7.22.2014

férias versus fazer o que se gosta

há 15 anos quando decidi despedir-me e formar a minha empresa  não tinha a plena consciência do que tudo isso significava.

há 15 anos que deixei de ter férias marcadas, o que em certa medida era muito bom, e foi, até o Manuel entrar para a escola.
viajámos contra a corrente, sem enchentes e gozámos os pequenos períodos de tempo que repartíamos ao longos do ano.
aproveitámos o encanto das estações em locais e países diferentes.

hoje e quase no fim de julho não tenho férias marcadas e com dois livros em mãos torna-se ainda mais difícil, mas sei que pelo Manuel terei de me organizar, ainda mais, para que ele sim tenha férias marcadas.


ainda não arrisco contabilizar as ilustrações que tenho e muito menos as que faltam, mas ao longo destes anos percebi que faço o que gosto e isso dá-me o alento para aguentar as fotos das férias dos outros.

e ainda há os meninos do Chiado, da Mouraria e de Alfama e os meus "velhos" que me enchem o coração e fazem-me olhar para o trabalho deles e sentir um enorme orgulho de tão bons que são.

e porque não sei estar quieta ainda experimento receitas

fica prometida para amanhã a receita destas bolachas. obrigada G por me teres ensinado.

7.19.2014

lisbon short stay

não é à toa que a revista Monocle considerou Lisboa uma das 25 melhores cidades para se viver.

"Despite the crisis, the city is packed with entrepreneurs running everything from retail to restaurants in a decidedly Portuguese way". Congrats Lisbon and all our entrepreneurs!

habituada a ir dormir a Cascais e a considerar essa a minha casa, a verdade é que passei grande parte da minha adolescência e idade adulta em Lisboa. primeiro na António Arroio, depois no IADE, e mais tarde entre agências de publicidade, jornais e Sociedade Nacional de Belas Artes.

Lisboa está cada vez mais cosmopolita e transpira beleza por todos os poros. nas veias corre-lhe história que se sente nas gentes e na sua arquitectura,

há problemas a resolver. há! mas Lisboa nunca esteve tão bonita.

na última terça feira, três das mulheres desta família, rumaram a Lisboa. o objetivo principal era ir jantar ao Mercado da Ribeira. houve passeios e muitas paragens, uma delas num sítio magnífico

Lisbon short stay é mais do que um hotel, até porque se pode almoçar, lanchar ou simplesmente beber um copo. a dificuldade reside na escolha.

um projeto familiar que faz com quem o visite fique com a sensação de estar numa galeria de arte. muito inspirado na Pop Art, com muitas alusões a Pollock e ao Expressionismo Abstracto.

outra mais valia, e para quem tem crianças é óptimo, é o facto de todos os quartos terem kitchenette.

algumas das peças estão à venda, e ao contrário do que acontecia com um bar que havia em Cascais, o "Mise en Scene", não são as peças que estão ao serviço.

confesso que estou tentada a ir comprar os individuais, existem muitos diferentes, o que torna a escolha ainda mais difícil.


um ambiente descontraído, com detalhes interessantes, embora alguns a tocar muito o kitch.

o mais sóbrio talvez seja mesmo o acesso ao terraço do edifício onde se vislumbra a beleza desta cidade e do rio que se espraia.

deste olhar que suscitou muitos comentários no facebook deveu-se a este urso. não que me tenha encantado propriamente, mas era a sombra projectada que lhe dava um corpo imaginário e que não descansei enquanto não o fotografei.

ainda a referenciar o modo carinhoso como fomos recebidas pela dona do LSS e o mimo que tivemos de dividir porque havia um jantar à nossa espera.



ficou prometida uma noite...

7.17.2014

some kind of blue

são muitas as designações que encontro para esta cor. para mim é sinónimo de mar, de férias, de Pantone 333c e da Vintage Bazaar.


a Vintage Bazaar é uma das minhas lojas preferidas, cheia de coisas de fazer perder a cabeça e com um atendimento 5 estrelas. não fossem os preços a rondar o proibitivo, traria a loja toda.

da última vez veio uma túnica, um vestido, umas sandálias, uma pulseira e um chapéu claro.

adoro chapéus, são bonitos, dão uma ar super elegante e cumprem o objetivo de nos protegerem deste calor sufocante.



 a trabalhar no próximo livro dei por mim não só a usar este aqua, mas a ir buscar inspiração ao vestido da Vintage Bazaar

deste último espaço farei um outro post, porque merece...

uma,

duas,

três visitas...

e umas noites bem passadas.


ainda deste aqua.

7.11.2014

gerações

este ano começou com dois livros e os habituais ateliês que costumo orientar, mas em moldes diferentes, o que para mim foi de certa forma gratificante porque se estreitaram laços que eram praticamente impossíveis de acontecer quando saltitava de turma em turma, de escola em escola.

este ano começou com um outro grande desafio: dar aulas a pessoas velhas. sim, são velhos. a pessoa mais nova tem 75 anos e o resto passou há muito a casa dos 80. sim, são velhos, mas são autónomos, capazes, bonitos, mesmo com as suas maleitas.

este ano trouxe-me este doce sabor que desconhecia, e, apesar de continuar a dar os ateliês aos mais pequeninos, é com estes velhos que me sabe bem estar. que me abraçam, que por vezes me dão comida à boca porque tenho as mão sujas de tinta, que me dizem que estou bonita e a quem beijo na testa.

por estes dias uma das minhas velhinhas ofereceu-me este fatinho de bebé, feito à mão pela sogra e segundo ela, com mais de 80 anos.


não sei se tem 80 anos, mas sei que é bonito e feito com uma perfeição invejável.

os cinco botões de madrepérola escondem pequeninas molas de pressão para se tornar mais fácil o vestir.

o que me custa é o apego que ganho a objetos assim cheios de histórias por contar.

e porque vamos mudar de casa, sei que há objetos que tenho de largar, simplesmente porque acho que não devem ficar guardados numa caixa à espera de novos tempos.

por esse motivo aparecerão imagens de algumas peças que o valor é relativo, mas que em determinado momento significaram muito para mim e que por essa razão só oferecerei a quem realmente gostar muito delas.

(as peças estarão identificadas e o pedido deverá ser feito para o mail rreimao@gmail.com)

e ainda de roupas pequeninas perco-me na doçura da Tocotó Vintage.

e que a velhice nunca vos passe...

7.04.2014

Fold

viver no Alentejo (interior) não significa comer bem, talvez achem que eu estou completamente errada tendo em conta as inúmeras iguarias, mas a verdade é que é uma alimentação que passa muito pela carne e na sua maioria pelo porco com os seus derivados.

claro que os enchidos são de babar, e quanto mais gordos mais saborosos, mas é impensável comer assim todos os dias...

aqui em casa raramente entra carne de porco e a carne de vaca que até há algum tempo eu gostava na versão de "vaca a mugir" no prato, tornou-se insuportável.

comer fora é na maioria das vezes uma prova à minha paciência na tentativa de conseguir um prato para lá do típico alentejano.

agora é o momento da habitual ladainha, comida saudável, comida que passe ao lado do consumo de carne, superalimentos...
sim é verdade, não consigo deixar de falar neste tema porque tornou-se indispensável no meu dia-a-dia, mas também é verdade que nem sempre é fácil, por falta de cooperação dos elementos da casa e pela quantidade de quilómetros que faço por semana.

fazer comida só para mim torna-se esgotante, mas sabe bem quando decidem experimentar sem receios novos sabores.


a Carolina, mãe de três, uma mulher moderna e que passa ao lado de blogs e facebooks, ajudou-me a descobrir alimentos ricos em proteínas e alternativas para me sentir em forma. atenção que o "em forma" não passa por questões estéticas.

a Julieta, outra mulher moderna, mãe de duas meninas, das bloggers mais genuínas que conheço, com um sentido de humor ímpar, iniciou-me nos sumos verdes. (e arrojada o suficiente para se envolver neste projeto)


nada a apontar ao gosto porque são de facto muito bons, mas nem sempre consigo ter tempo para os preparar.

por isso voltei aos meus iogurtes cheios de sementes, frutos secos e granola.

mesmo com estes alimentos procuro sempre o consumo dos que são biológicos como é o caso da granola em que a minha escolha vai para o Museu do Pão e para a doSemente. Atenção à produção de alguns particulares porque o prazo de validade é de um mês e neste caso e se tiver tempo o melhor é ser o próprio a fazer.

com as sementes passa-se o mesmo, apesar de encontrarmos nos supermercados alguns destes alimentos a um preço bastante acessível, a minha escolha recai sobre a iswari. aceitam-se sugestões)

 granola com figos da doSemente.


as saladas são geralmente acompanhadas de quinoa,

se os sumos ficaram temporariamente postos de lado por falta de tempo alguns dos alimentos adicionados passaram a constar nos iogurtes.

a Fold é uma marca desses superalimentos criada por um grupo de farmacêuticos com o propósito de aumentar a consciência sobre a necessidade de uma alimentação rica e variada. os seus produtos são apresentados na forma de pó, triturados a frio ou liofilizados para a preservação de todos os fitonutrientes.

também aqui a minha escolha recaiu sobre os produtos que podiam aumentar o meu sistema imunitário, que fossem ricos em magnésio, zinco e fibras.

o R. vendo o "nosso" entusiasmo perguntou se havia algum que aliviasse a tristeza. claro que há, mas é preciso resolver as questões de fundo...


a receita da tarte está no 220º

7.03.2014

céu das mães

no sábado rumámos a Leiria para o lançamento oficial do livro O Céu das Mães escrito pelo Paulo Kellerman e editado pela Paulinas.

o lugar não podia ser melhor. a Arquivo é uma das livrarias de culto, encabeçada por gente fantástica.

uma sala cheia de amigos, (do Paulo), que nos acarinharam como amigos de há muito.

houve momentos de revelações e outros pontuados de grande humor, que as imagens não deixam esconder.

o Paulo lembra-me muito um outro amigo, também escritor e livre de "caganças".

o Paulo tem o jeito terno de uma criança e só a sua presença enche uma sala.

não foi um livro fácil, até pelo tema que aborda.
como mãe questionei-me muitas vezes sobre a fragilidade que esta história podia ter em mim.

ao contrário de outros livros em que fui revelando alguns detalhes, este e por orientação da editora não foi possível. e assim este menino foi crescendo dentro de mim, com uma grande dose de solidão.


hoje e até porque o professor Marcelo Rebelo de Sousa já falou dele, sinto que pode ser mostrado por aqui.

um livro que não traz a solução para a morte, mas que nos ensina a procurar e a encontrar dentro de nós o espaço vazio que ela deixa.

era bom poder dizer
que não haja meninos e meninas sem mães.
e que não hajam mães sem filhos.

e se existe algum lugar onde um dia todos nos possamos encontrar que este esteja cheio de livros.

agora e outra vez em contra-relógio mais dois livros.

6.27.2014

boa viagem bebé!


Boa viagem bebé! é a estreia de Beatrice Alemagna no universo dos livros para a primeira infância.

encontramos um bebé compenetrado nos preparativos para esta viagem. não é a primeira e não será a última, mas nada pode ser esquecido.

estas páginas fizeram-me recordar este "projecto" (histórias de mim, contadas por ti) que tinha como único objectivo o recordar momentos que se vão perdendo no tempo.

esse projecto parou a partir do momento em que o M. ocupou com os seus desenhos as toalhas de papel dos restaurantes.

não na hora de ir para a cama, mas na hora de descermos a grande escada da nossa casa, havia sempre "O" brinquedo preferido que nos acompanhava nessa longa viagem.

tornando essa viagem ainda mais longa por causa de "O" brinquedo preferido.

 e esta outra viagem continua...

até na escolha do livro preferido.
são nestes pequenos detalhes que encontro a genialidade de alguns ilustradores, nomeadamente nas referências a outros autores como é o caso a Leo Lionni e ao seu "Pequeno Azul e Pequeno Amarelo"




esta é a única página que vejo com alguma pena por coincidir com o centro do livro quebrando a leitura deste momento.

um livro que serve para os pais reflectirem na importância de criar um ambiente calmo, sereno e em paz, para que as crianças sintam a hora de dormir como algo natural, sem dramas, choros e birras e ainda na importância de as crianças terem horários, de se deitarem cedo, para que as manhãs possam ser bem vividas.


6.26.2014

às voltas com os livros


desde sempre os livros acompanharam o Manuel, primeiro numa leitura partilhada, mas desde cedo numa leitura um pouco solitária, apesar de crer de que os pais não deviam "abandonar" os filhos nessa leitura sob pena de se perderem das letras.

ao longo destes anos fotografei-o, na maioria das vezes com o telefone, sem qualquer preocupação estética, mas pelo prazer de olhar para ele e vê-lo a ler, sobretudo nas mais variadas posições.

ontem numa das muitas viagens semanais Lisboa-Avis dei por mim mais uma vez deliciada não pelo facto de vir a ler, porque é um hábito, mas pelo ritmo das posições que alternavam a cada virar de página e que davam um filme.

sem tempo para percorrer dez anos de fotografias ficam alguns desses momentos. sem uma unidade temporal e não sendo as melhores, espelham este sentimento que me acompanha e cresce todos os dias.


uma colecção que sempre o agradou, mesmo muito antes de saber ler, talvez por serem pequeninos,

talvez por serem meus,

talvez porque lhe passei o peso da história e do significado que cada um tinha para mim.



Fábrica do Braço de Prata, enquanto preparava a montagem da minha exposição, que acabou debaixo de uma mesa entre pernas de cadeiras.


outras de muitas férias.

de sítios que lhe davam jeito

de almoços e jantares


e da tentativa de realizar um sonho que me acompanhou durante a infância que se traduzia em construir colunas criando um jogo labiríntico.



 talvez um dia...
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