4.21.2015

à janela

com os dias mais compridos e com este sol morno, os fins de tarde tornam-se particularmente apetecíveis (quando há fins de tarde) e, Lisboa está cheia de esplanadas com vistas magníficas, com sítios mais ou menos in e com recantos a descobrir.

o Clube Ferroviário é um espaço onde se pode comer, beber um copo ou ir assistir a um concerto, num ambiente descontraído.

os bancos de comboio levam-nos a grandes viagens em que a paisagem é o imenso azul do Tejo, claro que a companhia faz diferença nesta viagem.

e há quem se refugie noutra mesa para mergulhar no mundo dele.

escrever sobre determinados espaços que frequentamos é uma espécie de pau de dois bicos, em que por um lado temos o maior prazer em mostrar sítios agradáveis e por outro preservar o nosso conforto, de qualquer forma fica a dica para fins de tarde soalheiros.

no interior somos levados a vaguear por outra época...




4.19.2015

um olhar muito particular

Génesis de Sebastião Salgado é um tributo a um planeta ameaçado e uma busca a um mundo desde a sua formação e na sua evolução. é um olhar à frente do que a vida moderna tende a estragar.


paramos em cada fotografia e contemplamos paisagens e modos de vida que permanecem até hoje intocadas, que conseguiram escapar das transformações impostas  pelo mundo contemporâneo.

245 fotos separam estes cantos do mundo, onde uma beleza oculta tanto em paisagens como em povos ancestrais dependem fundamentalmente do isolamento em que se mantêm.


precisámos de duas horas e meia para percorrer toda a exposição e ver como se não houvesse mais nada. valeu-nos uns bancos para retemperar as forças.


desaconselho os pais com crianças pequeninas sob pena de não aproveitarem a exposição na sua grandiosidade. 

 a exposição está patente na Cordoaria Nacional até ao dia 2 de agosto,  tendo como curadora Lélia Wanick e, quem puder, evite as visitas ao fim de semana.

dois em um

por causa de um novo projeto os dias não chegam para todas as coisas que nos apetece fazer e as vindas ao computador são quase sempre deixadas unicamente para trabalho e tenho tanto para contar, coisas boas que vimos, ouvimos e comemos.

do projeto 52 ficam duas semanas seguidas

15/52

um fim de tarde fantástico no Clube Ferroviário

 

Génesis, Sebastião Salgado, Cordoaria Nacional

A portrait of my son, once a week, every week, in 2015.Shot on iphone 6





4.08.2015

das nossas decisões

já não me lembro há quantos anos deixei de beber leite e atenção eu gosto de leite, do seu sabor sem aditivos, de leite gordo, da densidade do leite das antigas garrafas de vigor, mas por indicação do meu gastroenterologista deixei de beber.

no campo alimentar são muitas as correntes e facilmente encontramos testemunhos que testam o impacto que a sua dieta tem no organismo e por ordem natural na sua saúde.
até hoje não encontrei uma dieta em que me sentisse plena. há alimentos que não consumo e apesar de estar em voga a dieta paleo, o alto consumo de carne assusta-me.

as minhas preocupações alimentares prendem-se com um único objetivo, - sentir-me com saúde. procuro alimentos que reforcem o sistema imunitário e sobretudo anti-inflamatórios.

mas nem sempre é fácil. iniciei este post dizendo que deixei de beber leite e para mim isso é natural, sem quaisquer tipos de transtorno, não fosse esta última ida a Castelo de Vide e não me tinha apercebido que as nossas decisões por muito pequenas que sejam podem ser grandes problemas.

na casa onde ficámos, estava o pequeno-almoço preparado para o dia seguinte, mas sem chá...

a culpa é minha que não avisei, mas serviu-me de lição e passarei a andar com um ou dois pacotes de uma qualquer infusão.

quanto a esta matéria as opiniões também se dividem. para muitos o chá não vem em pacotinhos, é preciso pôr a chaleira ao lume e respeitar os tempos. há quem repudie a cultura do agrafo...

nesta matéria sinto-me mais à vontade para dizer se tiver tempo e quiser fazer determinados chás, coloco sim a chaleira ao lume e nascem chás destedestedeste e ainda deste outro tipo e de outros tantos colhidos diretamente da planta-mãe.

mas nem sempre tenho tempo e desenganem-se com a má qualidade dos chás dos pacotinhos. é preciso conhecer quem os fabrica, para saber aquilo que verdadeiramente estamos a beber e há muitos e muitos bons chás.

eu sou fã da kusmi, seja em pacotinhos seja na versão tradicional bem mais barata.

para o Manuel optei por duas marcas (kusmi e my cha) em duas versões sem taninos.

com as viagens dela chegaram-me outras marcas que vou testando, aprovando e rejeitando alguns.

ainda falando dos pacotinhos a Dammann, (embalagem preta na primeira fila), apresenta o seu chá em saquinhos de tecido sem qualquer agrafo e já agora se o problema é o metal tenham atenção a alguns infusores...

depois de escrever este post e ainda sem estar publicado uma amiga fazia uma ode a um outro chá, classificando-o do melhor entre os melhores. não consigo ser assim tão perentória, mas que é fabuloso, é.

a fotografia é da Anabela Isidoro

e não me posso esquecer dos presentes de uma outra amiga, a Cissa, e do seu Fauchon

ainda sobre estas folhas, não adiciono qualquer adoçante, o que também se passava com o café quando bebia, gosto de misturas improváveis e raramente bebo chá de camomila.
ao longo do dia procuro beber chás diferentes porque algumas ervas ingeridas em demasia tornam-se tóxicas. alterno o chá preto, com verde por causa das suas propriedades alcalinas e tendo nós uma alimentação demasiado ácida ajuda a equilibrar.

um curso que estou a ponderar fazer e saudades desta casa e do Porto, claro.

uma coisa é certa já estão dois pacotes dentro da minha mala.


4.07.2015

dos dias que passaram

a Câmara de Castelo de Vide convidou-me para uma conversa no dia em que se assinalou o Dia Mundial do Livro Infantil.

foram dois dias de bom acolhimento em terras alentejanas, onde primou a simpatia.

a estadia foi numa casa paredes meias com a sinagoga, onde já há quase vinte anos a tinha visitado. muito diferente dessa época em que só se tinha acesso a duas salas, hoje pudemos fazer um percurso por várias salas muitíssimo bem recuperadas.
guardo com saudades a primeira visita no pico do verão, onde o calor da sombra não deixava usufruir em pleno das ruelas que ali habitam.
o entardecer era a nossa hora e com ele trazia visitas mais ou menos distorcidas pela pouca luz, mas ficaram momentos e histórias inesquecíveis.

chegámos ao entardecer e apesar de estar um tempo magnifico, a noite trazia uma dada frescura.

as visitas ficaram para o dia seguinte. da noite ficou o enamoramento do Manuel por um gato e vice-versa.


a pedido do M, parte do pequeno-almoço que nos estava destinado acabou na boca deste animal que teimava em ficar.

a conversa à volta dos livros e da ilustração foi feita numa das 33 igrejas de Castelo de Vide e muito bem sentados.

desse dia fico a aguardar fotografias.

de uma forma quase infame salto para a 14ª semana do Projeto 52 e do que foram as nossas mini-férias.

14/52


Nossa Sra Da Penha

sinagoga de Castelo de Vide


igreja matriz de Castelo de Vide

a Páscoa fica marcada pelo regresso a casa e para junto de quem nos faz sorrir


e de um sítio recentemente descoberto...

3.24.2015

Primavera-me

o último fim de semana levou-nos ao Alentejo e percebo não com estranheza, mas sim com a certeza de ainda não ter conseguido pacificar-me. há muito que percebi que é necessário cumprir o tempo de nojo e sei que ainda não o fiz.

a casa grande apesar de continuar povoada de nós, parece sozinha e é estranho entrar...

o jardim perdeu a harmonia de outros tempos. mas no caos há quem resista


a magnólia esteve condenada à morte por três vezes.

a primeira vez fui dar com dois senhores a tentarem arrancá-la porque aparentemente estava morta, sem flores e folhas.

a segunda, um outro senhor, depois de descarregar uma tonelada de lenha e pensando que sabia do assunto resolveu podá-la na precisa altura em que despontavam os primeiros rebentos. nesse ano não houve flores.

a terceira vez foi literalmente comida pelo nosso cão.

para meu espanto lá estava ela, com meia dúzia de pernadas, mas altiva exibindo as suas flores.


a roseira brava há muito que se abraçou à buganvilia que ainda tem sinais das flores antigas, mas que em breve também se vestirá de cor

o jasmim está carregado de rebentos e a par com a hera ocuparam uma parede.

as laranjeiras estão carregadas e há roseiras teimosas que se juntam ao alecrim.

se tenho saudades?

talvez de um outro tempo...

delicio-me com a cidade que também se vestiu de primavera e aguardamos pela cor dos jacarandás

A Primavera
é o tempo das glicínias
das papoilas
e das flores amarelas nascerem nos campos

É o tempo
de fazer colares de flores

Herberto Helder

1930-2015


(...)
Ouvi dizer (...)

Os mortos devem ser puros.
Ouvi dizer que respiram.
Correm pelo orvalho dentro, e depois
estendem-se. Ajudam os vivos.
São doces equivalências, luzes. ideias puras.
Vejo que a morte é como romper uma palavra e passar

_ a morte é passar, como rompendo uma palavra,
através da porta,
para uma nova palavra. E vejo
o mesmo ritmo geral. Como morte e ressurreição
através das portas de outros corpos.
Como uma qualidade ardente de uma coisa para
outra coisa, como os dedos passam fogo
à criação inteira, e o pensamento
pára e escurece

_como no meio do orvalho o amor é total.
Havia um homem que ficou deitado
como uma flecha na fantasia.
A sua água era antiga. Estava
tão morto que vivia unicamente.
Dentro dele batiam as portas, e ele corria´
pelas portas dentro, de dia, de noite.
Passava para todos os corpos.
Como em alegria, batia os olhos das ervas

que fixam estas coisas puras.
Renascia


in Ofício Cantante, Assírio & Alvim


Torcato, ganhaste um teu amigo para grandes conversas e cigarradas, onde quer que estejam. 

3.20.2015

ainda da Monstra


terça teve o início da noite no Cinema São Jorge para mais uma sessão da Monstra.

gostámos de Carrotrope de Paulo D'Alva, o Manuel em particular porque o seu gosto estético evoluiu e todo o traço mais realista ganhou um papel primordial na sua pequena vida...




Dimanche - Sunday de Patrick Doyon. Com um traço totalmente diferente, mas que foge ao politicamente correcto, onde a morte e os inesperados também acontecem, com uma grande dose de humor.




a exibição de dois grandes filmes de Špela Čadež e que já tinha falado aqui, - Love sick e Boles

Lipsett Diaries de Theodore Ushev é mais um filme que ganha pelo seu lado plástico. com um único ponto negativo, a legendagem que é feita num outro plano, fora do écrã. o melhor era ouvir o texto original e esquecer as legendas não fosse o Manuel a reclamar...




e ainda do Céu e da Terra de Isabel Aboim Inglez com argumento de Possidónio Cachapa

e a foto do projeto para não haver "baldanços"

11/52



Museu de Nacional de História Natural e da Ciência, na exposição "O Fascinante Mundo das Aranhas e dos Escorpiões"

A portrait of my son, once a week, every week, in 2015.Shot on iphone 6
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