7.16.2010

layers




um dos grandes prazeres do meu trabalho tem sido o de ter a sorte de poder trabalhar com papéis antigos, alguns tão antigos que não sinto coragem de os usar, não só pelos anos, mas por tudo, o que em determinada altura representaram. contam histórias e algumas nada bonitas. muitos contam histórias carregadas de ressentimentos. páro a leitura, as vidas de outros entram na minha como um romance, um romance que teve início antes da primeira grande guerra.

ouvi histórias contadas na terceira pessoa, mas hoje reconstítuo a história deles pelas suas próprias mãos. uma história de amor que teve o seu fim.

aos poucos desprendo-me do lado afectivo e redescubro papéis fantásticos, de uma grande riqueza plástica. camada a camada libertam-se como também eu me vou libertando deles e me entrego ao meu trabalho. são papéis que escondem outros papéis. como algumas pessoas que vamos conhecendo na vida, como se se revelassem em cada camada que retiram e algumas nos deixam tão tristes.

2 comentários:

  1. Cuantos secretos tendrán estos papeles, y cuantas creaciones nuevas harás con ellos, un beso paty

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  2. Para além de criares obras pictóricas fantásticas tb escreves divinamente.Parabéns

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