7.27.2014

nos céus de Lisboa

se tomamos por certo a frase que o caminho se faz caminhando, então é verdade porque estamos quase lá, mas tem sido um longo caminho...

a razão deste post prende-se a uma foto da Alexandra no Instagram sob a hastag #desculpashamuitas, e lembrei-me que nunca tinha falado sobre este assunto aqui.

como designer é normal que esteja atenta às tendências mesmo ao nível do lettering e há uns meses descobri que Lisboa tem uma fonte oficial.

criada por dois publicitários, Jaime Nascimento e Guilherme Nunes, da Leo Burnett, que não sendo de Lisboa souberam olhar para ela.





Os eléctricos de Lisboa fazem parte da paisagem lisboeta e tornaram-se um ícone da cidade. Para além de pintarem as ruas de amarelo riscam o céu azul da capital com os seus cabos.
Da complexa malha feita por estes, surgiu a ideia de criar uma tipografia, cujo traço é formado pelo cruzamento aleatório dos mesmos. Assim, a LX Type passa a ser a fonte oficial de Lisboa.

e a caminhar passo a passo, o Manuel já tem uma nova escola.



 
a fonte está disponível para Mac e Windows.

a música do filme é dos Dead Combo

e percebi que ainda não levei o M. a andar de elétrico...

7.26.2014

assim-assim

confesso que sou um bocado de extremos. gosto ou não gosto e o assim-assim sempre me soou a mediano, excepto no que respeita ao tempo.

não gosto de frio que prende os ossos, nem do calor que sufoca. os dois têm a capacidade de me toldar o corpo e desespero. o tempo morno ou assim-assim sabe-me bem.

gosto da praia do final do dia, quando as gaivotas regressam a terra e, desde que o Manuel nasceu que faço no máximo duas horas de praia e a desoras. sim é verdade, pouco ou nada mudo de cor, mas em boa verdade nunca gostei de ver a marca do biquíni cravada na pele.

enquanto não posso ir de férias vou sonhando com a água fria nos pés e com a minha nova toalha

talvez não tivesse importância nenhuma a não ser o facto de as minhas últimas toalhas terem sido sempre anexadas e perdidas.

gosto muito da PIP e não tenho sido justa com a Dália, da Papelaria Inédita, que sempre que eu sonho com uma coisa ela faz tudo para realizar esse desejo.

espero ainda a chegada do meu péu...

pena que os chapéus da Alexandra tenham chegado mais tarde...

enquanto sonho com a brisa que faz parte de mim, vou trabalhando e desenhando agosto.

e a sonhar com estrelas




7.25.2014

vazio

com o tempo muito contado dei por mim a sentir um dado vazio por há muito tempo não falar sobre livros. em boa verdade há quem o faça de uma forma séria, muito bem escrita e a tempo e horas.

a Catarina Sobral voltou a surpreender com Vazio, de tão cheio que é, abdicando de uma abordagem do absurdo que caracterizava os outros livros.

Vazio acaba por ser uma metáfora de quem procura preencher-se a si próprio...

e falha.


li sobre quem achou que Vazio fala da desumanização das grandes cidades, mas para quem viveu no campo durante 14 anos, sei que não é assim tão linear.

na cidade somos estranhos uns para os outros, mas nesta "aldeia" seremos sempre estrangeiros, o que nos torna nas costas, estranhos.


houve coisas boas, sim houve, mas não as suficientes para me fazerem permanecer.


e antes da partida gostava de apanhar as últimas amoras silvestres.

Vazio termina com o cliché de que o amor tem a capacidade de redimir mesmo estas almas, não importando o sítio.

mas verdadeiramente importa.

Vazio integra a série "Imagens que Contam", da Pato Lógico, da qual fazem parte "Capital" de Afonso Cruz (que em breve trarei para aqui), "Sombras", de Marta Monteiro e "Bestial" de André da Loba.

Confesso que gostei mais da aposta de capa que a Pato Lógico fez nos dois primeiros livros, porque distanciava-se da corrente do livro de capa dura.

Todos os livros partilham de uma construção textual utilizando unicamente a ilustração. dos quatro livros o que foge a uma narrativa com principio, meio e fim é o "Bestial" em que cada página conta por si uma história.

venham mais...

7.24.2014

o prometido é devido

com um dia de atraso aqui fica a receita destas bolachas magníficas. obrigada G.

e ainda de comida, ontem estreámos La Créperie da Ribeira

experimentámos dois dos muitos muitos crepes apetecíveis, mas o mais surpreendente é o uso de farinha de trigo sarraceno na confeção da massa.

depois de ter descoberto os benefícios das sementes deste fruto (fagopyrum), uma espécie de grão que na verdade é um parente do ruibarbo e das azedas e livre de glúten, fiquei com imensa vontade de o introduzir nas panquecas e nos scones, habitués na nossa casa.

Trigo sarraceno na saúdeÉ considerado energizante e nutritivo, apresenta altas quantidades de farelo, disponível quer nas variedades leve ou integral, com a variedade integral mais nutritiva. Uma vez que o trigo-sarraceno não contém glúten, é apto para uma dieta celíaca. Apresenta mais proteína do que o arroz, trigo ou milho, fonte de proteínas e de ferro.[1]É também fonte de manganês, magnésio (o magnésio é um mineral que ajuda a baixar a pressão dos vasos sanguíneos) e fibras dietéticas. Uma só chávena de trigo sarraceno contém cerca de 86 miligramas de magnésio. Os seus efeitos benéficos também estão ligados à presença de flavonóides, com destaque para a rutina (Vitamina P) e a quercetina. Estes previnem doenças, com a sua ação antioxidante. A sua proteína é de alto valor biológico, pois contém todos os aminoácidos essenciais, incluindo a lisina. Pesquisas afirmam que uma alimentação rica em grãos integrais, como o trigo sarraceno, previne doenças cardiovasculares, incluindo a aterosclerose, diabetes e obesidade, entre outras, devido ao seu teor de fibras e outros compostos, como gorduras polinsaturadas.[2]
Os Yi, um dos povos da China, consome cerca de 100g diários de trigo sarraceno; uma investigação demonstrou que os que na sua dieta alimentar utilizavam trigo sarraceno, tinham conseguido diminuir os níveis do colesterol LDL e aumento do HDL.[3]

enquanto eu me deliciava com perguntas à volta do mesmo tema, ela deliciava-se com o meu chapéu.

e está cada vez mais bonita...




7.22.2014

férias versus fazer o que se gosta

há 15 anos quando decidi despedir-me e formar a minha empresa  não tinha a plena consciência do que tudo isso significava.

há 15 anos que deixei de ter férias marcadas, o que em certa medida era muito bom, e foi, até o Manuel entrar para a escola.
viajámos contra a corrente, sem enchentes e gozámos os pequenos períodos de tempo que repartíamos ao longos do ano.
aproveitámos o encanto das estações em locais e países diferentes.

hoje e quase no fim de julho não tenho férias marcadas e com dois livros em mãos torna-se ainda mais difícil, mas sei que pelo Manuel terei de me organizar, ainda mais, para que ele sim tenha férias marcadas.


ainda não arrisco contabilizar as ilustrações que tenho e muito menos as que faltam, mas ao longo destes anos percebi que faço o que gosto e isso dá-me o alento para aguentar as fotos das férias dos outros.

e ainda há os meninos do Chiado, da Mouraria e de Alfama e os meus "velhos" que me enchem o coração e fazem-me olhar para o trabalho deles e sentir um enorme orgulho de tão bons que são.

e porque não sei estar quieta ainda experimento receitas

fica prometida para amanhã a receita destas bolachas. obrigada G por me teres ensinado.

7.19.2014

lisbon short stay

não é à toa que a revista Monocle considerou Lisboa uma das 25 melhores cidades para se viver.

"Despite the crisis, the city is packed with entrepreneurs running everything from retail to restaurants in a decidedly Portuguese way". Congrats Lisbon and all our entrepreneurs!

habituada a ir dormir a Cascais e a considerar essa a minha casa, a verdade é que passei grande parte da minha adolescência e idade adulta em Lisboa. primeiro na António Arroio, depois no IADE, e mais tarde entre agências de publicidade, jornais e Sociedade Nacional de Belas Artes.

Lisboa está cada vez mais cosmopolita e transpira beleza por todos os poros. nas veias corre-lhe história que se sente nas gentes e na sua arquitectura,

há problemas a resolver. há! mas Lisboa nunca esteve tão bonita.

na última terça feira, três das mulheres desta família, rumaram a Lisboa. o objetivo principal era ir jantar ao Mercado da Ribeira. houve passeios e muitas paragens, uma delas num sítio magnífico

Lisbon short stay é mais do que um hotel, até porque se pode almoçar, lanchar ou simplesmente beber um copo. a dificuldade reside na escolha.

um projeto familiar que faz com quem o visite fique com a sensação de estar numa galeria de arte. muito inspirado na Pop Art, com muitas alusões a Pollock e ao Expressionismo Abstracto.

outra mais valia, e para quem tem crianças é óptimo, é o facto de todos os quartos terem kitchenette.

algumas das peças estão à venda, e ao contrário do que acontecia com um bar que havia em Cascais, o "Mise en Scene", não são as peças que estão ao serviço.

confesso que estou tentada a ir comprar os individuais, existem muitos diferentes, o que torna a escolha ainda mais difícil.


um ambiente descontraído, com detalhes interessantes, embora alguns a tocar muito o kitch.

o mais sóbrio talvez seja mesmo o acesso ao terraço do edifício onde se vislumbra a beleza desta cidade e do rio que se espraia.

deste olhar que suscitou muitos comentários no facebook deveu-se a este urso. não que me tenha encantado propriamente, mas era a sombra projectada que lhe dava um corpo imaginário e que não descansei enquanto não o fotografei.

ainda a referenciar o modo carinhoso como fomos recebidas pela dona do LSS e o mimo que tivemos de dividir porque havia um jantar à nossa espera.



ficou prometida uma noite...

7.17.2014

some kind of blue

são muitas as designações que encontro para esta cor. para mim é sinónimo de mar, de férias, de Pantone 333c e da Vintage Bazaar.


a Vintage Bazaar é uma das minhas lojas preferidas, cheia de coisas de fazer perder a cabeça e com um atendimento 5 estrelas. não fossem os preços a rondar o proibitivo, traria a loja toda.

da última vez veio uma túnica, um vestido, umas sandálias, uma pulseira e um chapéu claro.

adoro chapéus, são bonitos, dão uma ar super elegante e cumprem o objetivo de nos protegerem deste calor sufocante.



 a trabalhar no próximo livro dei por mim não só a usar este aqua, mas a ir buscar inspiração ao vestido da Vintage Bazaar

deste último espaço farei um outro post, porque merece...

uma,

duas,

três visitas...

e umas noites bem passadas.


ainda deste aqua.

7.11.2014

gerações

este ano começou com dois livros e os habituais ateliês que costumo orientar, mas em moldes diferentes, o que para mim foi de certa forma gratificante porque se estreitaram laços que eram praticamente impossíveis de acontecer quando saltitava de turma em turma, de escola em escola.

este ano começou com um outro grande desafio: dar aulas a pessoas velhas. sim, são velhos. a pessoa mais nova tem 75 anos e o resto passou há muito a casa dos 80. sim, são velhos, mas são autónomos, capazes, bonitos, mesmo com as suas maleitas.

este ano trouxe-me este doce sabor que desconhecia, e, apesar de continuar a dar os ateliês aos mais pequeninos, é com estes velhos que me sabe bem estar. que me abraçam, que por vezes me dão comida à boca porque tenho as mão sujas de tinta, que me dizem que estou bonita e a quem beijo na testa.

por estes dias uma das minhas velhinhas ofereceu-me este fatinho de bebé, feito à mão pela sogra e segundo ela, com mais de 80 anos.


não sei se tem 80 anos, mas sei que é bonito e feito com uma perfeição invejável.

os cinco botões de madrepérola escondem pequeninas molas de pressão para se tornar mais fácil o vestir.

o que me custa é o apego que ganho a objetos assim cheios de histórias por contar.

e porque vamos mudar de casa, sei que há objetos que tenho de largar, simplesmente porque acho que não devem ficar guardados numa caixa à espera de novos tempos.

por esse motivo aparecerão imagens de algumas peças que o valor é relativo, mas que em determinado momento significaram muito para mim e que por essa razão só oferecerei a quem realmente gostar muito delas.

(as peças estarão identificadas e o pedido deverá ser feito para o mail rreimao@gmail.com)

e ainda de roupas pequeninas perco-me na doçura da Tocotó Vintage.

e que a velhice nunca vos passe...

7.04.2014

Fold

viver no Alentejo (interior) não significa comer bem, talvez achem que eu estou completamente errada tendo em conta as inúmeras iguarias, mas a verdade é que é uma alimentação que passa muito pela carne e na sua maioria pelo porco com os seus derivados.

claro que os enchidos são de babar, e quanto mais gordos mais saborosos, mas é impensável comer assim todos os dias...

aqui em casa raramente entra carne de porco e a carne de vaca que até há algum tempo eu gostava na versão de "vaca a mugir" no prato, tornou-se insuportável.

comer fora é na maioria das vezes uma prova à minha paciência na tentativa de conseguir um prato para lá do típico alentejano.

agora é o momento da habitual ladainha, comida saudável, comida que passe ao lado do consumo de carne, superalimentos...
sim é verdade, não consigo deixar de falar neste tema porque tornou-se indispensável no meu dia-a-dia, mas também é verdade que nem sempre é fácil, por falta de cooperação dos elementos da casa e pela quantidade de quilómetros que faço por semana.

fazer comida só para mim torna-se esgotante, mas sabe bem quando decidem experimentar sem receios novos sabores.


a Carolina, mãe de três, uma mulher moderna e que passa ao lado de blogs e facebooks, ajudou-me a descobrir alimentos ricos em proteínas e alternativas para me sentir em forma. atenção que o "em forma" não passa por questões estéticas.

a Julieta, outra mulher moderna, mãe de duas meninas, das bloggers mais genuínas que conheço, com um sentido de humor ímpar, iniciou-me nos sumos verdes. (e arrojada o suficiente para se envolver neste projeto)


nada a apontar ao gosto porque são de facto muito bons, mas nem sempre consigo ter tempo para os preparar.

por isso voltei aos meus iogurtes cheios de sementes, frutos secos e granola.

mesmo com estes alimentos procuro sempre o consumo dos que são biológicos como é o caso da granola em que a minha escolha vai para o Museu do Pão e para a doSemente. Atenção à produção de alguns particulares porque o prazo de validade é de um mês e neste caso e se tiver tempo o melhor é ser o próprio a fazer.

com as sementes passa-se o mesmo, apesar de encontrarmos nos supermercados alguns destes alimentos a um preço bastante acessível, a minha escolha recai sobre a iswari. aceitam-se sugestões)

 granola com figos da doSemente.


as saladas são geralmente acompanhadas de quinoa,

se os sumos ficaram temporariamente postos de lado por falta de tempo alguns dos alimentos adicionados passaram a constar nos iogurtes.

a Fold é uma marca desses superalimentos criada por um grupo de farmacêuticos com o propósito de aumentar a consciência sobre a necessidade de uma alimentação rica e variada. os seus produtos são apresentados na forma de pó, triturados a frio ou liofilizados para a preservação de todos os fitonutrientes.

também aqui a minha escolha recaiu sobre os produtos que podiam aumentar o meu sistema imunitário, que fossem ricos em magnésio, zinco e fibras.

o R. vendo o "nosso" entusiasmo perguntou se havia algum que aliviasse a tristeza. claro que há, mas é preciso resolver as questões de fundo...


a receita da tarte está no 220º
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