10.04.2008

pum



Filha tardia, tive uma espécie de quatro pais, excepto uma que fazia muitíssimo bem o papel de irmã, nas zangas, nos choros, nas brincadeiras.
Filha de quatro amantes de livros, vi-me a braços desde muito nova com a leitura. Dos clássicos portugueses e estrangeiros. Uns bem lidos, outros relidos com a maturidade exigida. Mais tarde, e já pelas minhas mãos e pelas mãos de alguns amigos, outras leituras.
Mas dessa adolescência antecipada ficou sem dúvida “O Que Diz Molero” de Dinis Machado, falecido ontem dia 3 de Outubro, aos 78 anos. Ficou as gargalhadas do meu irmão mais velho que se deliciava com as histórias do “rapaz”. Eu tive de ler. Li, ri, mais tarde reli e ri de outro modo.
Mas Dinis Machado não é só “O Que Diz Molero”, no campo dos policiais e mea culpa que só li os obrigatórios e para poder enfrentar as tertúlias com os amigos, fica um dado-me a ler pelo A. e autografado por Dinis Machado, sob o pseudónimo Dennis McShade, nome que ele gostava de usar quase num tom provocatório para com os policiais americanos. Ao F. agradeço alguns novos policiais que me deu para as mãos. Alguns brasileiros. Bons. Muito bons.
“Mão direita do diabo” de Dennis McShade, editado pela Editorial Íbis, nº 56 da colecção Rififi, é a 1ª edição datada de Janeiro de 1967, com capa de Abreu Teixeira
Pode-se ler na capa «O livro que é uma porta aberta para o mundo secreto do crime organizado», o que não seria bem verdade visto que Maynard o assassino profissional tanto podia usar uma Beretta como podia ouvir Debussy ou citar o cineasta norte-americano Howard Hawks estabelecendo prolongados monólogos.

A Assírio & Alvim reedita este policial sob a colecção «A Phala», com capa de João Fazenda, e já com prazos marcados para a edição de “Blackpot”

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