10.31.2008

cinco minutos



neste papel mãe/mulher/trabalhadora/pessoa, sou levada a algumas inquietações próprias de uma qualquer personagem. sentir que me faltam tantos cinco minutos para estudar o meu papel, para o desempenhar melhor, para ser melhor. refugio-me. refugio-me naquele que sempre achei ser o melhor sítio, - o banho. é lá que penso, faço balanços. de um dia ou de uma vida. é onde me encontro e choro. cinco minutos intensos onde tantas vezes me esvazio de mim própria.
é lá que encontro o espaço que cada um ocupa. que percebo os amigos que tenho à distância, os que continuo a guardar mesmo na distância.
são cinco minutos que eu preciso para te agradecer R., mas sempre com o ponto lá fora. do outro lado da porta. - "mãe, ainda aí estás?"

ilustração muito melhor aqui

10.28.2008

de comensal



mais do que comensal um amigo, que trouxe os talheres dele para mim. são da cutelaria Augusto Pinto Lisboa, fundada em 1916

mais aqui

10.27.2008

são bons os outonos assim


de pais, de meos e dos outros





este post podia perfeitamente chamar-se fruta da época, porque foi o que me responderam hoje ao telefone quando tive que ligar para a escolinha do M. a dizer que ele não ía porque estava constipado e com muita tosse.
continuo a querer acreditar que fruta da época traz coisas boas e que nesta altura, são dióspiros e marmelos, que as laranjas e as romãs estão ao espelho a enfeitar-se. que fruta da época são castanhas e nozes…

por ser a quarta filha os brinquedos chegavam a mim numa versão mais ou menos reciclada, excepto quando os dois mais velhos casaram e eu continuava na versão benjamim. a verdade é que a minha mãe não nos enchia de brinquedos, talvez os tempos também fossem outros, mas a verdade é que preferia os livros. mas recordo-me que estar doente não era assim tão mau, porque além dos mimos e cuidados redobrados, vinha por mais pequeno que fosse alguma coisa para brincarmos.
no meu caso e a partir de dada altura eram caixas e caixas de guaches da cisne que vorazmente desapareciam nas minhas mãos.

esta era a minha mãe. hoje, não muito diferente dela e de coração apertado quando o M. não está bem, deixo-vos este fantástico livro da planeta tangerina, que ao correr das folhas também mostra que o coração de mãe também se zanga. zanga para corrigir. zanga porque gosta. que os pais não são melhores pais por darem tudo aos filhos.

erramos, erramos com eles, erramos até na educação de um filho para outro, erramos em pensamento, erramos quando o pediatra do M. diz que ele tem excesso de informação (mesmo tendo dúvidas sobre o verdadeiro significado desta afirmação).

Erramos quando damos o pacote inteiro de rebuçados (programação diária da rtp2) aos nossos filhos e nos esquecemos que existem outros dias (programação do fim-de-semana). E digo-te meu amigo prefiro a tua selecção à dos meos ou dos outros

para ver em grande

10.23.2008

de pequenos nadas






agradeço a todos os que têm, de uma forma indirecta contribuido para o meu trabalho ao me oferecerem materiais lindíssimos como estes. sem a vossa generosidade estas peças não existiriam. obrigada.

quanto à exposição falarei dela daqui a uns dias. ainda sem nome

10.22.2008

de folhas



e de frio. hoje o dia acordou vestido de inverno e mesmo não gostando muito do frio, o inverno foi sempre intenso na minha vida. carregou com ele paixões intensas, duras, de amores profundos. o inverno trazia no saco a lareira, a casa, a família, os amigos, os longos jantares de uma mesa com horas intermináveis. o aconchego e o colo. as pessoas mais importantes da minha vida nasceram no inverno. o inverno trouxe-me o filho.

10.21.2008

1 de 3




já longe de acreditar que iria conseguir encontrar as últimas três bases para fotografia, que por capricho (ou não) com o vendedor, deixei para trás há quase um mês. no último sábado reencontrei-as e não podia deixar de as trazer.
da última série de 8, o último cartão ficou para mim. liso. simples. com uma imagem imaginária. dentro de mim. carregada de alguma nostalgia
saem agora para fora três novos. também eles cheios de afecto

para flores


com uma exposição à porta e o trabalho todo atrasado

10.19.2008

há horas





procurámos sempre incutir ao Manel, nem sempre com a eficácia pretendida, que há horas para tudo, e tudo é mesmo tudo. o que significa em alguns casos fazer coisas que pouco lhe agradam. hoje, parte dessas horas foram para apanhar ar. e folhas. e no final brincar com elas.

10.15.2008

de viver no campo



ontem demos uma entrevista à TSF (ainda não passou), a propósito de gente que larga os grandes centros urbanos e refugia-se no campo, que muda de actividade ou que simplesmente traz consigo aquilo que sabe fazer.
nós viemos já com um atelier de design às costas e no imaginário todo o romantismo de se viver em espaço aberto, com cheiro a terra.
pediram-nos no final da entrevista um balanço. falo por mim. quem me conhece sabe que tenho no corpo a cidade. mas a paisagem já se dilui dentro de mim. não sei se respiro campo e transpiro cidade. sei do que gosto. sei que a calmia me trouxe o Manuel. me devolveu os pincéis às mãos. que me aproximou mais das pessoas. algumas que nem conheço pessoalmente, mas em quem me revejo. nas imagens, nas letras. sei que a calmia tem alturas ensurdecedoras. que contrario, trabalhando, produzindo, produzindo muito. de viver no campo faz-nos aprender a olhar.

10.09.2008

de ver



talvez seja exaustivo para quem me vem visitar ver árvores e árvores, mas existem imagens a que não consigo ficar indiferente. esta fotografia saiu dos olhos e das mãos desta mulher, e não lhe resisti. imaginei que a vida pode ser assim, que há pessoas que conseguem ser assim. abraços. homens e mulheres. amantes. amigos. pessoas que se entrelaçam, que não precisam de palavras e crescem juntas de tal forma que são uma. gosto de pessoas assim.

10.04.2008

pum



Filha tardia, tive uma espécie de quatro pais, excepto uma que fazia muitíssimo bem o papel de irmã, nas zangas, nos choros, nas brincadeiras.
Filha de quatro amantes de livros, vi-me a braços desde muito nova com a leitura. Dos clássicos portugueses e estrangeiros. Uns bem lidos, outros relidos com a maturidade exigida. Mais tarde, e já pelas minhas mãos e pelas mãos de alguns amigos, outras leituras.
Mas dessa adolescência antecipada ficou sem dúvida “O Que Diz Molero” de Dinis Machado, falecido ontem dia 3 de Outubro, aos 78 anos. Ficou as gargalhadas do meu irmão mais velho que se deliciava com as histórias do “rapaz”. Eu tive de ler. Li, ri, mais tarde reli e ri de outro modo.
Mas Dinis Machado não é só “O Que Diz Molero”, no campo dos policiais e mea culpa que só li os obrigatórios e para poder enfrentar as tertúlias com os amigos, fica um dado-me a ler pelo A. e autografado por Dinis Machado, sob o pseudónimo Dennis McShade, nome que ele gostava de usar quase num tom provocatório para com os policiais americanos. Ao F. agradeço alguns novos policiais que me deu para as mãos. Alguns brasileiros. Bons. Muito bons.
“Mão direita do diabo” de Dennis McShade, editado pela Editorial Íbis, nº 56 da colecção Rififi, é a 1ª edição datada de Janeiro de 1967, com capa de Abreu Teixeira
Pode-se ler na capa «O livro que é uma porta aberta para o mundo secreto do crime organizado», o que não seria bem verdade visto que Maynard o assassino profissional tanto podia usar uma Beretta como podia ouvir Debussy ou citar o cineasta norte-americano Howard Hawks estabelecendo prolongados monólogos.

A Assírio & Alvim reedita este policial sob a colecção «A Phala», com capa de João Fazenda, e já com prazos marcados para a edição de “Blackpot”

10.03.2008

enamoramentos



sempre que o tempo me permite gosto de trabalhar na rua. as cores são o que são e o espaço permite-me o afastamento fisico necessário para as ir namorando aos poucos. há pinturas que nos esgotam, de tal a sua intensidade. gosto. gosto delas assim. intensas. fortes. dramáticas até na sua doçura. são namoros. são encantamentos. gosto de estremos


e finalmente vejo estes livros publicitados no site da editora. obrigada

de livros ou de árvores




ainda a propósito destes livros editados pela majora na década de 70 e que já tinha mencionado aqui , esqueci-me foi de referir que originalmente eles eram distribuidos em troca de uns cupões que saíam nas latas de leite da Nutricia, uma excelente ideia tendo em conta a qualidade editorial deles, escritos e ilustrados por Yvonne Perrin.
eu consegui mais um para a minha paleta de cheiros e apercebi-me ao folhear, que provavelmente o meu encantamento está nas árvores e que isso ainda hoje se reflecte.

hoje lembrei-me de ti e pensar que se pode morrer de pé como as árvores. com dignidade, com altivez.

"A casinha de Rubim" - série 115/9 , edições majora

10.01.2008

às voltas com o color settings



neste momento a única coisa que me ocorre dizer é que a luta continua

numerados



com um scanner a querer ser uma espécie de cisne, não se igualando de modo algum ao seu canto, resta-me dizer que os cartões fotográficos são acompanhados de numeração também ela sobre uma etiqueta vintage

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