8.18.2014

respeito e disciplina no mobiliário

voltámos ao MUDE agora para ver uma exposição muito especifica "O respeito e a disciplina a que todos se impõe" e é uma seleção de peças mais significativas sobre o mobiliário utilizado em edíficios públicos, durante os quarenta anos de vigência do Estado Novo.

No início de 40 (séc. XX), foi criada sob a responsabilidade do Ministério das Obras Públicas, a "Comissão para Aquisição de Mobiliário" e se por um lado houve um estímulo para a economia do setor, por outro não se sentiu que esse investimento se aplicasse a uma indústria nacional mais competitiva, a falta de projetistas com formação especializada, a burocracia para fazer cumprir projetos e selecionar empresas mais aptas, e sobretudo a preocupação em passar a imagem do Estado, marcou a falta de ambição no que respeita ao mobiliário destes edíficios, - "um mínimo de aprumo, equilíbrio e bom gosto" (...) a fim de de transmitir "o respeito e a disciplina a que todos se impõe".

a exposição divide-se em quatro núcleos, por um lado a atração internacionalista, por outro um estado conservador e totalitário, e ainda o movimento moderno onde encontramos diferentes orientações estéticas e ideológicas que se materializam em projetos de mobiliário destinados a edifícios concretos e um quarto núcleo, os móveis-tipo desenhadas para cumprir determinados tipos de função, sem que houvesse um edifício único como destino.

Se por um lado gostei de ver a propositada "não preocupação" em restaurar algumas peças e apresentá-las ao público sob a forma como foram "resgatadas", por outro houve peças que senti necessidade de ver de perto e de outros ângulos e que em alguns casos se mostrou impossível.

a cadeira vermelha pertence ao Palácio de Justiça do Porto, um projecto de 1960 do arquitecto Raul Rodrigues Lima (1909-1980).





estes dois exemplares pertencem ao Instituto de Medicina Tropical, em Lisboa, um projeto de 1956 do arquitecto José Luís Amorim (1924-1999)

tenho sentido alguma falha (atempada) da parte dos museus na produção de catálogos sobre as exposições que apresentam. tenho consciência das exigências a que um catálogo impõe, mas visitar exposições com crianças nem sempre é fácil e eu falo do Manuel que sempre me acompanhou, mas não é fácil manter o ritmo das duas leituras, a minha e a dele.

cadeira desenhada pelo arquitecto João Andresen (1920-1960), para a Pousada de São Teotónio em Valência do Minho.

uma exposição marcada com as cicatrizes da época.

8.12.2014

insulae

numa das nossas idas à Embaixada descobri este banco que me chamou a atenção por duas razões, o seu design sóbrio de linhas direitas lembrava-me muito o mobiliário nórdico, mas o uso do tapete de trapo era uma coisa muito nossa.

e é verdade são mesmo nossos e pertencem à Insulae Design Studio, que tem como principal preocupação o desenvolvimento de produtos com uma consciência cultural, adaptando-os a um design moderno.

com o seu espaço de trabalho nos Açores, têm procurado desenvolver as suas linhas de produtos em parceria com artesãos, artistas, designers e escolas da região.

um design pontuado com alguns toques de humor não fosse esta empresa açoriana.

a minha preferência vai para para o primeiro banco corrido e para este que traz para a minha memória o mosaico hidráulico do corredor de casa

as duas últimas fotos pertencem à Insulae e apesar da homepage prometer somos remetidos para o facebook...

a Insulae conta ainda com uma linha dirigida aos pequenotes que vale uma visita cuidada.

mais uma menina

Bem-vinda Maria Caetena, nasceu hoje e é mais uma menina que se junta a esta família de mulheres.

só este post pequenino para assinalar o dia.

a ilustração faz parte do Livro do Bebé

8.11.2014

refúgios

brinquei até muito tarde, em boa verdade graças ao M, continuo a brincar e sabe-me muito bem.

os amigos da minha idade eram colegas de escola, crianças mais novas que faziam de mim mentor de brincadeiras e ainda os amigos dos irmãos que partilhavam sobretudo os jogos de tabuleiro, mas havia muitas brincadeiras solitárias sem que isso significasse sentir-me sozinha.

um lençol sobre a mesa de jantar resultava na cabana perfeita e posso agradecer à minha mãe que sempre nos deixou brincar livremente sem as sentenças do "podes partir", "podes sujar", o que também não significava que não tivéssemos regras.

hoje e se o M, fosse mais pequeno acho que me perdia por uma destas casas...



desenhada por esta mãe que tem um dos blogs mais criativos que conheço. cheio de ideias, fotografias de babar e sobretudo muitos sorrisos rasgasdos...

outro projecto que me tem permitido alguns momentos de sonho é este refúgio.

Weiwei Persson e Ida Liffner é a dupla dupla de designers suecas que estão por trás da HisoHiso e deste fantástico espaço.

um refúgio que permite viver através das ilustrações e de outras brincadeiras sonhadas.

a marca Tipi Kids oferece também uma boa alternativa, até porque se pode escolher o padrão da tenda.

apesar da minha tenda se assemelhar mais a esta na sua estrutura não tinha a riqueza das ilustrações impressas nos tecidos.


de certeza que vamos ouvir falar muito destas duas senhoras e ainda podem ser seguidas através do instagram, ou da sua página no facebook

as fotos pertencem aos sites acima referenciados

the decadente

as últimas semanas em Lisboa têm tido o sabor de férias, mesmo com ateliês pelo meio, sabe bem conciliar o meu tempo, com o que quero fazer, ver e estar e ainda ter o prazer da companhia desta miúda, sobrinha, entre os voos "loucos" que faz.

desde pequenina que era uma óptima companhia, levava-a para todo o lado e sempre bem disposta. verdadeiramente o que sabe bem é que essa boa companhia revela-se ainda mais todos os dias...

com The Insólito fechado (segunda feira), fomos ao "irmão" The Decadente

este palácio localizado entre o Bairro Alto e o Príncipe Real goza da magnifica vista do Miradouro de São Pedro de Alcântara e foi construído no século passado para ser a residência oficial do embaixador Suíço.


o Decadente integra um projecto mais abrangente que dá pelo nome The Independente e que se traduz num hostel, cheio de estilo.

a comida não é de chorar por mais, mas o ambiente descontraído, pontuado com a classe que o edifício impõe, faz do Decadente um bom espaço para estar nem que seja para beber um copo ao fim da tarde.



venham mais dias e noites assim


8.09.2014

millefiori milano

a casa é uma extensão daquilo que somos e uma das coisas que mais me agrada é entrar em casa e sentir um perfume no ar. sempre me incomodou aqueles difusores que de tempos a tempos libertam uma qualquer fragrância, primeiro porque são feios, mas sobretudo porque nos pregam valentes sustos quando a casa já dorme.

um destes dias e numa loja do espaço Entre Tanto, descobri os difusores de essências da Millefiori Milano e apesar da escolha ser variada optei pelas flores de cerâmica, com a base vidrada, talvez pela sua simplicidade.


a cor castanha da flor deve-se à essência âmbar que aos poucos foi impregnando a cerâmica.


fiquei de olho nas essências para a roupa de cama, porque o meu sonho era dormir em lençóis lavados e bem esticados todos os dias...





8.08.2014

vhils

e porque estamos a meio gás, sim tenho dois livros para entregar, os dias de férias são dias soltos. vou conseguindo conciliar o meu trabalho que faço com imenso prazer, com outros prazeres.

o Manuel talvez ainda não tenha a idade, nem a maturidade suficiente para perceber como é sortudo por ter uma mãe que arriscou aventurar-se trabalhar por conta própria. é verdade que há momentos que ultrapassam o que tenho por sanidade e que mal consigo largar o banco do estirador, mas ele tem-me ali, sempre.

esta semana entre muitos passeios e uma única ida à praia delegada à tia e à sobrinha, fomos até ao Museu da Electricidade ver a exposição de Alexandre Farto, nas ruas Vhils, Dissecação "tenta questionar a cidade" através de trabalhos mais antigos e de outros inéditos.

não era novidade para o M. a obra de Vhils, mas confessou que o que mais o impressionou foram os vídeos dos projetos que desenvolveu em Xangai e no Rio de Janeiro com o uso de explosivos, "brutal".



mas Dissecação é muito mais do que uma obra na fachada é todo um trabalho desenvolvido com o recurso do que a cidade oferece, até os cartazes de rua...

ainda a habituar-se a um aparelho um tanto doloroso que serve não para endireitar os dentes, mas para alargar o palato, são poucas as fotos que o apanho a sorrir...


8.02.2014

do tempo

quem "trabalha" comigo sabe que não queimo datas, salvo raras excepções, mas sabem também que trabalho sempre no fio da navalha, com dias contados ao minuto. vou praguejando com este feitio, mas não sei ser de outra maneira.

com este livro quase pronto, acho que vou fugir três ou quatro dias, para vir com a cabeça limpa e acabá-lo com a leveza que estes últimos tempos não têm trazido.

porque preciso de lhe dar mais colo. porque preciso de colo.


e soube-me bem tê-lo a desenhar de novo ao pé de mim e agora sem sinais de mimetismo.

da semelhança perdida entre os meus desenhos e os dele, ficou a maneira como ambos seguramos os lápis...


8.01.2014

Embaixada

entre dias de trabalho há também os que decidimos tirar só para passear, para estar com quem gostamos, para sentir a sensação de viver.

Lisboa está muito mais bonita e até "ela" parece que se rendeu ao seu charme.

terça foi dia de Príncipe Real e a Embaixada era paragem obrigatória, o palacete Ribeiro da Cunha é um edifício do século XIX, 1857, com estilo neo-árabe e foi palco da série francesa Maison Close.


longe do que serviu de cenário para "este bordel", a Embaixada acolhe agora mais de uma dúzia de lojas que combinam tradição, criatividade e inovação no design e na moda.
conta ainda com um espaço para exposições e um restaurante que se abre para um jardim que a rua principal não revela. uma arquitectura de inspiração mourisca com muitos detalhes da Arte Nova.





das lojas falarei num outro post, não só pelos produtos, mas pela própria decoração.

foi uma tarde cheia, de conversas, nossas e com outros, de partilhas e cumplicidade.

depois das forças retemperadas. um passeio à beira Tejo e o sushi do Campo Pequeno por companhia.


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