9.07.2014

com os dois pés

a poucos dias de estarmos definitivamente instalados na nova casa dou por mim com questões que nunca se tinham colocado, balanços que me vejo a fazer e para os quais não tenham uma resposta clara, o que me leva a perguntar se os últimos 15 anos marcaram-me de um modo indelével ou é a idade que me leva a uma outra maneira de estar e pensar.

há 14 anos quando fizemos as malas rumo ao Alentejo deixei para trás família e amigos sem que houvesse essa noção de perda, afinal estava a 1H30 de Lisboa. com o passar dos anos comecei a sentir o peso da distância e essa hora e meia revelava-se então com uma outra e enorme dimensão.


posso dizer que fui feliz nos primeiros anos, que conheci pessoas fantásticas e que se tornaram amigos para a vida, desses sim vou ter saudades. e existiram outros que preferia não ter conhecido, mas em boa verdade e se for honesta comigo mesmo também houve pessoas que não queria ter conhecido em Lisboa, a diferença é que aqui as coisas adquirem contornos tão diferentes e provavelmente sobre-dimensionados.


vieram os anos e a ausência de quem me era importante tornou-se insuportável, a pequenez do modo de pensar e a falta de meios fez com que as viagens de regresso trouxessem-se lágrimas por cada árvore que via passar, e como eu gosto de árvores...


partimos com medos, mas com a esperança de recuperarmos a nossa felicidade, de rirmos muito, de vivermos a vida ainda mais.


nunca gostei do primeiro dia de coisa nenhuma e dou por mim a pensar que o último é tão ou mais angustiante.


não vou falar de ninguém e não direi adeus a nenhum de vocês, carregarei-vos junto do meu coração, sempre.


mas há uma pessoa, que em jeito de boas vindas me encheu cheia de papéis e a quem atribuo muito a autoria dos meus livros por os tornar ainda mais ricos. obrigada Luisa.




e num país de pés, eu estarei com os meus na nova casa.



9.02.2014

branco

apesar do livro que tenho entre mãos e do inicio dos ateliês ainda estava num mood white com sabor a tempo quente...

da jarra que acolhe as nossas flores (otchipotchi)

da blusa romântica da Vintage Bazaar, e da travessa da Cerâmicas na Linha

gosto tanto desta loja em que a loiça apetece vestir


do branco que se veste ao deitar

do guardião que o protege há tantos anos.

da farinha que se usa...

para estrear o novo cake stand da Bordallo

isto tudo até receber uma mensagem para ir levantar os livros e perceber que a escola está quase a começar

e ficamos assim...

numa versão upside down com a fabulosa coleção AW2014 da polaca Ewa Wrobel-Hultqvist.

e sonha-se grande ter os pés deles, pequeninos

mas porque o sol ainda permanece aproveitemos os dias





9.01.2014

granola e outras sementes

o Mercado da Ribeira suplantou o Mercado de Campo de Ourique não só pela variedade, mas acima de tudo pela simpatia, onde o segundo peca um bocado, excepto os Frutos Secos do Mercado (deve haver mais), onde vale a pena ir para dar mais do que dois dedos de conversa.

aí sim prima a simpatia, o conhecimento, a troca de experiências entre quem está do lado de trás do balcão como de quem os visita.

a última granola foi comprada aqui e o preço é excelente.

a grande vantagem é terem a base da granola (aveia, semente de girassol, abóbora, um pouco de sésamo e mel) e escolher-se aquilo que queremos juntar-lhe.

eu aproveitei para comprar castanha do pará e nozes pecan (apesar de preferir as nossas), mas com a intensão de experimentar uma receita.

escusado será dizer que os pequenos almoços são sempre deliciosos.

ou os lanches

ainda de sementes ficou a passagem pelo mercado de Olhão de onde vieram chulas e pão de alfarroba

fiquei com pena de não ter experimentado as bolas de berlim de alfarroba que a Margarida fez questão em mostrar e ao que parece são deliciosas

8.18.2014

respeito e disciplina no mobiliário

voltámos ao MUDE agora para ver uma exposição muito especifica "O respeito e a disciplina a que todos se impõe" e é uma seleção de peças mais significativas sobre o mobiliário utilizado em edíficios públicos, durante os quarenta anos de vigência do Estado Novo.

No início de 40 (séc. XX), foi criada sob a responsabilidade do Ministério das Obras Públicas, a "Comissão para Aquisição de Mobiliário" e se por um lado houve um estímulo para a economia do setor, por outro não se sentiu que esse investimento se aplicasse a uma indústria nacional mais competitiva, a falta de projetistas com formação especializada, a burocracia para fazer cumprir projetos e selecionar empresas mais aptas, e sobretudo a preocupação em passar a imagem do Estado, marcou a falta de ambição no que respeita ao mobiliário destes edíficios, - "um mínimo de aprumo, equilíbrio e bom gosto" (...) a fim de de transmitir "o respeito e a disciplina a que todos se impõe".

a exposição divide-se em quatro núcleos, por um lado a atração internacionalista, por outro um estado conservador e totalitário, e ainda o movimento moderno onde encontramos diferentes orientações estéticas e ideológicas que se materializam em projetos de mobiliário destinados a edifícios concretos e um quarto núcleo, os móveis-tipo desenhadas para cumprir determinados tipos de função, sem que houvesse um edifício único como destino.

Se por um lado gostei de ver a propositada "não preocupação" em restaurar algumas peças e apresentá-las ao público sob a forma como foram "resgatadas", por outro houve peças que senti necessidade de ver de perto e de outros ângulos e que em alguns casos se mostrou impossível.

a cadeira vermelha pertence ao Palácio de Justiça do Porto, um projecto de 1960 do arquitecto Raul Rodrigues Lima (1909-1980).





estes dois exemplares pertencem ao Instituto de Medicina Tropical, em Lisboa, um projeto de 1956 do arquitecto José Luís Amorim (1924-1999)

tenho sentido alguma falha (atempada) da parte dos museus na produção de catálogos sobre as exposições que apresentam. tenho consciência das exigências a que um catálogo impõe, mas visitar exposições com crianças nem sempre é fácil e eu falo do Manuel que sempre me acompanhou, mas não é fácil manter o ritmo das duas leituras, a minha e a dele.

cadeira desenhada pelo arquitecto João Andresen (1920-1960), para a Pousada de São Teotónio em Valência do Minho.

uma exposição marcada com as cicatrizes da época.

8.12.2014

insulae

numa das nossas idas à Embaixada descobri este banco que me chamou a atenção por duas razões, o seu design sóbrio de linhas direitas lembrava-me muito o mobiliário nórdico, mas o uso do tapete de trapo era uma coisa muito nossa.

e é verdade são mesmo nossos e pertencem à Insulae Design Studio, que tem como principal preocupação o desenvolvimento de produtos com uma consciência cultural, adaptando-os a um design moderno.

com o seu espaço de trabalho nos Açores, têm procurado desenvolver as suas linhas de produtos em parceria com artesãos, artistas, designers e escolas da região.

um design pontuado com alguns toques de humor não fosse esta empresa açoriana.

a minha preferência vai para para o primeiro banco corrido e para este que traz para a minha memória o mosaico hidráulico do corredor de casa

as duas últimas fotos pertencem à Insulae e apesar da homepage prometer somos remetidos para o facebook...

a Insulae conta ainda com uma linha dirigida aos pequenotes que vale uma visita cuidada.

mais uma menina

Bem-vinda Maria Caetena, nasceu hoje e é mais uma menina que se junta a esta família de mulheres.

só este post pequenino para assinalar o dia.

a ilustração faz parte do Livro do Bebé

8.11.2014

refúgios

brinquei até muito tarde, em boa verdade graças ao M, continuo a brincar e sabe-me muito bem.

os amigos da minha idade eram colegas de escola, crianças mais novas que faziam de mim mentor de brincadeiras e ainda os amigos dos irmãos que partilhavam sobretudo os jogos de tabuleiro, mas havia muitas brincadeiras solitárias sem que isso significasse sentir-me sozinha.

um lençol sobre a mesa de jantar resultava na cabana perfeita e posso agradecer à minha mãe que sempre nos deixou brincar livremente sem as sentenças do "podes partir", "podes sujar", o que também não significava que não tivéssemos regras.

hoje e se o M, fosse mais pequeno acho que me perdia por uma destas casas...



desenhada por esta mãe que tem um dos blogs mais criativos que conheço. cheio de ideias, fotografias de babar e sobretudo muitos sorrisos rasgasdos...

outro projecto que me tem permitido alguns momentos de sonho é este refúgio.

Weiwei Persson e Ida Liffner é a dupla dupla de designers suecas que estão por trás da HisoHiso e deste fantástico espaço.

um refúgio que permite viver através das ilustrações e de outras brincadeiras sonhadas.

a marca Tipi Kids oferece também uma boa alternativa, até porque se pode escolher o padrão da tenda.

apesar da minha tenda se assemelhar mais a esta na sua estrutura não tinha a riqueza das ilustrações impressas nos tecidos.


de certeza que vamos ouvir falar muito destas duas senhoras e ainda podem ser seguidas através do instagram, ou da sua página no facebook

as fotos pertencem aos sites acima referenciados

the decadente

as últimas semanas em Lisboa têm tido o sabor de férias, mesmo com ateliês pelo meio, sabe bem conciliar o meu tempo, com o que quero fazer, ver e estar e ainda ter o prazer da companhia desta miúda, sobrinha, entre os voos "loucos" que faz.

desde pequenina que era uma óptima companhia, levava-a para todo o lado e sempre bem disposta. verdadeiramente o que sabe bem é que essa boa companhia revela-se ainda mais todos os dias...

com The Insólito fechado (segunda feira), fomos ao "irmão" The Decadente

este palácio localizado entre o Bairro Alto e o Príncipe Real goza da magnifica vista do Miradouro de São Pedro de Alcântara e foi construído no século passado para ser a residência oficial do embaixador Suíço.


o Decadente integra um projecto mais abrangente que dá pelo nome The Independente e que se traduz num hostel, cheio de estilo.

a comida não é de chorar por mais, mas o ambiente descontraído, pontuado com a classe que o edifício impõe, faz do Decadente um bom espaço para estar nem que seja para beber um copo ao fim da tarde.



venham mais dias e noites assim


8.09.2014

millefiori milano

a casa é uma extensão daquilo que somos e uma das coisas que mais me agrada é entrar em casa e sentir um perfume no ar. sempre me incomodou aqueles difusores que de tempos a tempos libertam uma qualquer fragrância, primeiro porque são feios, mas sobretudo porque nos pregam valentes sustos quando a casa já dorme.

um destes dias e numa loja do espaço Entre Tanto, descobri os difusores de essências da Millefiori Milano e apesar da escolha ser variada optei pelas flores de cerâmica, com a base vidrada, talvez pela sua simplicidade.


a cor castanha da flor deve-se à essência âmbar que aos poucos foi impregnando a cerâmica.


fiquei de olho nas essências para a roupa de cama, porque o meu sonho era dormir em lençóis lavados e bem esticados todos os dias...





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