

luisa

marta

estão guardadas nos meus livros.
hoje parte para elas o que não lhes consigo retribuir. por tudo

10.26.2011

acordar
























depois de um verão tardio, o outono deixou-se atropelar por um inverno que não se queria tão cedo

10.20.2011

um post demasiado longo





ou um desabafo demasiado curto...

há coisas, neste estatuto de ser crescido que me tiram do sério, falo das perguntas que tantas vezes ouço adultos fazerem aos mais pequenos, como já tens namorado(a), ou o que vais ser quando fores grande. como se fosse possível, em tempos destes, ter tantas certezas...

prefiro as palavras de Álvaro Magalhães, em "O Brincador"

“Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor.
Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for.
Quero brincar de manhã à noite, seja com o que for.
Quando for grande quero ser um brincador. Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor.
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer.
Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador e também imaginar, como imagina um imaginador…
A minha mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida.
E depois acrescenta, a suspirar: "é assim a vida".
Custa tanto acreditar! Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser brincador.
Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta.
Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar depois de morta.
Na minha sepultura, vão escrever: "Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs, para ir brincar com as palavras".


Já o livro, "O que é o amor?", foi para mim uma deliciosa surpresa. Gosto de afectos, ternura, mas não gosto de frases feitas, de powerpoints com imagens idílicas, de ursinhos que ostentam corações só para dias especiais. não gosto de dias forçosamente especiais.

Do mesmo autor do livro "Eu espero", trazido para Portugal pelas mãos da Bruáa, "O que é o amor?", (editora Gato na Lua), torna-se pelas letras de Davide Calí uma divertida e incontornável abordagem de um tema completamente intemporal, intensificado pelas ilustrações de Anna Laura Cantone.

10.17.2011

grandes e pequenas



“Comissão de Lágrimas” o novo romance de António Lobo Antunes, o livro que me reconciliou com o escritor depois de uma indisposição com “Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar”.

Um livro denso sobre Angola depois da Independência. A culpa, a vingança e uma “inocência perdida” a que o autor se refere.

“…quando choramos os olhos babam saliva, é na garganta que se juntam as folhas secas das lágrimas, se as pisarmos, mesmo de leve, protestam logo…”


Leituras mais pequenas

“Como é que uma galinha…”, da autoria de Isabel Minhós Martins, com ilustração de Yara Kono, publicada pela Planeta Tangerina, não é apenas uma história, mas uma grande questão. Quem sabe nos fará olhar para as galinhas de um modo diferente.

A verdade é que quando pensamos em galinha, somos quase impelidos a dizer palavras como “estúpida”, “pouco inteligente”, “uma ave que tem penas, mas que nem voa”, que passa o dia a “esgravatar, cacarejar e a fazer cocó por todo o lado”.



Mas como é que um bicho assim, tal como a autora o descreve, é capaz de fazer sair de dentro dela uma pequena obra de arte que é o ovo. “Com tanta matemática,/ tanta biologia,/Tanta simplicidade,/ tanta sabedoria…” e gastronomicamente falando, perfeito.
Pois é, uma ave “tonta, tonta, tão tontinha, mas que, pelos vistos, é artista”.

Ainda, da editora El Jinete Azul, “El lenguaje de las cosas”, com texto de Maria José Ferrada e ilustração Pep Carrió


10.14.2011

work...

























A terminar um novo livro, o tempo divide-se por Lisboa com ateliers nas escolas públicas. Amanhã e para quem quiser aparecer em Évora, na Praça do Sertório às 16H30 uma oficina para crianças.

10.13.2011

cheiro a terra




Quando decidimos trocar a vida da cidade por uma vida mais calma, vivi a mudança com a euforia de quem acredita que se muda para melhor. Que quer mudar modos e estilos de vida.

Mas aos poucos o tempo pesa e começam a pesar as coisas mais insignificantes. Lembro-me de fazermos quilómetros para comprar “aquele enchido”, “aquele frango”. O tempo passa e habituados a fazer pelo menos uma refeição fora de casa percebemos, quão limitados estávamos nesta matéria.

Agora fazemos quilómetros para fugir a uma carne de porco ou a um frango frito.

Comer fora, aqui, tornou-se mais do mesmo, pelo menos para um grupo de amigos que teima em se juntar uma vez por semana e que se não fosse pela companhia, não era a gula que nos movia.

Aos poucos têm entrado outros hábitos alimentares, na procura de um prazer que se tem perdido. Estamos a gostar.

E cada vez mais fã da brio.
castelo de claras, o blog da marta em que os olhos também comem

9.29.2011

new one




















a acabar um novo livro sobra pouco tempo para actualizar o blog. resta pouco tempo para agradecer a duas pessoas que sem saberem vão fazendo parte dos meus livros.

as leituras pequeninas de outros têm passado longe daqui porque têm estado por estas paragens

o mais pequeno da casa também decidiu escrever sobre essas leituras. vivam os livros e os teus sete anos.

9.12.2011

chapéus












A minha participação no 4º Encontro Nacional de Ilustração, que decorrerá de 19 a 22 de Outubro, tendo como tema o chapéu, em homenagem a uma das grandes referências da história industrial de S. João da Madeira: a chapelaria, não podia deixar de lado as árvores. as minhas árvores.
também elas se vestem de chapéus diferentes. elas e todos os seres que nelas habitam.
um olhar diferente sobre o tema que há dias o Paulo referia, como "Chapéus há muitos". Sim. Há.




8.30.2011

branco




















começo a embalar os quadros e num embalo sonho de um dia voltar a casa.
preciso de romper com este branco que me invade. abraçar a cor que cada pincelada de branco esconde.

a cor da cal de José Manuel Vilhena

8.26.2011

white


























Quando comecei a trabalhar nesta exposição tinha na cabeça a vontade de materializar um projecto que já tinha dado alguns passos, – “desta paisagem que habito”.
Viver por opção num sítio, não significa forçosamente felicidade. Os campos não são na maioria das vezes verdes, nem estão pincelados de cor.
Aprendi nestes anos a dureza de viver no interior, num meio pequeno, fechado.
Um projecto que começou assim, num despertar de cor e que se veio a revelar, hoje, branco.
Talvez fosse a palavra que melhor definisse este Alentejo, que às vezes tem cor.
Branco da cal que em dias de sol espelha a luz. Branco da cal que em dias de céu carregado explode na sua cor. Branco das casas, das vidas, das mulheres que à noite se juntam, para dos novelos de linha criarem raízes. E num entrelaçar de pontos se junta e se confunde a terra, a casa, a família.
Branco de quem não consegue ser transparente.

8.23.2011

don't panic














focus. focus. focus. mas a menos de 15 dias de inaugurar a exposição na Galeria Augusto Bértholo, em Alhandra (Vila Franca de Xira), sinto a enorme vontade de alterar tudo

8.22.2011

dias que passam



















Entre praia, passeios e muito trabalho foi bom vê-lo crescer. Agarrou-se aos livros sem imagens. a leituras intermináveis. às aventuras, ao mundo de Potter, por arrasto surgiu Harum e o mar de Histórias, de Salman Rushdie. aos teus 7 anos

8.08.2011

serrania















































Com a planície para trás começamos a subir à serra. Sem darmos por isso o terreno serpenteia-se à nossa frente. É uma travessia aflitiva e maravilhosa.
Ficamos com uma sensação de angústia provocada pelo isolamento. Rumamos a Querença, uma freguesia do concelho de Loulé, que conserva uma boa parte da sua traça tradicional. Ruas íngremes, de pedra, dão lugar a novas casas, perdendo-se as casas de talisca, pardacentas e de tectos colmados.
O chão cobre-se de alfarrobas dando-nos a sensação de estarmos a pisar a própria árvore.

Quem chega e quer saber, tem de perguntar, e muito. Encontrámos Filipa de Sousa graças a uma mulher idosa que nos fez companhia e nos levou até às suas bonecas de trapo.
A caminhar para os 80 anos, mantém a mão firme e a lucidez para nos contar a história por trás de cada boneca. Mantém a vivacidade e um desembaraço no falar. Uma entrega que se vê e se sente, quando procura uma determinada boneca e me diz: “esta é a que eu gosto mais. Gosto da cara. É bonita”.
Pelas bonecas ficamos a conhecer um pouco da etnografia local.
Os tecidos, diz Filipa, já me acompanham há muitos anos. Cada prega, cada ponto resulta das muitas recolhas que Filipa fez e continua a fazer.

Fiquei com a mulher da empreita, a arte de confeccionar esteiras, cestos, chapéus e golpelhas com palma, na cor natural ou colorida em vários tons.
Das mãos de Filipa, já não saem, por demorar muito o tempo a preparação, os bonecos em pasta de papel. Fiquei com pena.

7.27.2011

OAOA

























Há sensivelmente um ano realizava-se em Avis a primeira feira de artesanato urbano, um conceito já banalizado nos grandes centros, mas para quem vive no interior sabe que a vida passa, às vezes, muito lentamente.
Há um ano atrás desafiámos um grupo de amigas que se juntaram às artesãs locais, dando espaço a troca de experiências e vivências.

Hoje, a um dia da inauguração do espaço que resulta dessa feira e que tem o nome do meu primeiro blog OAOA (Oficinas de Artes e Ofícios de Avis), olho para o trabalho de todas e confesso cada vez mais enamorada pelo tradicional. Sem tempo para escrever, mas com tanta vontade de aprender.
Vi rendas lindissimas, feitas com a paciência de outrora.

Um espaço que na sua essência é muito meu, mas que é todo delas.


7.12.2011

12 Julho 1904























no dia em que se comemora o nascimento de Pablo Neruda, uma nova edição (Fevereiro 2011) de "Cartas de Amor", pelas mãos da D. Quixote.

sim, sei que é caro. sim sei que estamos em contenção. sim, mas assim, (números especiais da Colóquio), teria sido mais bonito ver a reprodução das cartas de Neruda a Matilde.

"E os dias desse festival passaram-se sempre a procurarmo-nos, a desejarmo-nos: esse sabor a pecado, a escondermo-nos, a dissimular, eram o maior acicate para o nosso amor; aqueles olhares furtivos através de uma mesa, aquela cumplicidade de cada minuto foi qualquer coisa que fez crescer o desejo de estarmos juntos, de nos tocarmos; e esse desejo vai-nos devorando, vai-nos arrastando para a convicção de que já não podemos viver separados, e eu começo pela primeira vez a angustiar-me, a sentir que aquele amor não é só folgazão e alegre, não nos traz só momentos felizes." – carta de Matilde Urrutia a Pablo Neruda

7.11.2011

FBP




















mais do que a inauguração da exposição foi rever os amigos que se deixaram lá. foi o carinho e a cumplicidade que mesmo na distância não se perdem.

ao contrário do ditado "não voltes ao lugar onde foste feliz", eu sinto muita vontade de regressar. não é desilusão com o campo, é a falta do mar. não é a desilusão com as pessoas, é a falta de outras. não é não ter conseguido criar raízes, é um cordão umbilical que não consigo cortar. há saudades. muitas. cada vez mais.

poucas fotografias do dia da exposição. os braços ocuparam-se de abraços.

7.06.2011

estranhamente



















Com uma exposição a inaugurar amanhã na Fábrica do Braço de Prata dou por mim estranhamente tranquila a começar uma outra agendada só para Setembro.
Não me lembro, pelo menos até hoje, de começar a trabalhar com "tanto tempo" (sorrio, porque também tenho de entregar mais dois livros até essa data, e outras duas ilustrações...).
Na cabeça trago parte do filme "The crying game" com Forest Whitaker no excelente papel de Jody. Receio voltar à minha condição de cigarra de deixar tudo até ao último. "It's in my nature".

Ilustradores ilustrados, a não perder.

7.04.2011























Os dias passam e chego à conclusão que até para não escrever é preciso ter tempo.

A nova Egoista está na rua e dedicada ao traço. Um obrigada à Patrícia Reis por um dia ter olhado para o meu.

Dois livros que têm feito as delícias cá de casa, “O meu balão vermelho” e a "A Máscara do Leão"

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