9.30.2014

do Alentejo

este fim de semana regressámos ao Alentejo e confesso que na bagagem carregava uma boa dose de ansiedade.

como é que iria encontrar a casa, as pessoas, como é que conseguiria gerir uma infinidade de pensamentos que me têm acompanhado nestes últimos meses.

adiei a chegada à casa que habitei nos últimos 14 anos, deixei-me prender na conversa com amigos que fiz questão em rever.

surpreendentemente a casa tinha o meu cheiro e estranhamente senti-me no meu espaço, apesar de algumas coisas já terem sido arrumadas...

voltámos a sítios onde fui feliz


não sei se pela chuva que ameaçava cair, a Feira de Estremoz estava tristemente despida dos seus comerciantes.

faltou-nos um espelho bonito para cumprir uma tradição.

e ainda encontrámos cenas mais ou menos caricatas que nos fez soltar uma gargalhada.

regressámos ainda à Taberna do Adro, quatro anos desde a última vez, dez anos depois do M. ter nascido, (claro que pediu para ver novamente o livro da casa, onde já havia referências a ele), 15 anos depois de estar contigo e 17 quando a descobri.



regressei com duas grandes certezas, por muito que haja coisas que me encantem, eu não sou dali.

e que há pessoas que não valem um caracol e que mesmo em sítios pequenos não temos de ser obrigados a privar com elas a não ser que no fundo seja essa a nossa vontade...

9.25.2014

2 semanas de balanço

as últimas semanas têm sido de adaptação, mais do que a novos espaços, a novos horários. conciliar os meus, que aumentaram, aos dele, significa na maioria dos dias viagens sucessivas de um lado para o outro em compassos de espera de ambas as partes.

para os amigos que querem muito saber como está o M. na nova escola, posso dizer que no segundo dia já havia da parte dele "os meus melhores amigos", o que não significa que tenha esquecido os que deixou aí, até porque mantém diálogos diários com os mesmos via internet.

já houve "excelentes" em trabalhos e a grande mais valia é ser uma escola que prima pela interculturalidade, que estimula valores como o da cidadania, paz, igualdade, tolerância e educação multicultural. uma escola que se quer integradora, equitativa, justa, responsável e solidária.
uma escola que exige responsabilidade por parte deles e se o caso justificar o encarregado de educação recebe uma mensagem no segundo a seguir a algum incidente.

as aulas de música são agora numa nova escola , com um horário bastante mais alargado: 1H30 de formação musical (La chanson du sommeil, de Gurlitt), 1H30 de coro, com Schubert e ainda as aulas de piano com uma professora búlgara e com a particularidade de ter as mãos tapadas e só poder olhar para a partitura.

o entusiasmo tem sido grande porque tanto na escola como na música acompanha com dois grandes amigos.

para além dos ateliês e do livro que se está a estender por muito tempo, procuro retomar os hábitos dos bons sítios.

do estômago, recomendo o Talho de Kiko Martins com a alheira envolta em massa kadaif e a "bomba" de chocolate com gelado de azeite.

uma ida ao sempre acolhedor e simpático Boteco da Linha.


e ainda dois almoços no Lost in, sempre em boa companhia.



o bom é que há sempre colo, mesmo para assuntos sérios.

temos procurado manter outras rotinas como ter sempre flores em casa.


e ainda somos mimados pela florista porque simpatizou connosco.

em casa já apetece andar calçada, mas sem meias e os pés já foram arranjados com nova cor, um prazer que não dispenso mesmo no tempo frio.


um post demasiado longo e com muitas coisas ainda por contar, mas é essencialmente um mimo para os amigos que deixei aí.

9.07.2014

com os dois pés

a poucos dias de estarmos definitivamente instalados na nova casa dou por mim com questões que nunca se tinham colocado, balanços que me vejo a fazer e para os quais não tenham uma resposta clara, o que me leva a perguntar se os últimos 15 anos marcaram-me de um modo indelével ou é a idade que me leva a uma outra maneira de estar e pensar.

há 14 anos quando fizemos as malas rumo ao Alentejo deixei para trás família e amigos sem que houvesse essa noção de perda, afinal estava a 1H30 de Lisboa. com o passar dos anos comecei a sentir o peso da distância e essa hora e meia revelava-se então com uma outra e enorme dimensão.


posso dizer que fui feliz nos primeiros anos, que conheci pessoas fantásticas e que se tornaram amigos para a vida, desses sim vou ter saudades. e existiram outros que preferia não ter conhecido, mas em boa verdade e se for honesta comigo mesmo também houve pessoas que não queria ter conhecido em Lisboa, a diferença é que aqui as coisas adquirem contornos tão diferentes e provavelmente sobre-dimensionados.


vieram os anos e a ausência de quem me era importante tornou-se insuportável, a pequenez do modo de pensar e a falta de meios fez com que as viagens de regresso trouxessem-se lágrimas por cada árvore que via passar, e como eu gosto de árvores...


partimos com medos, mas com a esperança de recuperarmos a nossa felicidade, de rirmos muito, de vivermos a vida ainda mais.


nunca gostei do primeiro dia de coisa nenhuma e dou por mim a pensar que o último é tão ou mais angustiante.


não vou falar de ninguém e não direi adeus a nenhum de vocês, carregarei-vos junto do meu coração, sempre.


mas há uma pessoa, que em jeito de boas vindas me encheu cheia de papéis e a quem atribuo muito a autoria dos meus livros por os tornar ainda mais ricos. obrigada Luisa.




e num país de pés, eu estarei com os meus na nova casa.



9.02.2014

branco

apesar do livro que tenho entre mãos e do inicio dos ateliês ainda estava num mood white com sabor a tempo quente...

da jarra que acolhe as nossas flores (otchipotchi)

da blusa romântica da Vintage Bazaar, e da travessa da Cerâmicas na Linha

gosto tanto desta loja em que a loiça apetece vestir


do branco que se veste ao deitar

do guardião que o protege há tantos anos.

da farinha que se usa...

para estrear o novo cake stand da Bordallo

isto tudo até receber uma mensagem para ir levantar os livros e perceber que a escola está quase a começar

e ficamos assim...

numa versão upside down com a fabulosa coleção AW2014 da polaca Ewa Wrobel-Hultqvist.

e sonha-se grande ter os pés deles, pequeninos

mas porque o sol ainda permanece aproveitemos os dias





9.01.2014

granola e outras sementes

o Mercado da Ribeira suplantou o Mercado de Campo de Ourique não só pela variedade, mas acima de tudo pela simpatia, onde o segundo peca um bocado, excepto os Frutos Secos do Mercado (deve haver mais), onde vale a pena ir para dar mais do que dois dedos de conversa.

aí sim prima a simpatia, o conhecimento, a troca de experiências entre quem está do lado de trás do balcão como de quem os visita.

a última granola foi comprada aqui e o preço é excelente.

a grande vantagem é terem a base da granola (aveia, semente de girassol, abóbora, um pouco de sésamo e mel) e escolher-se aquilo que queremos juntar-lhe.

eu aproveitei para comprar castanha do pará e nozes pecan (apesar de preferir as nossas), mas com a intensão de experimentar uma receita.

escusado será dizer que os pequenos almoços são sempre deliciosos.

ou os lanches

ainda de sementes ficou a passagem pelo mercado de Olhão de onde vieram chulas e pão de alfarroba

fiquei com pena de não ter experimentado as bolas de berlim de alfarroba que a Margarida fez questão em mostrar e ao que parece são deliciosas

8.18.2014

respeito e disciplina no mobiliário

voltámos ao MUDE agora para ver uma exposição muito especifica "O respeito e a disciplina a que todos se impõe" e é uma seleção de peças mais significativas sobre o mobiliário utilizado em edíficios públicos, durante os quarenta anos de vigência do Estado Novo.

No início de 40 (séc. XX), foi criada sob a responsabilidade do Ministério das Obras Públicas, a "Comissão para Aquisição de Mobiliário" e se por um lado houve um estímulo para a economia do setor, por outro não se sentiu que esse investimento se aplicasse a uma indústria nacional mais competitiva, a falta de projetistas com formação especializada, a burocracia para fazer cumprir projetos e selecionar empresas mais aptas, e sobretudo a preocupação em passar a imagem do Estado, marcou a falta de ambição no que respeita ao mobiliário destes edíficios, - "um mínimo de aprumo, equilíbrio e bom gosto" (...) a fim de de transmitir "o respeito e a disciplina a que todos se impõe".

a exposição divide-se em quatro núcleos, por um lado a atração internacionalista, por outro um estado conservador e totalitário, e ainda o movimento moderno onde encontramos diferentes orientações estéticas e ideológicas que se materializam em projetos de mobiliário destinados a edifícios concretos e um quarto núcleo, os móveis-tipo desenhadas para cumprir determinados tipos de função, sem que houvesse um edifício único como destino.

Se por um lado gostei de ver a propositada "não preocupação" em restaurar algumas peças e apresentá-las ao público sob a forma como foram "resgatadas", por outro houve peças que senti necessidade de ver de perto e de outros ângulos e que em alguns casos se mostrou impossível.

a cadeira vermelha pertence ao Palácio de Justiça do Porto, um projecto de 1960 do arquitecto Raul Rodrigues Lima (1909-1980).





estes dois exemplares pertencem ao Instituto de Medicina Tropical, em Lisboa, um projeto de 1956 do arquitecto José Luís Amorim (1924-1999)

tenho sentido alguma falha (atempada) da parte dos museus na produção de catálogos sobre as exposições que apresentam. tenho consciência das exigências a que um catálogo impõe, mas visitar exposições com crianças nem sempre é fácil e eu falo do Manuel que sempre me acompanhou, mas não é fácil manter o ritmo das duas leituras, a minha e a dele.

cadeira desenhada pelo arquitecto João Andresen (1920-1960), para a Pousada de São Teotónio em Valência do Minho.

uma exposição marcada com as cicatrizes da época.
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