
O estudo de tecidos e de têxteis embora se revele muito rico em termos indicadores de técnicas, suportes, produtos e instrumentos, alguns até já caídos em desuso, resulta na maioria das vezes numa difícil compreensão.
De todas as pesquisas que fiz o melhor glossário que encontrei foi o de Manuela Pinto da Costa, museóloga e conservadora, dos quais transcrevo dois.
COBERTOR – (de papa) Peça de lã de fio grosso ou de algodão felpudo, com que se agasalha o corpo no leito. No séc. XVI significava coberta ou colcha de cama (de pele de coelho). Cobertor de peles de coelho forrado de pano. Também era designado por chimaço e cobertal.
COBERTAL, cobertor – Peça encorpada de algodão ou lã.
No entanto se formos à origem da palavra Papa, que vem do grego páppas, transformada mais tarde pelo Latim em papa, que significa "pai", ou Pater.
Cada letra da palavra Papa corresponderia a uma palavra, neste caso Petri Apostoli Potestantem Accipiens -, "o que recebe o poder do apóstolo Pedro", numa espécie de pastor dos apótolos.
Da união das primeiras sílabas destas palavras latinas, Pater - "Pai" e Pastor "Pastor", pode muito bem ter surgido a palavra papa, tendo em conta que quem começou a usar estes cobertores foram os pastores, para se protegerem de um frio e de um vento que nunca deixa de assobiar.
Gostava de voltar a este tema por três razões, uma porque faz lembrar o título de um livro de Margueritte Yourcennar -, “0 tempo
esse grande escultor" e não há dúvida do trabalho que sai das mãos destes homens. Outra razão prende-se à altura do ano em que eram fabricados e por último na tentativa de arranjar um paralelismo com outros cobertores oriundos de outros países, nomeadamente o cobertor mostardeiro.










