10.24.2014

SOS Azulejo

há quase dois meses que faço este percurso...

há quase dois meses que vou fotografando estes prédios e os seus azulejos.



hoje soube por uma partilha da Alexandra o que está a acontecer aos azulejos do artista plástico Carlos Calvet por baixo dos andaimes colocados a propósito de uma obra de reparação do mesmo edifício.



é urgente a participação de todos e são muitos os que têm tentado travar este tipo de crime, mas é preciso mais.

é urgente a denúncia,
é urgente não ficar indiferente quando se vir estes ou outros azulejos à venda não sabendo a sua proveniência.

sei o valor que é poder ter um azulejo, como é o caso deste que guardo há anos, oferecido e assinado pelo arquitecto Bento de Almeida e Vítor Palla, do extinto Pic-nic no Rossio, quando ainda fazia a minha licenciatura.


o Pic-Nic de 1954 foi o primeiro snack-bar do País e acompanhei na altura o reviver destes anos pela boca dos dois arquitectos.

é um privilégio poder ter este azulejo, é, e não foi roubado.

é urgente a participação no Projecto SOS Azulejo, para que possamos continuar a olhar para a nossa história com orgulho, e não assistamos a mais fachadas esventradas.

de salientar o esforço de muitos que têm abraçado esta causa, como é o caso da Rosa Pomar.

sempre que vir uma fachada assim, denuncie, faça o download da imagem original e siga o exemplo da Alexandra.

os topos destes prédios têm ainda painéis em pastilha que queremos que se mantenham assim.

a foto do edifício da rua Rio de Janeiro é da autoria de Guerra daMata

10.22.2014

na cidade

este ano e com dois livros para saírem nesta altura não tivemos férias.

este ano e por causa da nossa mudança também não tivemos férias.

uma escapadela de uma semana não chegou para sentirmos o sabor do descanso.


agora e na recta final do segundo livro tenho um desejo enorme de abrandar e aproveitar esta mudança que há tanto desejávamos.

uma das coisas boas de se voltar à cidade é a oferta não só de bens, mas a cultural que temos procurado aproveitar ao máximo.

sei que por falta de tempo não temos gozado a cidade na sua plenitude, mas aos poucos vamos ganhando novas rotinas e quase todos os dias partimos para uma descoberta.

embora nos tenhamos afastado do campo continuamos com ele no coração e os mercados biológicos compensam o estômago e a alma.


as flores continuam a estar presentes na nossa vida. não podia ser de outra maneira, não fosse eu filha de maio.

a receita dos cogumelos é uma adaptação da receita de Jamie Oliver com cogumelos portobello.


10.16.2014

little things

quando o belo está nas mais pequenas coisas...




e está nas mais pequeninas pessoas...



e sim, estou bem neste mundo tão diferente do de casa, mas onde as crianças* sejam elas chinesas, moldavas, indianas ou africanas , têm o mesmo sorriso do menino que aqui habita.



*estes meninos pertencem ao ATL da Mouraria

10.15.2014

gerir os dias

ao fim de quase 16 anos sem saber o que é ter um emprego com horário fixo, posso concluir que tem o seu lado bom e menos bom.

a disciplina é o segredo para conseguirmos entregar os trabalhos a tempo e horas, porque a este trabalho de ilustração juntam-se ateliês, e esses sim com um horário fixo, e ainda os horários do Manuel.

não é fácil conciliar tudo, mas acreditar que é possível é um grande passo em frente.

procurar estar bem interiormente e exteriormente faz-nos sentir ainda mais capazes.

com a agenda da Pais & Filhos quase nas bancas (final de outubro), vou trabalhando num outro livro tentando não falhar o prazo.


o bom é aproveitar todo o outro tempo e gozar a vida...


e ainda descobrir tasquinhas fora dos restaurantes top e encontrar relíquias destas...

e sim, encontram-me mais no instagram

10.12.2014

também se vive de pão e de muitas letras

uma das grandes conquistas em regressar à cidade foi um acesso mais facilitado a uma série de revistas de que tanto gosto, e confesso que não sou compradora de muitas.

juntar essas leituras a uma das esplanadas mais simpáticas da Av. de Roma, talvez porque tem um jardim enorme e jazz como música de fundo, posso assegurar que se trata de "ouro sobre azul".

a Lillenord a par com a Milk e a Kinfolk são talvez três das minhas revistas de eleição e nenhuma dispensa uma visita ao site oficial que tem sempre novos artigos.

o novo número da Lille Nord Magazine tem a assinatura da ilustradora Meeri Anneli e só o cheiro da revista é o suficiente para nos deixar inebriados.

as fotos e as reportagens fazem-nos sonhar e este estilo nórdico, sóbrio, despojado, leva-me a reflectir no nosso espírito demasiado colector, não é Ana?

destaco a entrevista à artista sueca Nikki, em que fala da casa como o seu refúgio e como a percebo.

outro destaque vai para a artista e blogger Camilla Marie.

se conseguisse reproduziria a revista na integra e para quem puder comprar aconselho vivamente.

para além das entrevistas, das fabulosas produções de moda infantil, de projectos para fazer com os mais pequenos, existe ainda uma secção dedicada ao pão, nas suas mais variadas e apetecíveis formas e que espero experimentar nos próximos tempos.

ainda do que ganhámos na mudança é termos ao pé da porta uma antiga e genuína padaria portuguesa e podermos ter pão fresco todas as manhãs.

os individuais são do Lisbon Short Stay e pelos quais o M. se apaixonou...

na minha mesa de cabeceira está Final do Jogo, de Julio Cortázar, pela Cavalo de Ferro e Diário de Etty Hillesum, da Assírio & Alvim

10.06.2014

de começos

estávamos em janeiro e o início do segundo período lectivo deixava antever os longos meses que ainda tínhamos pela frente. havia uma certeza mudaríamos de casa e de terra mal as aulas acabassem.

passou o segundo período, não me lembro do terceiro, o ano terminou e ainda não se avizinhava uma data. tínhamos agora pela frente as férias grandes para tomar as grandes decisões, para escolher a nova casa.

três longos meses, se não tivessem acumulado dois livros e ateliês à mistura.

começou o novo ano lectivo e nós com casa nova, mas ainda sem luz, o que nos obrigou a passar os primeiros dias em dois hotéis. o lado bom foi descobrir mais uma vez, dentro do coração do Bairro Alto uma cadeia de hotéis instalados em edifícios antigos, remodelados, renovados, bonitos, com a sensibilidade de juntar peças de um design ultra-moderno com peças vintage.

a estadia alternou-se entre a Casa do Pátio e o Monte Belvedere.



  
na Casa do Pátio tivemos a possibilidade de ficar num apartamento com cozinha totalmente equipada e sala de de estar, apesar de não termos utilizado é sem dúvida uma escolha acertada para quem tem crianças pequenas e vê-se obrigado a aquecer leites e papas a meio da noite.

também informal, e é esse o espírito que impera em todos as casas Shiadu, o Monte Belvedere impõe-se pela sua arquitectura e pela vista magnífica sobre este rio que se espraia sobre Lisboa.

ficámos fãs. turistas, gente com vontade de uma escapadela ou homeless como no nosso caso é de aproveitar e desfrutar ao máximo do espaço e da simpatia.

 podem segui-los pelo site oficial ou pela página do facebook.

9.30.2014

do Alentejo

este fim de semana regressámos ao Alentejo e confesso que na bagagem carregava uma boa dose de ansiedade.

como é que iria encontrar a casa, as pessoas, como é que conseguiria gerir uma infinidade de pensamentos que me têm acompanhado nestes últimos meses.

adiei a chegada à casa que habitei nos últimos 14 anos, deixei-me prender na conversa com amigos que fiz questão em rever.

surpreendentemente a casa tinha o meu cheiro e estranhamente senti-me no meu espaço, apesar de algumas coisas já terem sido arrumadas...

voltámos a sítios onde fui feliz


não sei se pela chuva que ameaçava cair, a Feira de Estremoz estava tristemente despida dos seus comerciantes.

faltou-nos um espelho bonito para cumprir uma tradição.

e ainda encontrámos cenas mais ou menos caricatas que nos fez soltar uma gargalhada.

regressámos ainda à Taberna do Adro, quatro anos desde a última vez, dez anos depois do M. ter nascido, (claro que pediu para ver novamente o livro da casa, onde já havia referências a ele), 15 anos depois de estar contigo e 17 quando a descobri.



regressei com duas grandes certezas, por muito que haja coisas que me encantem, eu não sou dali.

e que há pessoas que não valem um caracol e que mesmo em sítios pequenos não temos de ser obrigados a privar com elas a não ser que no fundo seja essa a nossa vontade...
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