11.26.2014

dias longos

podia passar por aqui todos os dias e escrever sobre tudo ou apenas sobre as pequenas coisas que vão pontuando a nossa vida e que nos deixam de coração a descoberto, mas nem sempre o tempo, ou falta dele o permite.

ontem o dia teve tanto de mau como de bom, mas a noite fez-se acompanhar da serenidade que me tem acompanhado já por algum tempo.

depois de ter passado boa parte do dia no hospital a acompanhar o meu pai, o que não é de todo agradável, acabei por permanecer na rua porque algumas coisas o justificavam, a aula de piano do Manuel coincidia com a apresentação de um novo livro do meu querido amigo Afonso e foi um bom pretexto para os ir visitar.

 

uma conversa feliz entre o Afonso e a Anabela Mota Ribeiro fez-me olhar para este Mar de uma forma diferente. como diria o Afonso, e atenção porque estas palavras podem parecer descontextualizadas, este mar não é o mar da infância da Figueira, porque segundo ele não tem qualquer orgulho em ter nascido ali, como também não teria se fosse outro sítio. o orgulho está em ser o que é e nas coisas que faz.

e tem todos os motivos para se sentir orgulhoso, do pouco que já consegui ler deste Mar, ele "transporta histórias que navegam na direcção umas das outras" e que invariavelmente não nos deixam indiferentes.

esta última frase lembra-me uma do António Lobo Antunes que diz; Um livro é a orelha que encostamos à terra para ouvir o mundo

de parabéns está a Picas (Maria João Lima) por esta capa de que gosto tanto.

nas minhas esperas têm sido eleitos alguns espaços onde gosto de permanecer, sobretudo sozinha, para ler, beber um chá e saborear uma boa fatia de bolo...


o Fábulas é um sítio que frequento há mais de 4 anos e que gosto de ir a meio da tarde e sobretudo em dias chuvosos.


o Quinoa, pelos bagels e pela selecção de chás

"Cozinhar não é um serviço, meu neto" disse ela
"cozinhar é um modo de amar os outros"

Mia Couto in o fio das missangas



e o Café Tati e a sua fabulosa tarte de pêra...





11.23.2014

dos sons

mudança; acto de mudar; troca; modificação, transformação

para nós mudar foi essencialmente transformar o que tínhamos num projeto de vida mais pleno.
não trocámos uns amigos por outros, mas acrescentámos os que já tínhamos aqui, com os do Alentejo e ainda adicionámos uma boa mão cheia.

modificámos o ensino que passou a ter novas componentes. ao currículo escolar decidiu juntar um clube de cinema e num registo mais sério a Academia de Música de Vecchi-Costa.

perguntam-me se há tempo para brincar...

há dias difíceis, mas que acredito que existam outro tipo de compensações. o Manuel não é diferente de outros meninos de dez anos e se o deixasse provavelmente também agarrava-se ao computador em jogos intermináveis.

decidimos que o computador só é usado durante a semana, se houver trabalhos que assim o exigem. ganhámos tempo em conversas, em jogos simples que passam por esconder pequenos objetos em que é preciso encontrá-los. em horas intermináveis a brincar com legos. em exposições, em leituras, em jantares com quem gostamos. ganhámos tempo para nós. 



há dias difíceis, mas pelo que assistimos no sábado na Igreja do Santo Condestável, em Campo de Ourique, acredito que tem valido a pena.

Missa de Santa Cecília, com a participação musical do Coro, da Orquestra de Guitarras e da Orquestra Juvenil com interpretação de obras de Schubert, Purcell e Holst.



obrigada à família e aos amigos que se juntaram nesta celebração de Santa Cecília padroeira dos músicos

11.18.2014

work

com o livro O País dos Pés, de Maria de Lourdes Soares, a chegar às livrarias dou por mim a pensar que têm sido os meus pés os grandes companheiros destes três meses em Lisboa.

com uma agenda bastante mais cheia e para contrariar o trânsito ando, ando muito e sabe bem, claro que não o faço em dias de chuvas, mas são muitas as vezes que menos de meia hora separa as duas colinas da Baixa Lisboeta.

é uma sensação de plenitude este olhar que se tem do alto e que acompanha histórias difíceis de meninos incríveis que nos recebem de braços abertos e sorrisos rasgados.

a tudo isto junto uma nova colaboração onde me estreio com um texto da Isabel Braga, O Corvo, onde me apetece mostrar o lado mais visceral do meu trabalho.
confesso que precisava disto porque te traz em certa medida para perto de mim e acresce o carinho que tinhas pela Isabel.

ao contrário da Isabel nesta cidade encontro-me e encontro tudo o que me faz feliz...



11.14.2014

embondeiros

"Desenhei os embondeiros inspirado por um grande sentimento de urgência."

ir a Campo de Ourique significa na maioria das vezes ir comprar granola aos Frutos Secos do Mercado. houve tempos em que significou muito, mas muito mais...

mas visitar os Frutos Secos do Mercado significa também longas conversas, partilhas e descobertas.

da última vez viemos com estas sementes estranhas, que apesar de parecerem duras como as rochas desfazem-se com a facilidade de um toque.


falo da "mukua" ou o fruto do embondeiro que tem no seu interior este miolo ou polpa seca comestível, que desfaz-se facilmente na boca sendo o seu sabor adocicado com uma ligeira acidez. em Moçambique é usado como alimentação em tempos de escassez de alimentos.

nós temos feito chá e com o tempo a arrefecer sabe bem as bebidas quentes, embora muitos o tomem como bebida fresca.

numa família em que o índice de glicémia está no limite confesso que se tornou uma preocupação constante.
rico em polifenóis, este fruto mostrou-se cientificamente benéfico em reduzir a resposta glicémica,
revelando-se ainda uma fonte riquíssima de cálcio, potássio, tiamina e vitamina B6, sendo a sua polpa rica em proteínas e carboidratos.

"Desenhei os embondeiros inspirado por um grande sentimento de urgência."

é assim que Antoine de Sant-Exupéry fala de um embondeiro que serviu de inspiração para "O Principezinho" e segundo o poeta Diógenes da Cunha Lima teria sido um em particular, em Natal, no Rio Grande do Norte, pois algumas coincidências tornam esta hipótese credível.
Sant-Exupéry terá visitado Natal nas décadas de 20 e 30 e era hóspede da proprietária do terreno onde se encontra este embondeiro (baobá). os desenhos que surgem no livro, como o elefante, o vulcão, as dunas e as falésias em muito se assemelham ao mapa e a outros símbolos do Rio Grande do Norte.


"No planeta do principezinho havia umas sementes terríveis... eram as sementes do embondeiro. O solo estava infestado delas. Ora, se só se reparar num embondeiro quando já for bastante grande, nunca mais ninguém se vê livre dele. Esburaca o planeta com as raízes.(...)"

como seria bom abraçar uma árvore assim...

11.09.2014

celebrar os dias

o último livro consumiu-me grande parte dos dias e amontoaram-se na minha mesa de cabeceira vários livros que comprei nestes dois últimos meses.

a noite trazia o propósito da leitura, mas o cansaço traía os olhos. hoje e com o livro acabado confesso que decidi tirar as manhãs para sair de casa e ir ler para sítios apetecíveis e reservar esse tempo para mim antes de começar os ateliês no período da tarde.

neste entretanto dei por mim com leituras mais leves, das revistas que mais gosto. a flow trouxe no último número a história de Hailey Bartholomew, uma fotógrafa australiana, que decidiu iniciar um projecto que passa por tirar uma fotografia diariamente de algo que a fizesse sentir-se grata.

365 grateful project tens inspirado muitos a focarem a sua atenção nas coisas que realmente têm importância e a valorizar as pequeninas que tantas vezes nos passam ao lado. um projecto que nos ensina a estar verdadeiramente atentos, que deixemos de nos preocupar em fazer planos para o futuro e a vivermos mais o presente.

"The key to happiness is reflection and gratitude. All you have to do is dwell on what makes you grateful every day, even the little things"

com este pensamento Hailey agarrou na sua polaroid e decidiu tirar uma fotografia diariamente de algo que lhe desse essa noção de gratitude.

isto é valido para tudo na nossa vida, como encaramos os dias, o nosso trabalho, a relação com os filhos, a relação que temos com quem vivemos.

"Couples who regularly show their gratitude to one another stay together longer and are happier than couples that mostly complain about what they're not getting from the relationship."

Reprogramar o cérebro para esta conscencialização fará com que sejamos mais positivos e felizes. por aqui andamos a disciplinar-nos nesse sentido.

este número da flow traz um pequeno livro onde as pequenas coisas significam muito e ao escrever obriga-nos a pensar nelas.


confesso que ontem o maior prazer não foi teres-me acompanhado em mais uma exposição mas sim a dar por ti a sentires o prazer de levar contigo um pouco desse dia e a partilhá-lo com os teus amigos.


e o prazer de outras companhias...

11.06.2014

tempo de mudança

não podemos dizer que o frio se tenha instalado aos poucos, muito pelo contrário, de um verão tardio saltámos para temperaturas bastante mais baixas, a luz do dia é outra, e as chuvas também chegaram.
apesar de o outono ser uma das minhas estações preferidas, a par com a primavera, a verdade é que me vou sempre a baixo. talvez pelo cansaço, pois é uma altura em que tenho muito mais trabalho ou talvez por esta constante oscilação do estado do tempo, acabei por ficar sem voz e com uma tosse que me esgotou ainda mais.

sempre à procura de super-alimentos, de alternativas saudáveis, acabei por me esbarrar com o "turmeric latte" ou leite de açafrão e numa altura em que a sensação de aconchego sabe bem é em primeiro lugar uma boa alternativa aos sumos frescos pelo sabor quente que as especiarias lhe conferem.

os dois ingredientes de força motriz são o cúrcuma (encontramos várias designações para cúrcuma como turmérico, açafrão-da-terra ou mais vulgar o açafrão-da-índia) e o gengibre e ambos têm sido utilizados na medicina chinesa e indiana como agentes anti-inflamatórios potentes.

o leite de açafrão é uma bebida picante ligeiramente adocicada, com uma fabulosa cor e melhor ainda um estimulante do sistema imunológico capaz de reduzir a inflamação devido às suas propriedades.

uma rápida pesquisa leva-nos a inúmeras receitas para este leite, eu optei por esta, por ser a menos complicada porque usa os dois ingredientes já em pó (encontrei tudo o que precisava no supermercado Brio) e porque usa leite de amêndoa em vez do leite de vaca que há muito tempo abandonei.





1 chávena (caneca) de leite de amêndoa, quem o puder fazer melhor ainda (hei-de lá chegar)
1/2 colher de chá de açafrão em pó
1/2 colher de gengibre em pó
1/4 colher de chá de essência de baunilha
1/2 colheres de chá de mel (depende do gosto), no meu caso e porque não gosto muito de doces uma é suficiente.
1 pitada de sal marinho
e quem quiser, mas é opcional 1 colher de sopa de leite de côco.


junte todos os ingredientes e deixe ferver em lume brando até ter uma consistência cremosa.


esta música que junta duas Sobral de que tanto gosto, e os dias de chuva têm a cor de sorrisos rasgasdos




e se a chuva fosse sempre assim, doce

via

via


via zakka

11.05.2014

quartas feiras

a quarta feira é talvez o dia mais cansativo, pois as aulas de música prolongam-se até às 20H00. é o dia em que se goza pouco a casa, porque também é o dia que se aproveita para jantar fora.

nem sempre a disposição ajuda, nem a companhia, mas procuramos que seja um jantar de descobertas tanto a nível gastronómico como de espaços bonitos.

nem eu, nem ela somos de comer muito, mas gostamos de comer. cada prato é olhado como se de uma pintura se se tratasse. saboreamos, comentamos, temos surpresas e algumas desilusões.



o Cantinho do Avillez, no Chiado é um espaço onde a tradição anda de mãos dadas com a modernidade. um serviço informal, cosy que contribuem para um ambiente bastante relaxante.


o projecto do espaço ficou a cargo da arquitecta Ana Anahory e da decoradora Felipa Almeida, num estilo muito retro, mas verdadeiramente a destacar é uma instalação da Joana Astolfi (obrigada Alex), que deixa qualquer apaixonado pela arte da cozinha e de tudo o que a envolve num estado de enamoramento total.

as peças, a cor e a sua disposição harmónica faz-nos desejar permanecer por ali muito tempo, mas uma mesa de oito lugares impossibilita essa permanência. se gostasse de jantares com muita gente marcaria esta mesa.

as próximas fotografias são da autora e podem encontrá-las no site a par de muitos outros projectos igualmente brilhantes.


do chef Avillez fica ainda por conhecer o Belcanto.

11.04.2014

eu venho de longe

começo o mês de novembro cansada, mas com o dever cumprido. as ilustrações do novo livro já estão na editora e já tive a oportunidade de ver algumas páginas.



a agenda da Pais & Filhos também já está nas bancas e ao contrário do que acontece com a maioria das ilustrações dos meus livros, estas estão para venda (já não estão todas disponíveis, mas ainda não tive tempo de actualizar).

o cansaço trouxe-me algumas maleitas e foi no campo com o meu médico-amigo ou amigo-médico que eu tenho estado a recuperar.

entre receitas para isto e aquilo uma pergunta, - não estás arrependida, pois não?

Não e só me faz recordar esta canção



e cada vez mais acredito que a nossa casa é onde o nosso coração está.

a foto pertence ao blog Mer Mag 

10.29.2014

mosaico hidráulico

enquanto vivi no Alentejo uma das muitas coisas a que propus fazer foi uma recolha das casas que ainda conservavam o mosaico hidráulico e quais os seus padrões.

comecei pela minha, uma casa de meados do século XIX, assente sobre estruturas, portas, tectos e cisternas do século XIII.

um projecto que foi atropelado por falta de tempo, mas que não perdi a esperança de fazer esse levantamento.

pela cidade são muitos os que têm procurado fazê-lo sob pena de os ver desaparecer, até porque muitas vezes estão visíveis porque a casa ou o prédio encontra-se em obras de remodelação e o chão é quase sempre o primeiro a sair.

mas se uns tiram há quem esteja preocupado e interessado em manter vivo esta arte que teve o seu esplendor no inicio do século XX e que tem caído num profundo esquecimento.

a Koklatt procurou exaustivamente artesãos que ainda mantivessem as tradicionais técnicas de fabrico do mosaico hidráulico e isso é visível no seu trabalho.
no site da marca podemos encontrar não só um pouco de história, reprodução dos mesmos com a toponímia dos sítios onde foram encontrados, conselhos de manutenção e ainda uma série de fotos que nos inspiram e que me levam a ter vontade de voltar a ter em Lisboa uma casa com este chão.

estas fotos foram retiradas do site Petit Pan

esta de um dos meus blogs de eleição

e de quem se diverte com a vida.


além de não me apetecer deixar morrer o primeiro projecto, um dos próximos passeios que quero fazer é ir ao Museu da Vidigueira e conhecer os mosaicos d'Alcaria.

enquanto isso acho que vou encomendar uma destas almofadas da Alexandra e que podem ser encomendadas na sua loja Mariamélia.


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